Segunda-feira, 25 de Agosto de 2008

Crime, dizem eles

Quem não embarcar facilmente no peixe que nos querem vender talvez possa dizer o mesmo que JCS disse no blog Lóbi: “Há uma coisa que eu gostava de tentar perceber (...). Há um efectivo aumento da criminalidade ou é a comunicação social que está a empolar acontecimentos banais? Talvez um Agosto mais fresco tenha estragado os planos das redacções que se preparavam para encher um mês inteiro com incêndios. Ou talvez não. Era importante perceber isto”.

Pois era, e o tema tem atravessado o mundo dos blogues, entre quem acha que a coisa está preta, como diz a canção, e quem vê alarme onde há apenas normalidade. Samuel de Paiva Pires, no blog Estado Sentido, recorda que Portugal “obtém nos rankings internacionais sempre grande destaque como um dos países mais pacíficos e seguros do mundo”, mas nota que “umas das funções do Estado (...) é precisamente providenciar aos cidadãos uma efectiva garantia de segurança (...). Caso contrário, numa situação extrema corre o risco de se tornar um estado falhado (...), ou então pelo menos (...) extremamente violento”.

Diria que Samuel vai adivinhando o Portugal que temos visto na Televisão e que levou João Miranda, no Blasfémias, a escrever: “Se a actividade política e económica diminui em Agosto e se o número de crimes se mantém, as notícias sobre crimes ocupam a atenção e o espaço noticioso normalmente dispensada a outras notícias. O resultado é a ilusão de que o número de crimes aumentou”. No Mais Actual, Rui Costa Pinto confessa mesmo a sua “Falta de pachorra para o alarido em relação aos crimes violentos”. No Defender o Quadrado, Sofia Loureiro dos Santos lembra que “Todos os Verões é pedida a demissão do Ministro da Administração Interna”, e explica que o nosso sentimento de insegurança “é real”, porém “altamente insuflado pelo tipo de jornalismo tablóide em que se transformou a informação”.

Talvez por isso, Medeiros Ferreira no seu Bicho-carpinteiro reflecte o fenómeno da seguinte forma:

“Alguém está a rezar pela pele do honesto Ministro da Administração Interna, Rui Pereira. Há neste processo da violência estival algo que me faz lembrar a campanha contra Fernando Gomes, embora me pareça que os criminosos não são os mesmos...”

Pois bem: por causa desta aparente vaga de crimes, logo o PSD pediu a demissão do ministro, e escreve Poetisa, no blog Parque dos Poetas: ”Não tardará muito que, se cair um meteorito em Lisboa ou Porto, se peça a demissão do Ministro da Defesa”. Vital Moreira, no Causa Nossa, vê o PSD sair do “seu tumular silêncio” e exclama: “É pior a emenda do que o soneto. Dar sinal de si para competir com o PP na exploração demagógica da insegurança não é próprio de um partido responsável candidato à governação”.

Como se não bastasse, vem hoje o Diário Económico antecipar o Orçamento e anunciar cortes valentes nos dinheiros da administração interna, isto é, das polícias. Rui Castro, no 31 da Armada, limita-se a dizer: “aguarda-se desmentido”. Como quem diz: queremos mesmo um país seguro e em paz...

publicado por PRD às 14:29
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1 comentário:
De Samuel de Paiva Pires a 9 de Setembro de 2008 às 03:15
Caro PRD, muito agradecido pela referência de que só agora me dei um conta!

Saudações,

Samuel de Paiva Pires


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PRD

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Estes textos são escritos para serem “falados”, ou “lidos”, pelo que não só têm algumas marca de oralidade (evidentemente, propositadas...) como é meu hábito improvisar um pouco “em cima deles” no momento em que gravo a rubrica. Também é relevante dizer que, dado tratar-se de uma “revista de blog’s” – e uma vez que os blog’s não se preocupam com a oralidade ou com a eventual citação lida dos seus textos -, tomo a liberdade de editar minimamente os textos que selecciono. Faço-o apenas para que, em rádio, não se perca a ideia do blogger pelo facto de escrever frases longas e muito entrecortadas. Da mesma forma, não reproduzo palavrões nem frases pessoalmente ofensivas, assim como evito acusações cuja possibilidade de prova é diminuta ou inexistente. Sendo uma humilde crónica de rádio, tinha ainda assim de ter alguns princípios. São estes. Quem tiver razão de queixa, não hesite!

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