Sexta-feira, 15 de Agosto de 2008

Divagações no meio de Agosto...

 

Nesta primeira quinzena de Agosto dediquei-me a explorar universos mais lúdicos dentro do vasto mundo dos blogues. Voltarei regularmente a estes outros ângulos, enquadramentos, que podem até servir de inspiração a quem pensa porventura ter o seu próprio blog, que como já se viu é simples e fácil.

No meio deste caos gigantesco em que se transformou a blogoesfera, e à medida que vamos vendo mais e mais blogues com vídeo, imagem, design, cada vez mais perto de sites e mais longe da essência dos blogues, e quando assistimos por outro lado à migração de colunista dos blogues para os jornais, e vice-versa, e a politica e os políticos a perceberem a ferramenta que aqui está, bom, quando vemos todo este movimento em revolução permanente, apetece perguntar para onde vamos, para onde vai o mundo dos blogues.

Vi uma resposta possível a esta pergunta no Abrupto, de Pacheco Pereira, num texto que tem um ano mas conserva toda a actualidade. Escreveu ele: “Quem esteja atento aos órgãos de comunicação pode aperceber-se de um novo mecanismo de formação da opinião jornalística, da opinião dos profissionais do jornalismo, cujo impacto no produto final, no jornal, na rádio, na televisão, é decisivo. Esse novo mecanismo são os blogues, agora com novos aspectos”. Explica: “Os jornalistas não só mergulharam no mundo dos blogues como se tornaram autores de blogues, absolutamente idênticos aos outros blogues, tribais, opinativos, obcecados pelas audiências, manifestando com clareza ódios e amores, ligando-se e desligando-se entre si, e transportando para os jornais as lógicas e movimentos típicos da blogosfera. Quem parece estar a “ganhar” na blogosfera, passa a “ganhar” nos jornais, pela razão simples que os artífices de um ou outro mundo são os mesmos e a ferida narcisista, como se sabe a mais profunda no meio dos blogues, passa a ser também a ferida no meio dos jornais”. Na opinião de Pacheco Pereira, “Esta é uma péssima evolução para os dois lados, para os blogues e para os media”: (...) “marca o fim da relativa independência dos blogues da agenda jornalística”.

Ora bem, para lá deste mundo politico e mediático do dia a dia, e que é sem duvida importante, mas é a espuma dos dias, há no universo dos blogues outros olhares, outros interesses, outras utilidades que passam pela amizade, pela solidariedade, pelo vencer da solidão e do preconceito, ou apenas pela paixão por um hobbie. Foi isso que mostrei neste conjunto de crónicas – na próxima segunda, volto com essa agenda jornalística de que fala Pacheco Pereira para ver como anda o mundo e a actualidade vista com os olhos de quem vê através da rede.

publicado por PRD às 02:22
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2 comentários:
De Maria a 18 de Agosto de 2008 às 23:57
> há no universo dos blogues outros olhares, outros interesses, outras utilidades que passam pela amizade, pela solidariedade, pelo vencer da solidão e do preconceito, ou apenas pela paixão por um hobbie.

Eu que vou novata e com data de extinção em matéria de blogosfera, bem lhe posso dizer, com alguma segurança estatisticamente significativa, mas sem qualquer suporte cientifico, que esta blogosfera quem mais de 90% de sustentação nos factores de “vencer da solidão”. Tudo o resto, factores de identificação, por solidariedade pelas mesmas causa, os mesmos ciber-amigos partilhados nos comments, os jantares ao vivo e a cores, tudo o resto são coadjuvantes para o factor principal.

Mas enfim, sou eu novata e futura extinta a opinar, para além disso, hoje “tirei o dia” para andar a fazer comentários non-sense pela blogosfera ;)

Abraços de Verão

Maria


De fragmentos culturais a 23 de Agosto de 2008 às 15:30

... a blogosfera pode ser efectivamente um 'hobbie'!
E se lhe pudermos acrescentar uma 'centelha' despretensiosa de curta divulgação cultural, tornar-se-à interessante, talvez!?

Como escreveu Agustina: "... a sociedade não se organizou no sentido de fazer do leitor um património cultural..."

Agustina Bessa-Luís, 'Dicionário Imperfeito', 2008

Bom fim-de-semana!


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Estes textos são escritos para serem “falados”, ou “lidos”, pelo que não só têm algumas marca de oralidade (evidentemente, propositadas...) como é meu hábito improvisar um pouco “em cima deles” no momento em que gravo a rubrica. Também é relevante dizer que, dado tratar-se de uma “revista de blog’s” – e uma vez que os blog’s não se preocupam com a oralidade ou com a eventual citação lida dos seus textos -, tomo a liberdade de editar minimamente os textos que selecciono. Faço-o apenas para que, em rádio, não se perca a ideia do blogger pelo facto de escrever frases longas e muito entrecortadas. Da mesma forma, não reproduzo palavrões nem frases pessoalmente ofensivas, assim como evito acusações cuja possibilidade de prova é diminuta ou inexistente. Sendo uma humilde crónica de rádio, tinha ainda assim de ter alguns princípios. São estes. Quem tiver razão de queixa, não hesite!

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