Quinta-feira, 14 de Agosto de 2008

Palavras e palavras e palavras

 

No começo, eram textos. No começo dos blogues, basicamente eram textos sobre textos, como aqui bem explicou Pacheco Pereira, uma espécie de papiro que se desenrola e com ele vêem ideias, pensamentos, estados de alma e de espírito, talento, desabafos, gritos, a revolta, a dor, o amor.

Como não poderia deixar de ser, o mundo dos blogues seria sempre terreno fértil para os poetas, os escritores, mais anónimos ou mais conhecidos. Nuno Júdice, por exemplo, poeta de primeira água, publica regularmente a sua poesia no blog A-a-Z, quase sempre ilustrada por belíssimos quadros. Outro poeta, menos conhecido Torquato da Luz, que foi jornalista toda a sua vida, publica basicamente em blog a sua produção literária, podem encontrá-lo em OFÍCIO DIÁRIO, onde se diz: “O poema nosso de cada dia nos dai hoje”.

No terreno da prosa, encontramos Paulo Kellerman e a sua excelente “Gaveta de Paulo”, onde se acumulam inéditos, contos, pequenos textos poéticos, uma verdadeira gaveta de surpresas literárias.

Noutro registo, um anónimo que se assina poeta aprendiz há vários anos que alimenta o blog “Cartas para Julieta”, “dedicado a todas as mulheres que Amo, Amei e Amarei. A todas as que fizeram, fazem ou farão parte da minha vida. E a todas as desconhecidas que precisem de sonhar, Amar e...voar”. O que ali se encontra é uma colecção de cartas de amor, bem escritas, poéticas, imaginativas, e que realmente fazem sonhar.

Há também quem prefira usar um blog para mostrar que escreve outro tipo de textos, menos ficção e mais opinião. É o caso da escritora Rita Ferro que no seu “Pronome Possessivo” mostra os outros lados de que é feita a mulher e a escritora.

Por fim, há muitos blogues onde autores anónimos ou identificados escolhem regularmente pequenas pérolas da literatura, seja poesia ou prosa, e partilham-nas com os leitores. Gosto sempre de visitar, para deixar um exemplo, o blog “Contos e não só para a Ana”, onde o autor, que assina apenas V, quase todos os dias posta um poema, um parágrafo de um livro, uma letra de uma canção, às vezes um vídeo ou uma foto, e no conjunto geral o que ali está é uma antologia muito pessoal de literatura nacional e estrangeira. Por baixo do nome do blog está uma citação de José Luís Peixoto que explica a relação do autor do blog com as palavras: «Perguntou-me o que é que eu escrevia nos livros. Respondi-lhe que me escrevia a mim. Escrevo-me. Escrevo o que existo, onde sinto, todos os lugares onde sinto. E o que sinto é o que existo e o que sou. Escrevo-me nas palavras mais ridículas: amor, esperança, estrelas, e nas palavras mais belas: claridade, pureza, céu. Transformo-me todo em palavras.». Assim está este blog – assim estão todos os que se dedicam apaixonadamente à literatura.

publicado por PRD às 02:21
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2 comentários:
De meldevespas a 21 de Agosto de 2008 às 14:49
Gostei de ler este post. Acredite que não é pretenciosismo, mas identifiquei-me com todos esses que amam as palavras e os livros e o acto de escrever. Foi essa a mola impulsionadora do meu blog..e ainda é. Escrever na esperança dos outros lerem, ou apenas (e principalmente) escrever-me porque gosto.
Cumprimentos, e desde já um bom fim de semana
Carmo Fernandes


De A. a 3 de Setembro de 2008 às 20:41
...palavras para quê !?





um beijo.meu.






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Estes textos são escritos para serem “falados”, ou “lidos”, pelo que não só têm algumas marca de oralidade (evidentemente, propositadas...) como é meu hábito improvisar um pouco “em cima deles” no momento em que gravo a rubrica. Também é relevante dizer que, dado tratar-se de uma “revista de blog’s” – e uma vez que os blog’s não se preocupam com a oralidade ou com a eventual citação lida dos seus textos -, tomo a liberdade de editar minimamente os textos que selecciono. Faço-o apenas para que, em rádio, não se perca a ideia do blogger pelo facto de escrever frases longas e muito entrecortadas. Da mesma forma, não reproduzo palavrões nem frases pessoalmente ofensivas, assim como evito acusações cuja possibilidade de prova é diminuta ou inexistente. Sendo uma humilde crónica de rádio, tinha ainda assim de ter alguns princípios. São estes. Quem tiver razão de queixa, não hesite!

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