Quarta-feira, 6 de Agosto de 2008

O mundo rosa

 

Quem ouve a Janela Indiscreta diariamente pode pensar que por aqui, ne rede das redes, só andam intelectuais como Pacheco Pereira e políticos como Daniel Oliveira ou escritores como Pedro Mexia. Mas não é bem assim – estranhas figuras publicas entenderam também que ter um blog podia ser interessante.

E hoje, numa cedência ao mundo rosa, torno-me uma espécie de tertuliano de programa de TV e falo-vos, por exemplo, do blog “Eu, Cláudio”, desse verdadeiro cromo da nossa vida social chamado Cláudio Ramos. Profissão, não sei bem qual é a dele – mas que escreve, ele escreve. Coisas assim, por exemplo:

“A noite é mais perigosa. Mais excitante. Mais amiga de maus conselhos? Não sei se será mas sei que é na noite que se escondem outras vidas e outras formas de pensar. É no escuro que se confundem os afectos e se baralham os desejos”.

Noutro belo momento poético, Cláudio escreve e interroga-se: “Quem nunca sonhou, que no mar haveria a resposta para tantas coisas e que as promessas feitas ali, com os pés no chão e a alma aberta para receber tudo, se tornariam realidade no dia seguinte. Como se a solidão de ali estarmos eu, a areia e o mar fosse a solução para todos os problemas...”

Problemas, sem duvida, até mesmo com o português... O blog é isto mesmo: um permanente desabafo de Cláudio, ou como ele explica: “O mais íntimo do que sinto no momento”. E nota: “com isso corro riscos. Quando se tem alguma exposição mediática fruto do seu trabalho, não é fácil despir a imagem que o mundo faz de nós, e vestir a de "dono" de um blog”.

Não é fácil mas ali está Cláudio Ramos, cuja actividade é basicamente falar de terceiros e dizer banalidades ou mesmo tolices, dizia, ali está ele a mostrar um outro lado de si.

Não é caso único: também a socialite Isabel Nogueira, cuja profissão, lá está, além de andar de festa em festa, ninguém sabe qual é, tem um blog chamado "In parties" onde exibe fotos de todas as festas onde vai: “Muito agradável, foi a visita seguida de almoço ao maior navio de cruzeiro do mundo, de passagem hoje por Lisboa, escrevia há dias. Mostrava fotos do vento e rematava assim: “Terminada a refeição e empolgados com a grandiosidade e beleza do Independence of the Seas, era desejo unânime dos convidados presentes, seguir viagem para as Caraíbas já no próximo mês de Novembro. Eu também quero ir!”. Socialite é isso: vai ao croquete e faz-se ao piso para o croquete seguinte. Outro belo exemplo, a inauguração de uma loja num shopping algarvio: “Recebida (...) e acomodada numa das garden suites (...) desta unidade hoteleira de 5 estrelas, em boa companhia desfrutei de uma tarde de piscina, enquanto aguardava pela festa de inauguração do Centro Comercial deste luxuoso Resort”. Pendurada no croquete e também na estadia grátis.

Há quem viva disto e quem faça disto um blog. Deixei dois casos que provam que a blogoesfera tem de tudo, para todos os gostos. E agora que é Agosto é que vale a pena mostrar pérolas assim, como dizer... do inefável mundo cor de rosa...

publicado por PRD às 02:09
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1 comentário:
De Vanessa Coutinho a 3 de Abril de 2009 às 16:58
Fantástico é que apesar da crítica, se mostre tão conhecedor do trabalho em questão, que o saiba até transcrever na íntegra...Sente-se no tom sarcástico o incómodo que lhe causa o bem estar alheio.Quer-me a mim parecer que está a ser vitíma da tão contagiosa doença que afecta milhares de Portugueses: Coisa feia a inveja...


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Estes textos são escritos para serem “falados”, ou “lidos”, pelo que não só têm algumas marca de oralidade (evidentemente, propositadas...) como é meu hábito improvisar um pouco “em cima deles” no momento em que gravo a rubrica. Também é relevante dizer que, dado tratar-se de uma “revista de blog’s” – e uma vez que os blog’s não se preocupam com a oralidade ou com a eventual citação lida dos seus textos -, tomo a liberdade de editar minimamente os textos que selecciono. Faço-o apenas para que, em rádio, não se perca a ideia do blogger pelo facto de escrever frases longas e muito entrecortadas. Da mesma forma, não reproduzo palavrões nem frases pessoalmente ofensivas, assim como evito acusações cuja possibilidade de prova é diminuta ou inexistente. Sendo uma humilde crónica de rádio, tinha ainda assim de ter alguns princípios. São estes. Quem tiver razão de queixa, não hesite!

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