Terça-feira, 22 de Julho de 2008

Maddie arquivada

 

Em rigor, parece-me que já ninguém acreditava que o “Caso Maddie” desse algo mais do que um arquivamento. E assim foi. E uma vista de olhos ao mundo dos blogues confirma isso mesmo, “ o desfecho esperado”, como lhe chama Tomás Vasques no Hoje Há Conquilhas para recordar essa “diversão que dá pelo nome de segredo de justiça e que alimentou, a peso de ouro, jornais e televisões. A comunicação social, cada vez mais, se parece com as agências funerárias: vivem das desgraças alheias”.

Filipe Tourais, no Pais do Burro, é peremptório: “o arquivamento é (...) a regra perceptível a que obedecem todos os processos que envolvam alguém que detenha uma dose razoável de poder. E assim foi”. Daniel Oliveira, no Arrastão, tira lições do que se escreveu e do que daqui ficará para memória futura e nota que este caso “põe a nu as fragilidades da investigação judicial portuguesa e do jornalismo que se vai fazendo. Mas só põe a nu. Não faltam por aí kates, gerrys e murats um pouco mais anónimos e talvez com menos capacidade de defesa”. E remata: “o sensacionalismo valeu mais do que a cautela”.

No blog Andarilho, Eduardo Saraiva pede bom senso e espera que “o "Caso Maddie" não se transforme num folhetim ou vire Telenovela”: “É evidente que a Justiça portuguesa não atravessa um bom momento mas, se estiverem com muita atenção, nem sempre a culpa vem dos Tribunais, do Ministério Público, da Polícia Judiciária e das forças policiais. Por vezes, há forças estranhas que estão, como autênticas lapas, agarradas ao Poder político. E, por vezes, o Poder político é fraco. Fraqueja e de que maneira!”.

Luís Castro, autor do livro "Por que Adoptámos Maddie", escreve no seu blog Cheiro a Pólvora um titulo desalentado: “E tudo deu em nada!”. E recuperando um texto do seu livro conta que, “D. Januário Torgal Ferreira, sempre pronto a defender os profissionais da comunicação social, garante que se os ouvisse em confissão, não lhes reservava qualquer penitência, mas a alguns mandava-os para casa com um conselho: “Vão e não tornem a pecar!” “

No Blog Jumento prefere-se a citação do artigo de sábado passado de Miguel Sousa Tavares no Expresso, uma forma de lamentar o estado a que este processo não chegou: “Não, não se arquive. Tem de haver responsáveis e eles não se podem esconder atrás de livros destinados a prolongar ainda mais a calúnia e a violência sobre inocentes. E tem de haver responsáveis entre os jornalistas e os editores que se prestaram levianamente a aderir e propagandear uma tese que a polícia lhes vendeu e que lhes serviu para vender mais jornais. Não, não se arquive. Já basta de arquivamentos.»

Pois basta, mas aí temos mais um e o meu remate é tirado do blog Direito de Opinião, assinado por António de Almeida:

“Descansa em paz Madeleine, merecias melhor sorte”.

publicado por PRD às 19:25
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1 comentário:
De MTM a 6 de Agosto de 2008 às 12:13
Bom Dia,

Sou uma ouvinte atenta, e muitas vezes concordo com o que diz. Mas neste caso acho que o que se deve realçar é que não devemos facilitar as coisas Pois bem aqui vai, que não se sabe onde está a Maddie , é um facto que me preocupa, e é da única pessoa que realmente tenho pena e se estiver viva que esteja a ser bem tratada e com pessoas que a amam. se já cá não estiver que descanse em paz.
Quanto á origem do seu desaparecimento, aqui vai.
Sou mãe tive a felicidade de ter uma família fantástica e que me mostrou que ser pai é muito mais que ter um filho. Ser pai é cuidar dele dar-lhe protecção carinho e atenção. Talvez tenha sido uma desta coisas que faltou, sim a protecção.
É verdade que muitas vezes vamos de ferias e temos a impressão que apenas não estamos a trabalhar no local habitual, mas que não paramos de trabalhar. Sim porque as crianças não têm um botão off para desligar quando nos apetece ir jantar com os amigos sem ter alguém a pedir-nos a nossa constante atenção. Mas isso meus Senhores e Senhoras, são pormenores no meio de todas as alegrias, que os nossos filhos nos dão.
Não entendo, não aceito e não acho normal deixar 3 crianças ou melhor 3 bebés numa casa sozinhos. Desculpem lá a forma bruta em que vou colocar as coisas mas ser pai ser mãe é muito mais que fazer um filho. E isso é para toda a vida, jamais deixamos de ser pais, de nos preocupar e de querer o seu melhor, de educa-los da melhor forma que sabemos e podemos.
MAIOR CRIME QUE ABANDONAR OS FILHOS É ACHAR QUE NÃO O FIZEMOS.

Quem faz um filho deve faze-lo por gosto, sabendo de antemão que a nossa vida vai mudar, durante uns anos não sou seu mas sim nós, e que não os podemos deixar porque estamos cansados, ou porque ........
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Bom Dia, <BR><BR>Sou uma ouvinte atenta, e muitas vezes concordo com o que diz. Mas neste caso acho que o que se deve realçar é que não devemos facilitar as coisas Pois bem aqui vai, que não se sabe onde está a Maddie , é um facto que me preocupa, e é da única pessoa que realmente tenho pena e se estiver viva que esteja a ser bem tratada e com pessoas que a amam. se já cá não estiver que descanse em paz. <BR>Quanto á origem do seu desaparecimento, aqui vai. <BR>Sou mãe tive a felicidade de ter uma família fantástica e que me mostrou que ser pai é muito mais que ter um filho. Ser pai é cuidar dele dar-lhe protecção carinho e atenção. Talvez tenha sido uma desta coisas que faltou, sim a protecção. <BR>É verdade que muitas vezes vamos de ferias e temos a impressão que apenas não estamos a trabalhar no local habitual, mas que não paramos de trabalhar. Sim porque as crianças não têm um botão off para desligar quando nos apetece ir jantar com os amigos sem ter alguém a pedir-nos a nossa constante atenção. Mas isso meus Senhores e Senhoras, são pormenores no meio de todas as alegrias, que os nossos filhos nos dão. <BR>Não entendo, não aceito e não acho normal deixar 3 crianças ou melhor 3 bebés numa casa sozinhos. Desculpem lá a forma bruta em que vou colocar as coisas mas ser pai ser mãe é muito mais que fazer um filho. E isso é para toda a vida, jamais deixamos de ser pais, de nos preocupar e de querer o seu melhor, de educa-los da melhor forma que sabemos e podemos. <BR>MAIOR CRIME QUE ABANDONAR OS FILHOS É ACHAR QUE NÃO O FIZEMOS. <BR><BR>Quem faz um filho deve faze-lo por gosto, sabendo de antemão que a nossa vida vai mudar, durante uns anos não sou seu mas sim nós, e que não os podemos deixar porque estamos cansados, ou porque ........ <BR><BR class=incorrect name="incorrect" <a>MTM</A> <BR>


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Estes textos são escritos para serem “falados”, ou “lidos”, pelo que não só têm algumas marca de oralidade (evidentemente, propositadas...) como é meu hábito improvisar um pouco “em cima deles” no momento em que gravo a rubrica. Também é relevante dizer que, dado tratar-se de uma “revista de blog’s” – e uma vez que os blog’s não se preocupam com a oralidade ou com a eventual citação lida dos seus textos -, tomo a liberdade de editar minimamente os textos que selecciono. Faço-o apenas para que, em rádio, não se perca a ideia do blogger pelo facto de escrever frases longas e muito entrecortadas. Da mesma forma, não reproduzo palavrões nem frases pessoalmente ofensivas, assim como evito acusações cuja possibilidade de prova é diminuta ou inexistente. Sendo uma humilde crónica de rádio, tinha ainda assim de ter alguns princípios. São estes. Quem tiver razão de queixa, não hesite!

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