Quinta-feira, 17 de Julho de 2008

Pagar cara a crise

 

Discutiu-se o estado da nação há exactamente oito dias, só não se sabia do seu efectivo e real estado. Veio Vítor Constâncio e o Banco de Portugal e descobrimos, como escreve André Abrantes Amaral no Insurgente, que “A crise está aí e o Eng. Sócrates vai-se ver aflito para aguentar o barco até às eleições de 2009. (...) A pergunta que fica é saber qual a receita, depois do falhanço desta, que o primeiro-ministro vai apresentar para merecer o segundo mandato”.

Bom, aparentemente as sondagens continuam do lado do PS, como nota Pedro Correia no Corta-Fitas: “Crise? Que crise? O PS de Sócrates, (...) recupera um ponto percentual. Longe da maioria absoluta, é certo. Mas oito pontos acima do "novo" PSD”. A ver as coisas como Jorge Ferreira, no Tomar Partido, estes números vão mudar: “Só o Governo persistia em não ver. Só o Governo insistia em fingir. Só o Governo é o responsável por termos acordado tarde e más horas para a crise que todos percebiam. Portugal vai pagar caro duas vezes: vai pagar caro pela crise em si mesma e vai pagar caro pela demora do Governo em agir”. Vítor Constâncio deu as más noticias e falou. Rui Costa Pinto, no Mais actual acha que o governador “continua a sua 'missão' de ajudar o governo socialista”. E explica: “Depois das contas públicas, apresentadas depois do debate do Estado da Nação, em versão cor-de-rosa pálido, chegou a vez de relançar a questão do nuclear. (...) Estas elites estão como o país: de rastos”. Paulo Pinto de Mascarenhas junta os jornalistas à elites: “José Sócrates tem um trunfo indiscutível a seu favor: os jornalistas e os comentadores, tal como os bloggers,  sentem a crise na pele e, como outros portugueses, preferem o mal que têm à alternativa que desconhecem. É curioso verificar como a maioria continua a levar Sócrates aos ombros até 2009”.

É no meio desta debate em ambiente de depressão que encontro um longo post de Pacheco Pereira no Abrupto:

«"Crise" é a palavra que mais se ouve por estes dias. As análises e os vaticínios mais negros quanto à dimensão da "crise" são o pão-nosso de cada dia. Quem nos ouve fica com a impressão de que o mundo caiu num buraco monumental, de que não se consegue sair, e com o mundo todos nós atrás. E, no entanto, não é verdade. O mundo não está em "crise". Somo nós, países industrializados ocidentais, na Europa e nos EUA, que estamos em "crise", não é o mundo. Bem pelo contrário, o mundo está bem e recomenda-se».

Pacheco desenvolve outro raciocionio, outra forma de pensar: “Na actual "crise" estamos nós a perder, mas muito mais gente a ganhar e por isso convinha dobrar a língua quando falamos de crise. A nossa lamentação sobe aos céus, mas para muitos milhões de homens são palmas que se ouvem. A vida é cruel, como todos sabemos”.

E em tempos de crise do lado de cá, e florescimento do lado de lá, este pensamento de Pacheco Pereira merece uma visita ao Abrupto para uma leitura atenta. E para que o debate sobre a economia não fique, como de costume, pela espuma dos dias...

publicado por PRD às 19:39
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