Segunda-feira, 14 de Julho de 2008

"Nova Bagdad"...

 

Se eu quisesse resumir de forma irónica e parcial os factos, seguiria as palavras de Paulo Ferreira no Câmara de Comuns: “ALGUNS ciganos do Bairro da Quinta da Fonte decidiram recuperar algumas ideias e teorias da época de "ouro" da economia portuguesa e que ainda hoje "rende dividendos"...o PREC! A terra a quem a trabalha, as casas também, o chumbo quente idem idem, aspas, aspas...”. Bom, o caso terá sido mais complicado, como as imagens na SIC mostraram, mas o tema ainda não arrefeceu. André Azevedo Alves, por exemplo, pergunta n’O Insurgente se aquilo é Quinta da Fonte ou Nova Bagdad e escreve: “Para os governantes, tudo é anormal, ou caso único, ou a primeira vez que aconteceu…Para nós, é a guerrilha urbana que se instalou às portas de Lisboa. Basta ouvir os moradores honestos desses bairros, para se perceber que o que se passou é o pão nosso de cada dia”.

No blog Entre Deus e o Diabo encontro uma análise muito realista e pragmática sobre o tema: “Estas mini-cidades farowest sempre existiram. Quem conhece Benfica ou o Bairro S. João de Deus no Porto sabe isso. Aqui não são os ciganos ou os pretos que têm culpa de alguma coisa por serem ciganos ou pretos. Os ciganos e os pretos até podiam ser encarnados que continuariam a fazer o mesmo.
Aqui não há ninguém que fique bem na fotografia. O Estado continua a engavetá-los a monte. Estas comunidades põem-se a jeito em vez de tentarem, pelo menos um bocadinho, afastar o crime das suas vidas”.

De longe, de bem longe vem o autor do blog Combustões e diz: “Nestes curtos dias em Lisboa, (...) dei-me conta que já ninguém manda e já ninguém obedece. As facadas da praia anunciaram os tiros num ignoto bairro social. Talvez na próxima vez assista a tiroteio no Rossio. Volto para a Ásia com a clara sensação que Lisboa, nove meses volvidos, está muito diferente, para pior”. Por falar em perto e longe, leio Miguel Marujo no Cibertulia: “Não são "aceitáveis imagens em Portugal que nos fazem lembrar Beirute", disse Paulo Portas (...). Este senhor é lamentável a todos os títulos: Beirute foi uma cidade devastada por guerras civis, não um mero problema de segurança”. Mas registo também uma frase de João Gonçalves – “Quem não tem um Afeganistão por perto, caça com Loures”. A brincar a brincar este é um caso bem sério. No blog Lóbi, JCS, regista que “até agora (...) foram ouvidas duas pessoas, que saíram do Tribunal com termo de identidade e residência, que é como quem diz «em liberdade». E sugere: “Senhores jornalistas, perguntem lá ao Ministro se isto não está uma maravilha e se os gráficos não continuam a demonstrar a queda a pique da criminalidade”.

Para desanuviar o ambiente, como faço com frequência, acabo a ronda no Blog dos Marretas onde Animal escreve:

“Cá para mim, aquela cena de fárueste da Quinta da Fonte tem a ver com o facto que não havia i-Phones disponíveis para todos os pedidos e os que estavam disponíveis não funcionaram”...

publicado por PRD às 23:37
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1 comentário:
De SangueOculto a 15 de Julho de 2008 às 06:18
Nota:Este comentário serviu igualmente para outro blog, acerca do mesmo assunto, o "far-oeste" da Quinta da Fonte.No meu blog escreverei sobre o mesmo assunto, mas numa outra perspectiva.
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Por si só há uma diferença de mundos, de realidades e de cultura. É muito facil de concluir que quem organizou a estrutura daqueles bairros não soube avaliar que um dia cidadãos da comunidade cigana andariam aos tiros com cidadãos da comunidade "tugó-africana" (posso chamar-lhes assim? uma boa parte deles já nasceram cá).
Logo ao começo poderiam ser todos amigos e talvez se dariam bem...hoje, anos depois do começo da convivência, as diferenças passaram a ser as maiores responsáveis por conflitos. Agora é tarde.
Se soubessem que hoje estariamos neste estado, as coisas teriam sido diferentes. Defendo a tese da "ghetização": ciganos para um bairro, "Tugó-africanos" para outro.
Já bastam as deficiências estruturais da nossa justiça (e consequentes longas demoras nos desenvolvimentos processuais), de ter sido retirado alguns privilégios às forças políciais (irresponsibilidade vinda da magistratura), relativamente aos meios de acção e os meios técnicos disponíveis.
Agoram colhem-se os "frutos" desses actos irresponsáveis nestes complexos dossier's chamados: Segurança Nacional e Justiça Nacional.
Frutos como este "far-oeste" da Quinta da Fonte ou mesmo as cenas de pancadaria no fim de um julgamento, nas quais os juízes foram alvo de uns pontapés ou de uns murros. Ou mesmo daquela caixa de multibanco que foi literalmente arrancada e roubada das instalações de um tribunal.
Deixou de haver respeito.. Já não se lida com "ladrões de galinhas".. mas só agora é que os membros representativos da nossa justiça (juízes e magistrados, refiro-me) é que descobriram esse facto... do qual, nós, meros cidadãos, já conhecemos há muito tempo.


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PRD

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Estes textos são escritos para serem “falados”, ou “lidos”, pelo que não só têm algumas marca de oralidade (evidentemente, propositadas...) como é meu hábito improvisar um pouco “em cima deles” no momento em que gravo a rubrica. Também é relevante dizer que, dado tratar-se de uma “revista de blog’s” – e uma vez que os blog’s não se preocupam com a oralidade ou com a eventual citação lida dos seus textos -, tomo a liberdade de editar minimamente os textos que selecciono. Faço-o apenas para que, em rádio, não se perca a ideia do blogger pelo facto de escrever frases longas e muito entrecortadas. Da mesma forma, não reproduzo palavrões nem frases pessoalmente ofensivas, assim como evito acusações cuja possibilidade de prova é diminuta ou inexistente. Sendo uma humilde crónica de rádio, tinha ainda assim de ter alguns princípios. São estes. Quem tiver razão de queixa, não hesite!

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