Segunda-feira, 7 de Julho de 2008

A justiça não é redonda, como a bola...

 

O fim-de-semana foi triste para o desporto e a justiça nacionais: os acontecimentos e tricas à volta da reunião do Conselho de Justiça da Federação de Futebol deixaram a inevitável nuvem negra sobre a verdadeira cor do Apito que faz falta ouvir-se.

Ora bem, no mundo dos blogues encontrei dois textos longos, e nalguns pontos técnicos, que vale a pena ler, assinados por Carlos Abreu Amorim no blog Blasfémias (que está em blasfémias.net). O autor é do Porto, o que levou alguns dos mais de 150 comentadores que passaram pelo blog a dizer que as suas teses eram viciadas.

Ainda assim, tem razão quando escreve: “A “justiça” desportiva sempre foi muito má: as “traseiras do direito” como lhe chamou Sousa Tavares num momento inspirado. Agora está tudo a ultrapassar os limites do desrazoável que já era. Um dos membros do C’j’ integra outro órgão da Federação pontapeando os mais elementares princípios da organização das pessoas colectivas. Os jornais noticiam quem foi indicado ou está afecto ao clube ‘X’ ou ‘Y’ e, consequentemente, qual o veredicto que já estava ‘cozinhado’”. E mais à frente: “Independentemente do desfecho que este caso concreto vier a ter, já é demais! (...) Só vejo uma solução: a criação de um verdadeiro Tribunal do Desporto que funcionará a tempo inteiro e de forma profissionalizada cujos membros serão recrutados de modo higienicamente autónomo de todas as entidades que superintendem à actividade desportiva (...). O desporto deverá passar a ser um factor de prestígio do direito em vez daquilo que se tornou: a imagem do seu abandalhamento. E isso só se fará quando os órgãos de jurisdição desportiva tenham entrada pela porta da frente em vez de rastejarem pela dos fundos”.

Sublinho do texto do Blasfémias justamente o que me parece unânime independentemente da clubite, e o que me parece ser uma ideia a desenvolver, a de um verdadeiro tribunal de Desporto.

No que a este tema diz respeito, noto ainda um facto bizarro, porém demonstrativo dos perigos de confiar cegamente na Internet ou de a usar como fonte fidedigna sem confirmar a informação.

A história é esta: querendo fazer um perfil de todos os membros do Conselho de Justiça, o jornal Record publicou ontem uma biografia de um deles, Francisco Mendes da Silva, identificando-o como co-autor do blog 31 da Armada, e utilizando todos os dados que sobre ele constam no blog. Ora, lê-se por lá, “O Francisco (...) Mendes da Silva do "31 da Armada" é filho do Francisco (...) Mendes da Silva do Conselho de Justiça (...), com quem teve a providencial sorte de aprender a sua profissão e através de quem, pelo exemplo, pode todos os dias intuir qual a maneira correcta de estar na vida”. Em vez de conferir a informação obtida na net, o jornal não apenas deu como certo que um e o outro eram o mesmo como publicou uma biografia do filho quando queria fazer o perfil do pai.

Deste modo, e para fechar como abri, nas traseiras do direito também se encontram de vez em quando outras traseiras. E mais este episódio serve o mesmo princípio: a Internet é uma excelente ferramenta de trabalho, mas não mais do que isso. Quem não percebe isto, não percebe nada...

publicado por PRD às 19:28
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2 comentários:
De Bruno Simões a 12 de Julho de 2008 às 16:52
Essa pretensa biografia faz-me lembrar este caso recente: http :/ ultimahora.publico.clix.pt /noticia.aspx?id=1334839. Aconteceu nos EUA...


De Bruno Simões a 12 de Julho de 2008 às 16:53
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1334839

este é o link correcto.


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PRD

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Estes textos são escritos para serem “falados”, ou “lidos”, pelo que não só têm algumas marca de oralidade (evidentemente, propositadas...) como é meu hábito improvisar um pouco “em cima deles” no momento em que gravo a rubrica. Também é relevante dizer que, dado tratar-se de uma “revista de blog’s” – e uma vez que os blog’s não se preocupam com a oralidade ou com a eventual citação lida dos seus textos -, tomo a liberdade de editar minimamente os textos que selecciono. Faço-o apenas para que, em rádio, não se perca a ideia do blogger pelo facto de escrever frases longas e muito entrecortadas. Da mesma forma, não reproduzo palavrões nem frases pessoalmente ofensivas, assim como evito acusações cuja possibilidade de prova é diminuta ou inexistente. Sendo uma humilde crónica de rádio, tinha ainda assim de ter alguns princípios. São estes. Quem tiver razão de queixa, não hesite!

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