Terça-feira, 8 de Julho de 2008

Perguntas, perguntas

 

Uma das formais mais comuns de colocar problemas, ou se mostrar indignação, ou apenas de desabafar, é escrever sob a forma interrogativa. Primeiro uma pergunta – às vezes apenas a pergunta. Outras vezes, a pergunta como ponto de partida. Exemplo: “E agora, a direita já está preparada para governar?”. A pergunta é de João Miranda no Blasfémias: “Após a queda da coligação entre o CDS e o PSD, Pires de Lima confessou que a direita que chegou ao poder em 2001 não estava preparada para governar. E entretanto aprendeu?”. Parece que não. Uma pergunta diferente, a que deixou André Azevedo Alves aos leitores do Insurgente:

Qual o melhor líder para o CDS-PP? 235 votos contabilizados e o vencedor foi António Lobo Xavier seguido justamente por António Pires de Lima. Outra pergunta, outro tema, José Medeiros-Ferreira reparou que “Cavaco Silva, que perdeu popularidade desde a visita à Madeira, está de novo mais activo” e interroga-se: “Uma nova fase do mandato presidencial?”.

No já citado Blasfémias, outra voz, a de Helena Matos, e outra pergunta: “Onde estão os defensores de Foz Côa?”: “Em 1994, com o PS já a cavalgar a onda que levaria Guterres ao poder (...), transformou-se a questão das gravuras de Foz Côa num cavalo de batalha contra o cavaquismo. (...) Os turistas prometidos nunca apareceram, os arqueólogos levantaram a tenda e partiram para outras cruzadas. Sobraram os portugueses que pagaram o que lá está da barragem. (...) O pior é que não só pagamos tudo isto e mais o que inventarem como ainda vamos perder o Baixo Sabor.  A quem se pode mandar a conta?”

Como se vê, hoje ando atrás de perguntas com respostas armadilhadas. Era inevitável passar pelas perguntas que deixou o incêndio na Avenida da Liberdade. Daniel Oliveira, no Arrastão, pergunta “Porque continuam a existir tantas as casas vazias? Porque sai demasiado barato tê-las assim e continua a faltar a coragem para seguir os melhores exemplos e, nos grandes centros urbanos, taxar fortemente os fogos devolutos”. Recorda ainda que são  “4.600 edifícios devolutos (que) põem Lisboa em perigo. Apesar da lei, ao legítimo direito à propriedade parecem continuar a não corresponder nenhuns deveres”. No Atlântico, Henrique Raposo também pergunta quanto valem “as rendas das pessoas dos prédios afectados pelo incêndio, e que agora se queixam muito”. Mas encontro no blog Cinco Dias, num post de Maria João Pires que revisita a memória do incêndio do Chiado, outras interrogações mais profundas, assinadas por Miguel Esteves Cardoso no jornal O Independente:

“Onde será o próximo incêndio? Em que bairro, em que cidade, com que consequências? Uma catástrofe é mais violenta quando se compreende que se poderia prever e que se poderá repetir. Quem viu o Chiado a arder viu também arder, na sua imaginação incrédula, Lisboa inteira. Há um fogo português - fogo da incúria, da incompetência, da incompreensão - que arde sem se ver. Está a arder agora. E continuará a arder mesmo depois de ter sido apagada a última chama nas ruas da Baixa”.

Sábias palavras, tantos anos depois...

publicado por PRD às 19:24
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Estes textos são escritos para serem “falados”, ou “lidos”, pelo que não só têm algumas marca de oralidade (evidentemente, propositadas...) como é meu hábito improvisar um pouco “em cima deles” no momento em que gravo a rubrica. Também é relevante dizer que, dado tratar-se de uma “revista de blog’s” – e uma vez que os blog’s não se preocupam com a oralidade ou com a eventual citação lida dos seus textos -, tomo a liberdade de editar minimamente os textos que selecciono. Faço-o apenas para que, em rádio, não se perca a ideia do blogger pelo facto de escrever frases longas e muito entrecortadas. Da mesma forma, não reproduzo palavrões nem frases pessoalmente ofensivas, assim como evito acusações cuja possibilidade de prova é diminuta ou inexistente. Sendo uma humilde crónica de rádio, tinha ainda assim de ter alguns princípios. São estes. Quem tiver razão de queixa, não hesite!

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