Quinta-feira, 3 de Julho de 2008

"Massacre ao Pôr do Sol"...

 

Foram dois dias seguidos: na terça, Manuela Ferreira Leite na TVI; ontem, José Sócrates na RTP. As ondas de choque propagam-se – e resumindo, diria que o mundo dos blogues chumbou a nova líder do PSD por falta de ideias e projecto. Pedro Marques Lopes resume bem no blog Atlantico: “A falta de discurso da Dra Manuela Ferreira Leite não faz parte de nenhuma estratégia. A verdade é que a Presidente do PSD sabe que se tivesse de dizer o quer que seja sobre a ideia que tem para o país percebíamos logo que nada de substancial a distingue do Eng. Sócrates”. No fim vem rematar: “É preciso alternar para que tudo fique na mesma”. Adolfo Mesquita Nunes, na Arte da Fuga, acha-a “Incapaz de se descolar do seu próprio passado”, e Bruno  Sena Martins no Avatares de um Desejo reduz tudo a uma palavra: “fraquinha”. Houve ainda o caso da discriminação aos homossexuais, mas deixo o tema para outro dia, pois desconfio que ainda vai dar muito que falar.

Ontem foi a vez de Sócrates vir explicar-se à RTP e João Pinto e Castro no 5 Dias nem hesitou, chamou-lhe “Massacre ao Pôr do Sol” e escreveu: “Comparar José Sócrates com Manuela Ferreira Leite é como comparar o Continente com a Feira do Relógio”. Medeiros Ferreira também acha que o primeiro-ministro “esteve bem na pantalha que tão bem conhece, sobretudo perante o vazio de propostas das oposições”. De acordo aliás com Sofia Loureiro dos Santos no Defender o Quadrado. “Safou-se bastante bem. Está em campanha eleitoral, explicou os problemas da crise internacional, soube introduzir as alterações e as benesses que vai distribuir agora. Foi contido, incisivo, pragmático e pragmático”. Bom, tão pragmático que permitiu a Diogo Morais, no blog Câmara de Comuns, ver o futuro: “com Manuela Ferreira Leite e o seu elenco, José Sócrates não vai alterar minimamente a sua linha de rumo de governação”, tanto mais que, escreve ele, a arrogância de que é acusado pela oposição é afinal pura "determinação".

Do lado de quem não gostou da entrevista, destaco Carlos Botelho no Cachimbo de Magritte: “O homem que não entra em "calculismos" e que não perde tempo com "politiquices" deu-se ao trabalho de levar (...) um papel garatujado com as "propostas" do PCP, para as ridicularizar em directo”. Dá razão, portanto, à líder do PSD, quando disse “que este Governo se preocupa mais em fazer oposição à oposição do que em governar”. Laurinda Alves, no blog com o seu nome, sentiu o “desconforto de muitas coisas ditas e omitidas ao longo de uma hora de conversa”. Entre vários exemplos, este: “Sócrates diz que não é calculista e não pensa nas eleições do próximo ano. O Pai Natal existe porque Sócrates acredita, claro”. Laurinda nota ainda algo que encontro noutros comentários em diversos blogs: “Houve uma palavrinha sabiamente evitada ao longo da entrevista. Ninguém proferiu a palavra "desemprego" e se formos a ver bem (...), esta é a palavra-chave do futuro próximo”.

Os blogues são mais de mil, mais de cem mil sei lá quantos são, mas vistas umas dezenas daqueles que diariamente dão o corpo ao manifesto, parece-me que neste caso temos uma vitória de Sócrates sobre Ferreira Leite. Um a zero, diria...

publicado por PRD às 00:56
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2 comentários:
De C. Medina Ribeiro a 7 de Julho de 2008 às 15:14
Nos anos "60", disseram-me que Fidel Castro tinha autorizado que o Granma » (o órgão oficial do PC de Cuba) passasse a publicar críticas ao regime. Com uma única condição: haver SEMPRE uma resposta do Partido, que não prescindia do direito à ÚLTIMA PALAVRA.
Iludir o efeito que essa situação tem (o de poder responder sem se ser contraditado) não é correcto. Nessas condições, até eu, mesmo sonolento, sou capaz de "arrasar" qualquer político de élite...


De Daniela Major a 10 de Julho de 2008 às 11:00
Pedro Rolo Duarte é curioso que diga isso (o último paragrafo), apesar de já ter reparado que grande parte da blogosfera não apoia MFL, as sondagens no meu blogue (que vale o que vale) e a sondagem do "Insurgente" dão mais votos a MFL do que a Sócrates.
Portanto continua a ser uma incógnita.

Parabéns pelo blogue e pelo seu trabalho.


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PRD

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Estes textos são escritos para serem “falados”, ou “lidos”, pelo que não só têm algumas marca de oralidade (evidentemente, propositadas...) como é meu hábito improvisar um pouco “em cima deles” no momento em que gravo a rubrica. Também é relevante dizer que, dado tratar-se de uma “revista de blog’s” – e uma vez que os blog’s não se preocupam com a oralidade ou com a eventual citação lida dos seus textos -, tomo a liberdade de editar minimamente os textos que selecciono. Faço-o apenas para que, em rádio, não se perca a ideia do blogger pelo facto de escrever frases longas e muito entrecortadas. Da mesma forma, não reproduzo palavrões nem frases pessoalmente ofensivas, assim como evito acusações cuja possibilidade de prova é diminuta ou inexistente. Sendo uma humilde crónica de rádio, tinha ainda assim de ter alguns princípios. São estes. Quem tiver razão de queixa, não hesite!

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