Quinta-feira, 19 de Junho de 2008

Mata mata

 

(Coisas que acontecem: escrevi a crónica ignorando que hoje, dado o desafio das 19:45, a programação do rádio é especial. Não vai para o ar, fica por aqui...)

 

Em dia de jogo decisivo, é inevitável voltar ao futebol e vaguear de blog em blog, procurando ideias originais, algumas divertidas, e até uma sugestão para ocupar o lugar de Scolari. Comecemos pela teorização: “Adoro futebol! Temos que ser campeões da Europa e quero ver a Académica no Jamor!”, escreve Gonçalo Capitão no Ainda Há Lodo no Cais, depois de um longo texto que começa assim: “Tentar pensar sobre futebol é um exercício que convoca Dali, Ernst, Bresson, Miró e outros artistas para o plantel, dado o surrealismo do exercício”. E depois da tirada para impressionar, vai disto:

“Vinte e dois tipos atrás de uma bola e a malta à espera de alguém que a meta entre três cilindros de ferro. Jogadores que passam mais moda do que bolas e cujo cabelo envergonha, por manifesta modéstia, a minha árvore de Natal. Uma equipa de quatro sujeitos que, decida o que decidir, recebe honras vitalícias da ordem da gatunagem.

E milhares de pessoas a pagar muitos euros por noventa minutos de duração de uma espécie de espectáculo e metade de jogo realmente jogado”. “O futebol, conclui Gonçalo, não faz muito sentido… Mas eu adoro futebol!”.

É um pouco assim que vivemos estes dias, entre o delírio e alguma dose de loucura. Francisco José Viegas, na Origem das Espécies, repara noutras coisas que não se entendem: “Uma horda de jornalistas repete até à exaustão que «hoje é o dia do mata-mata». Desde há uma semana que «hoje é o dia do mata-mata» porque já estava escrito que podíamos perder com a Suíça, e perdemos, e mesmo assim «hoje seria o dia do mata-mata». Nunca mais acaba o suplício. Matem lá”.

Enquanto matam a não matam, Scolari vai fazendo as delicias dos comentadores. Mas agora que o mister abandona a nossa selecção, CMC no blog Câmara de Comuns descobre um potencial sucessor: Guus Hiddink, o actual treinados da selecção russa. Depois do jogo com a Suécia, o blogger não tem duvidas: “Com as suas capacidades e nós com a matéria-prima que temos, bem poderíamos surgir na África do Sul, em 2010, como a selecção mundial em melhores condições para arrebatar o troféu”.

Fica a sugestão, caminho para o final e volto-me para elas, para as mulheres, e para o humor que muitas vezes revela. Escreve Cristina no Geração Rasca: “Um golo de bola parada é etimologicamete um paradoxo. O golo implica a passagem da bola para lá da linha de golo, ou seja implica movimento, portanto, ficamos assim com uma espécie de movimento parado... que é uma incongruência!”. E por fim o anuncio publicado no blog

Nem todas as Gatas são Parvas e assinado por Gata Funha. Pede um Free-lancer e diz assim:

“Grupo de trabalho dinâmico precisa urgente um Lateral.
Condições de trabalho:
- Viagens ao estrangeiro mais ou menos frequentes
- Trabalho ao ar livre com utilização de farda casual
- Competições internacionais de 2 em 2 anos
- Remuneração à 1h30 de trabalho
- Patrão estrangeiro, mas que fala português
- Interacção com todo o grupo de trabalho
Preferências:
- Dá-se preferência a Laterais esquerdos
- Obrigatória a Nacionalidade portuguesa
- Pode ser brasileiro
- Nunca tente imitar Paulo Ferreira
Procedimento de candidatura:
- Apanhar o próximo voo para Basileia”.

E agora venham os alemães...
publicado por PRD às 17:55
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PRD

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Estes textos são escritos para serem “falados”, ou “lidos”, pelo que não só têm algumas marca de oralidade (evidentemente, propositadas...) como é meu hábito improvisar um pouco “em cima deles” no momento em que gravo a rubrica. Também é relevante dizer que, dado tratar-se de uma “revista de blog’s” – e uma vez que os blog’s não se preocupam com a oralidade ou com a eventual citação lida dos seus textos -, tomo a liberdade de editar minimamente os textos que selecciono. Faço-o apenas para que, em rádio, não se perca a ideia do blogger pelo facto de escrever frases longas e muito entrecortadas. Da mesma forma, não reproduzo palavrões nem frases pessoalmente ofensivas, assim como evito acusações cuja possibilidade de prova é diminuta ou inexistente. Sendo uma humilde crónica de rádio, tinha ainda assim de ter alguns princípios. São estes. Quem tiver razão de queixa, não hesite!

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