Quarta-feira, 7 de Maio de 2008

Alípio & Almeida

Eis uma história com desfecho anunciado: Alípio Ribeiro, director da Policia Judiciária, dá uma entrevista ao "Diário Económico", na qual defende a saída da PJ do Ministério da Justiça e a sua consequente passagem para a Administração Interna ou para um ministério a formar. Bom, dessa opinião só podia resultar a demissão, e lá veio ao final da tarde de ontem o Ministro Alberto Costa anunciar o nome de Almeida Rodrigues como novo director da Judiciária.
No blog Atlântico Henrique Burnay deixa a pergunta que se impõe: “Alípio Ribeiro já pensava assim quando foi nomeado e nada disse ao Ministro da Justiça, ou disse e o Ministro da Justiça então achou irrelevante a opinião? Parece um detalhe, mas não é. Nada, mesmo”.

No mesmo sentido vai André Azevedo Alves no Insurgente, dizendo que “importaria explicar melhor não só o processo que levou à demissão como também - e especialmente - o anterior processo de escolha e nomeação de Alípio Ribeiro para o cargo”. Não admira, portanto, que Jorge Ferreira, no blog Tomar Partido, afirme que “Um dos cargos mais supersónicos da República é o de Director da Polícia Judiciária”.
No blog Anónimo, Coutinho Ribeiro vai mais longe: “acho que tenho o direito a ser esclarecido” sobre estas constantes mudanças na PJ.
No blog anónimo Policiadas, que se percebe ser escrito por agentes da autoridade, diz-se que Alípio Ribeiro “teve todas as oportunidades de se demitir. (...) Deu todas as oportunidades ao Governo para o demitir. Mas nunca aconteceu. (...) Ele andava à procura. Finalmente encontrou: após a aprovação da nova lei orgânica da PJ, em que o mesmo obviamente participou, o primeiro comentário que faz à mesma é dizer que a PJ afinal deveria mudar de Ministério. Já dizia o outro: «calado és um poeta!».”
Um blog bem informado de Coimbra, “Sexo e a Cidade”, aplaude a mudança: “Alípio Ribeiro conseguiu guia de marcha para regressar a casa. Para o seu lugar (...) vai o nosso conhecido  Inspector Almeida Rodrigues. Um homem da casa”. Nem por acaso, no Mais Actual Rui Costa Pinto diz que “Almeida Rodrigues é vitória dos inspectores” e escreve: “Ao nomear um director nacional da PJ respeitado pelos investigadores criminais, o governo teve de ceder para comprar a paz na instituição, ainda que já possa ser tarde. (...) Pode ser, se houver trabalho, seriedade e resultados, um golpe na tentativa de liquidar operacionalmente a principal polícia de investigação criminal em nome de um qualquer eventual projecto aventureiro. É que nem um governo de maioria conseguiria resistir a mais uma demissão na PJ até 2009”.
É possível, para fechar a ronda, dar a volta ao texto – e com ironia, João Pedro Henriques, no Gloria Fácil, dá mesmo: “Raciocínio tipicamente santanista: O Governo inventou uma remodelação na PJ para abafar o impacto mediático da apresentação da candidatura de Pedro Santana Lopes à liderança do PSD. Só pode ser”. Pronto, tudo explicado, a PJ soma e segue.

publicado por PRD às 18:48
link do post | comentar
2 comentários:
De umbreveolhar a 7 de Maio de 2008 às 22:25
Li e gostei do que li. Os meus parabéns.
Vou visitar com regularidade o seu blog e espero que isso seja recíproco, deixando os respectivos comentários, pois é a chama da Blogosfera e um dos motivos para que ela serve!
Escrevendo e fazer amigos!

Espero a sua visita. Obrigado.
Carlos Alberto Borges


De PALAVROSSAVRVS REX a 8 de Maio de 2008 às 16:56
Vale a pena ler a tua blogorrevista. Por causa de ela quase que prescindo de visitar eu mesmo as respectivas páginas.

PALAVROSSAVRVS REX


Comentar post

PRD

Pesquisar blog

 
Estes textos são escritos para serem “falados”, ou “lidos”, pelo que não só têm algumas marca de oralidade (evidentemente, propositadas...) como é meu hábito improvisar um pouco “em cima deles” no momento em que gravo a rubrica. Também é relevante dizer que, dado tratar-se de uma “revista de blog’s” – e uma vez que os blog’s não se preocupam com a oralidade ou com a eventual citação lida dos seus textos -, tomo a liberdade de editar minimamente os textos que selecciono. Faço-o apenas para que, em rádio, não se perca a ideia do blogger pelo facto de escrever frases longas e muito entrecortadas. Da mesma forma, não reproduzo palavrões nem frases pessoalmente ofensivas, assim como evito acusações cuja possibilidade de prova é diminuta ou inexistente. Sendo uma humilde crónica de rádio, tinha ainda assim de ter alguns princípios. São estes. Quem tiver razão de queixa, não hesite!

Textos recentes

...

Blog da Semana: As Penas ...

Outra vez o casamento ent...

Em dia

Lhasa de Sela

O ritual de Cavaco

2010

Blog do Ano 2009: O Alfai...

O ano 2009 - II

O ano 2009 - I

Arquivos

Outubro 2011

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

favorito

Leituras de sábado

Declaração de voto

Seis anos já cá cantam.

Na melhor revolução cai a...

Subscrever feeds