Terça-feira, 6 de Maio de 2008

O preço da comida

Aumento do preço dos produtos alimentares, aumento da pobreza, potencial de fome no Mundo – de repente acordámos para o pesadelo ou, como escreve Miguel Botelho Moniz no blog O Insurgente, noticias do “fim dos tempos”. Que lhe merecem este comentário ou talvez aviso: “As décadas vão passando, o peso do estado vai aumentado e vão subindo de tom as queixas sobre aumentos das diferenças entre ricos e pobres, ou da dimensão das “bolsas” de pobreza. A conclusão, evidente, de que algo está errado no modelo do estado social nunca é atingida. As receitas passam sempre por mais intervenção, mais estado e menos escolha individual”.
Do estado, ou da falta dele, acaba por falar Vítor Dias no blog “O Tempo das Cerejas”: “Perante isto, escreve ele, e isto são os aumentos dos preços, quando for divulgada a próxima taxa oficial de inflação mensal, só restam aos portugueses duas alternativas :
ou rir ou chorar”.
Do estado fala também João Rodrigues, no blog Ladrão de bicicletas: “é sempre bom relembrar que os países mais bem sucedidos no combate à pobreza (...) são países com Estados fortes e políticas económicas e sociais bem afinadas”.

Miguel Castelo Branco, no Combustões, recupera uma manchete do DN, “os portugueses estão a comprar menos pão e menos leite”, e junta os preços ao estado da nação: “Os portugueses estão a comprar menos de tudo e regressam, plácida e envergonhadamente, àquela pobreza austera e resignada que caracteriza as sociedades sem futuro”. E depois lembra que este Portugal que vê lhe parece outro que já viu no passado. No Blasfémias, LR prefere o pragmatismo das soluções e apresenta cinco ideias: “Extinguir a PAC e os subsídios à agricultura americana; Extinguir os subsídios públicos aos biocombustíveis; Acabar com as restrições aos organismos geneticamente modificados; Abrir por completo os mercados do ocidente aos produtos agrícolas do 3º Mundo; Abertura completa dos países do 3º Mundo ao investimento estrangeiro. (...)
Em pouco tempo, afirma, a oferta de produtos agrícolas multiplicar-se-ia, os preços baixariam e milhões de pessoas deixariam de morrer à fome”.
No “Jumento”, é o pessimismo quem mais ordena: “Para a crise internacional não há solução à vista em termos imediatos, o aumento da produção de cereais não se consegue de um dia para o outro. A solução do problema nacional deve ser encontrada no quadro da Política Agrícola Comum”
Quadro negro, portanto: “Com o aumento da população mundial e a melhoria das condições de vida nas economias emergentes a procura de alimentos crescerá a um ritmo superior à oferta. Dado que o aumento das terras aráveis é lento (1% ao ano) bem como o aumento da produtividade (1% ao ano), as instituições internacionais terão que investir em soluções que evitem uma crise alimentar muito grave a médio prazo”.
No Prós e Contras de ontem ouvi várias vezes a palavra pânico, no mundo dos blogs a preocupação com o fim da comida barata, como se diz por aí, veio para ficar.

publicado por PRD às 18:24
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1 comentário:
De PALAVROSSAVRVS REX a 7 de Maio de 2008 às 17:30
A ganância que é a explicação de fundo para os efeitos presentes de excessos especulativos conduzirá a uma consciência dos riscos de colapso geral que com ela ao leme se correm.

A própra ganância, que tudo rege, refrear-se-á, tomará novos limites porque não vale a pena ganhar rios de dinheiro e ver o mundo à volta a precipitar-se no abismo ou o recrudescimento da criminalidade e da violência como saída para a fome vir bater à porta e à bolsa impudica dos que sempre viveram pela Lei da Cupidez.

PALAVROSSAVRSVS REX


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