Segunda-feira, 5 de Maio de 2008

O sexo "errado"

Amanhã, terça-feira, o Instituto de Ciências Sociais apresenta os resultados do inquérito Saúde e Sexualidade, que abrange um generoso numero de questões ligadas ao entendimento dos portugueses sobre o mundo do sexo. O jornal Público antecipou alguns dos resultados do estudo no sábado e a manchete do jornal não deixava dúvidas quanto à polémica: “cerca de 70 por cento dos portugueses consideram erradas as relações sexuais entre dois adultos do mesmo sexo”.
Eduardo Pita, no blog da Literatura, resume os números sobre a matéria dizendo: “o estudo demonstra que o alto índice da homofobia declarada convive pacificamente com idêntico índice de bissexualidade assumida. Nada de novo”. Mas ele descobre algo mais no inquérito: “O que me deixa perplexo é o teor de certas perguntas. Por exemplo, saber se as relações entre pessoas do mesmo sexo são [a] totalmente erradas, [b] a maior parte das vezes erradas, [c] algumas vezes erradas ou [d] raramente erradas. (...) Não percebo como a questão possa ser matizada em fracções de grau. Ou se considera errado, ou não errado. O que significa “a maior parte das vezes”? Depende da hora? Quem fica de fora da maior parte? Ou “algumas vezes”? (...) Este tipo de nuance pode facilitar as respostas, mas deita por terra o pretenso rigor de qualquer estudo”. Bernardo, no blog Suspensão do Juízo, concorda: “Definir a aceitação da homossexualidade pelo seu grau de erro é, evidentemente, ridículo”.
A critica é pertinente, mas outros bloggers preferiram observar mesmo os resultados. Com graça, Pedro Vieira, no blog Irmã Lúcia, diz sobre relações entre adultos do mesmo sexo: “Caros compatriotas, peço-vos que reconsiderem a intolerância. Lembrem-se que destas relações nunca sairá um Menezes ou um Santana”.
No Portugal dos Pequeninos, João Gonçalves: “Tipicamente em relação à sexualidade, toda a gente mente com mais dentes. (...) Ninguém - mesmo muitos dos mentirosos que responderam ao inquérito - deixa de fazer o que lhe der na gana por "afirmar" isto ou aquilo ou por a religião "mandar" não fazer isto ou aquilo. Gore Vidal escreveu que "a maior parte das pessoas é uma mistura de impulsos, quando não de práticas, e aquilo que cada um faz com um parceiro voluntário não tem a menor relevância social ou cósmica." A sexualidade não se exibe nem se "declara". Isso deve ficar para os "machos latinos" e para a "maricagem" associativa”.
Num sentido diferente vai Duarte Branquinho, no Jantar das Quartas, ao notar que “uma das autoras (do estudo), utilizando o jargão dos sociólogos bem-pensantes, não hesita em afirmar que "Portugal ainda é um país homofóbico". "Ainda"... porque com certeza os "donos da verdade" estão a trabalhar para mudá-lo. (...) Não se preocupem, logo teremos o excepcional (des)governo a "tratar" disto. Aí virão os casamentos homossexuais, o direito destes à adopção, etc. E tudo perante a passividade, quando não cumplicidade, das direitas curvas”.
Fala-se de sexo, fala-se de homossexualidade, e abrem-se as polémicas de toda a ordem. No fim de semana, a noticia de jornal lançou a primeira pedra. Esperem por amanhã e verão o resto...

publicado por PRD às 18:43
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