Segunda-feira, 31 de Março de 2008

Vídeo & realidade

O mundo virtual da Internet tem destas coisas: aparece um vídeo no You Tube, dado que as imagens são chocantes a televisão pega nelas, o país acorda e de repente está tudo em pé de guerra com a geração mais rasca de todas.

Mas depois as coisas podem mudar.
Vou citar um post de Francisco José Viegas, ontem, no blog “Origem das Espécies”:

“Ponto final. Ponto final mesmo. Como estive fora uns dias não reparei neste fragmento de uma notícia do Público e do Correio da Manhã: «Numa das reuniões do conselho executivo, a professora Adozinda Cruz confirmou que autorizou os alunos a manterem os telemóveis ligados, permitindo-lhes que ouvissem música. Patrícia terá extravasado a ordem atendendo uma chamada da mãe.»
“O que isto significa?”, pergunta o Francisco, e responde: “Que estão bons uns para os outros. Ponto final. Uma pessoa vê as notícias, lê os relatos e ouve testemunhas; forma uma opinião, não só porque a opinião é barata mas porque tem de ter opinião ou então não vale a pena andar por cá. E de repente, faz-se luz: estão bem uns para os outros. Bom proveito e, como diz o João Gonçalves, parabéns à prima. Vão pentear macacos”.

Ora bem: afinal, o vídeo que chocou Portugal tinha uma pequena história por trás que, não retirando carga à atitude da aluna, ainda assim torna o cenário bem diferente. É sobre isso, aliás, que no blog escrevem os comentadores do Francisco:
Júlia Martins, professora, escreve: “A quem passará pela cabeça confiscar um telemóvel, depois de ter autorizado a sua utilização em sala de aula (...)? Perdoe-me a frase feita: nesta como noutras situações, mais eficaz do que o combate é a prevenção. Definir e fazer cumprir regras com rigor e sensatez é o melhor caminho para o sucesso educativo e (...) para a formação integral dos alunos”
Outro leitor, JC Maia, confessa que também ficou “de boca aberta”, e JC Catarino confirma o que suspeitara: “Desconfiei desde o início de gato escondido. É que 32 anos de ensino e muitos Conselhos de Turma Disciplinar que tive de gramar (...) convenceram-me de que a culpa está quase sempre repartida pelos dois lados, embora normalmente apenas um seja punido”.
Ora, o que resulta deste episódio é já um clássico no mundo da Internet e agora muito ampliado pela existência de blogs: é muito fácil comentar o óbvio. Difícil é esperar que se percebam as imagens para que os comentários façam sentido.
Ana Maria Bettencourt no blog Inquietações Pedagógicas, escrevia este fim de semana que “Quase todos – partidos, sindicatos, opinion makers - tentaram encontrar “culpados”. (... Mas...) Mais do que encontrar culpados para a cena visionada pelo país (...) há que tentar compreender as circunstâncias que a tornaram possível e criar condições para que cenas como esta não se reproduzam”.
Em face do que se sabe agora, prevenir neste caso seria fácil: não ceder, não facilitar. Mas agora é tarde para dar palpites depois de tanta tinta pelos vistos mal gasta...

publicado por PRD às 19:17
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3 comentários:
De herewithme a 31 de Março de 2008 às 20:18
Ola ola...
Estou a passear pela blogoesfera para promover os meus cantinhos, e claro tinha que vir aqui...
Espero receber a tua visita em:
http://herewithme.blogs.sapo.pt
http://fadedline.blogs.sapo.pt
ou
http://projectoparanoia.blogs.sapo.pt

Passei antes de mais para te felicitar pelo destaque, pelo que andei a ver foi sem duvida mais que merecido...


De ansiosa a 31 de Março de 2008 às 20:31
a ansiedade a falta de amor poderá estar na origem de tudo.
Era importante ,penso eu, ler o artigo "Amar...amar sempre". em http://naosabiaqueexistiagenteassim.blogspot.com
Abraço
Ansiosa


De Fernando Jorge Semedo da Costa a 1 de Abril de 2008 às 00:29

Aproveito para dar os parabéns pelo trabalho na Antena 1 no programa janela indiscreta.

Informo o endereço do blog orientovar da autoria de Joaquim Margarido, que através de uma escrita poética, narra os acontecimentos de Norte Alentejano "O" Meeting 2008 que decorreu em Castelo de Vide em 08 e 09 de Março.
http://www orientovar .blogspot.com/
especial atenção para as crónicas nºIV e VI do NAOM2008 . Através destas duas crónicas, Margarido conta o nascimento de Póvoa e Meadas através das palavras de uma Pedra e sobre Castelo de Vide através de um sonho (Pesadelo) de um orientista.

Vale mesmo a pena ler.

Um grande Abraço

Fernando Costa


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Estes textos são escritos para serem “falados”, ou “lidos”, pelo que não só têm algumas marca de oralidade (evidentemente, propositadas...) como é meu hábito improvisar um pouco “em cima deles” no momento em que gravo a rubrica. Também é relevante dizer que, dado tratar-se de uma “revista de blog’s” – e uma vez que os blog’s não se preocupam com a oralidade ou com a eventual citação lida dos seus textos -, tomo a liberdade de editar minimamente os textos que selecciono. Faço-o apenas para que, em rádio, não se perca a ideia do blogger pelo facto de escrever frases longas e muito entrecortadas. Da mesma forma, não reproduzo palavrões nem frases pessoalmente ofensivas, assim como evito acusações cuja possibilidade de prova é diminuta ou inexistente. Sendo uma humilde crónica de rádio, tinha ainda assim de ter alguns princípios. São estes. Quem tiver razão de queixa, não hesite!

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