Segunda-feira, 24 de Março de 2008

Vídeo... vigilantes

Não houve Páscoa que amainasse o debate na blogoesfera sobre o vídeo do telemóvel. Não encontrei alguém que defendesse a aluna ou a indescritível cena, mas nas causas e consequências do episódio há ideias muito diferentes. Decidi fazer um caminho de zigue-zague pelas divergências entre autores...
Francisco José Viegas, na Origem das espécies, acha que “Tirar conclusões sobre o sistema de ensino a propósito” do caso “é, manifestamente, exorbitar”.
Mas um professor, Miguel Pinto, no blog Outro olhar, vê aqui exemplo: “Esta Escola está esgotada. (...) O episódio da Carolina Michaelis, como os milhares de episódios mais ou menos semelhantes (...), são expressões de um desajustamento da organização escolar”.

Rui Bebiano, pelo seu lado, no blog Terceira Noite, sentiu mudanças nos últimos anos nas salas de aula: “Começaram a chegar às escolas superiores estudantes com uma quase nula formação cívica (...). E, pela primeira vez, eu e muitos colegas (...) começámos a ter problemas: alunos que conversam sistematicamente (...), que chegam atrasados todos os dias, que entram e saem sem uma palavra, que não desligam o telemóvel, que se dirigem ao professor de forma impertinente”. Ou seja, parece que o problema vai crescendo e subindo na escala.
Talvez por isso, Miguel Abrantes, no blog Câmara Corporativa, prefira também comparar passado com presente para dizer que no seu tempo “os professores “sem pulso” não se punham a medir forças com os alunos. Chamavam o auxiliar administrativo — ou o responsável da escola. É por estas e por outras, defende, que o modelo de gestão das escolas tem de ser alterado. A direcção das escolas tem de ser confiado a alguém que tenha força para se impor”.

João Gonçalves, no Portugal dos Pequeninos, é mais terra a terra:

“Devia ser proibido (...) assistir a aulas com telemóveis ligados. Ao primeiro toque, o telemóvel deveria voar pela janela e o seu proprietário ser posto na rua. Depois, como no caso visionado, o energúmeno levaria duas competentes bofetadas no focinho só podendo sair da sala com elas bem dadas. Finalmente, e caso tivesse pais ou gente "responsável" pela sua educação, estes seriam informados da expulsão do estúpido monstro ou, no mínimo, da sua suspensão. (...) Os professores representam a autoridade e a disciplina dentro da sala de aula. (...) Os portugueses não pagam impostos para assistirem bovinamente a cenas destas. O lugar da canalha não é na escola”
Parecendo que lhe responde, José Luiz Sarmento, no blog As minhas leituras, escreve: “Se esta professora falhou, falhou com mérito. Se na escola de hoje a doçura é vício e a dureza virtude, então o falhanço é honroso e o «sucesso» que nos exigem é vergonha”.
Mantendo o zigue-zague, leio o politicamente incorrecto Tomás Vasques no Hoje há conquilhas recordar as formas pouco ortodoxas de que se revestem as manifestações dos professores contra o Governo e escreve: “Os alunos sabem de tudo (...) e comentam entre eles. O respeito e a autoridade não são servidos de bandeja, conquistam-se. Quem não se dá ao respeito, dificilmente será respeitado”.
E poderia continuar, pois tinha aqui no desktop qualquer coisa como 25 mil caracteres de textos sobre o caso do telemóvel. Sempre neste tom: uns a pensarmos no sistema de ensino, outros nos professores, outros nos filhos que andamos a educar. Ou a não educar, pois claro. Conclusões, cada um tira a sua – todos só podemos tirar uma: há qualquer coisa que é preciso mudar. E depressa.

publicado por PRD às 19:03
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3 comentários:
De Cristina a 25 de Março de 2008 às 12:32
Caro Pedro, gostava de lhe endereçar os meus parabéns pelo programa e pelo respectivo blog. Sigo o blog desde o primeiro dia... o programa, confesso, que nem tanto.

Quanto a este tema... confesso que sou radical ao ponto de concordar com o João Gonçalves, embora com salpicos de Tomás Vasques. O processo educativo começa em casa... como se comportará esta jovem junto da família??

Nos meus tempos de estudante, bastava o professor levantar o sobrolho, para nos metermos em sentido e (quase) bater a continência... e os meus tempos de estudante não terminaram assim há tanto tempo!

Cumprimentos
Cristina Duarte


De santosconceição a 2 de Abril de 2008 às 14:31
pois assunto esgotado até ao limite da exaustão,o que se me aprova dizer é tão simples como :esteve mal a aluna;esteve mal a professora. -a aluna como sabemos a adolescência é tida como sendo aquela faze em que se desafia tudo e todos e foi isto que ela fez.
a professora porque prolongou e até dispotou o protogonismo da cena,que nem sequer devia ter começado se da parte da professora tivesse havido
pulso firme;em ultima análise abandonando ela a sala e recusar-se a dar a aula naquelas circunstâncias.
ah a turma que encontrou ali um modo de matar o tempo e estravasar a sua rebeldia.haja bom senso e concideremos o caso como sanado.os alunos têm que desligar os telemóveis,os professores têm que saber impor as regras para o bom funcionamento das mesmas. ah os encarregados de educação têm que estar atentos a este tipo de comportamentos dos filhotes e por favor não faltem a nenhuma reunião marcada pelos respectivos directores de turma.
cumprimentos
maria conceiçao santos


De santosconceição a 2 de Abril de 2008 às 14:33
pois assunto esgotado até ao limite da exaustão,o que se me aprova dizer é tão simples como :esteve mal a aluna;esteve mal a professora. -a aluna como sabemos a adolescência é tida como sendo aquela fase em que se desafia tudo e todos e foi isto que ela fez.
a professora porque prolongou e até dispotou o protogonismo da cena,que nem sequer devia ter começado se da parte da professora tivesse havido
pulso firme;em ultima análise abandonando ela a sala e recusar-se a dar a aula naquelas circunstâncias.
ah a turma que encontrou ali um modo de matar o tempo e estravasar a sua rebeldia.haja bom senso e concideremos o caso como sanado.os alunos têm que desligar os telemóveis,os professores têm que saber impor as regras para o bom funcionamento das mesmas. ah os encarregados de educação têm que estar atentos a este tipo de comportamentos dos filhotes e por favor não faltem a nenhuma reunião marcada pelos respectivos directores de turma.
cumprimentos
maria conceiçao santos


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Estes textos são escritos para serem “falados”, ou “lidos”, pelo que não só têm algumas marca de oralidade (evidentemente, propositadas...) como é meu hábito improvisar um pouco “em cima deles” no momento em que gravo a rubrica. Também é relevante dizer que, dado tratar-se de uma “revista de blog’s” – e uma vez que os blog’s não se preocupam com a oralidade ou com a eventual citação lida dos seus textos -, tomo a liberdade de editar minimamente os textos que selecciono. Faço-o apenas para que, em rádio, não se perca a ideia do blogger pelo facto de escrever frases longas e muito entrecortadas. Da mesma forma, não reproduzo palavrões nem frases pessoalmente ofensivas, assim como evito acusações cuja possibilidade de prova é diminuta ou inexistente. Sendo uma humilde crónica de rádio, tinha ainda assim de ter alguns princípios. São estes. Quem tiver razão de queixa, não hesite!

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