Já se sabe que os partidos políticos são o bombo da festa do debate politico na blogoesfera – mas o PSD tem estado mais na berlinda do que os outros. Por razões de fundo. Já com alguns dias, encontro uma análise muito interessante e que dá que pensar de João Pinto e Castro no Blogexisto. É algo que começa a sentir-se na blogoesfera e que passa pela ideia de um novo partido saído do descontentamento actual do PSD. Para começar, a pergunta que abre o texto:
“Que espera o PSD para sair do PSD?”
E a seguir: “A cena da apresentação do novo logo, com Menezes a comparar-se a Obama, deve ter dissipado as dúvidas a quem ainda as alimentasse: o homem tem um parafuso a menos. Sucede, porém, que o controlo que está a criar sobre o partido tornará muito difícil, senão impossível, a sua remoção (...). Estou consciente de que as declarações de preocupação de alguns dirigentes do PS acerca do estado a que chegou o PSD não passam de hipocrisia mal embrulhada num simulacro de sentido de Estado (...). Mas é um facto que em democracias formais como o México, o Japão e a Índia a supremacia de um só partido permitiu a sua perpetuação no poder por meio século ou mais. O mesmo pode vir a suceder em Portugal (...). Que esperam aqueles que, dentro do PSD, se escandalizam com o actual estado de coisas, para tomarem a iniciativa? (...) O caminho da criação de um novo partido parece cada vez mais inevitável, e este é capaz de ser o momento ideal. É claro que as próximas eleições estão perdidas. Mas o prestígio (...) de que os dissidentes (...) desfrutam na opinião pública deverá assegurar ao novo partido uma votação entre os 12 e os 15%, valor mais que suficiente para (...) prepararem uma candidatura com legítimas pretensões no horizonte de 2013. Cheira-me que é agora ou nunca”
Noutro patamar, Ana de Amsterdam acha que a guerra já começou, ou seja, a hora das decisões terá chegado. Escreve: “A guerra foi declarada. É melhor assim. É preferível a guerra aberta às guerrilhas partidárias que se fazem em surdina, por corredores e bastidores, manipulando este e aquele, congregando esforços, pedinchando apoios. (...) Nada poderia ser pior para o PSD do que continuar a viver num clima de paz podre em que a mediocridade do líder, e dos seus cães de fila, se desculpa, a cada disparate, pelo facto de ter sido legitimamente eleito”
Ora, enquanto isto sucede José Medeiros Ferreira nota no seu blogue que “Primeiro foi Freitas do Amaral, depois José Miguel Júdice e Maria José Nogueira Pinto.Agora chegou a vez de Proença de Carvalho prestar vassalagem a José Sócrates. E ainda se admiram que a direita esteja em crise...”
Crise, não senhor: a direita está à beira de uma mudança. Um novo partido? Uma revolução no PSD? Alguma coisa vai acontecer – e se a blogoesfera constitui uma montra de tendências futuras, parece óbvio que vem aí um novo partido Ou melhor: um PSD que sairá do PSD.