Terça-feira, 4 de Março de 2008

Sinais dos tempos

Policia e governo dizem que são fenómenos pontuais e não se pode generalizar, mas a verdade é que soam as campainhas de alarme com a espiral de violência que anda por aí. Os reflexos dos acontecimentos dos últimos dias já andam, claro, na blogoesfera, com João Gonçalves, no Portugal dos Pequeninos, a notar que “cada vez que um agente vem à televisão falar em "policiamento de proximidade", alguém continua a puxar impunemente da pistola”, e com Francisco José Viegas, no blog Origem das Espécies, a sublinhar: “A ideia de que Portugal era um paraíso com melros a cantar nas oliveiras já se foi. Resta pouco desse retrato. Tenham cuidado”.
Eduardo Saraiva, no blog Andarilho, estranha o silêncio dos políticos, nomeadamente de José Sócrates, e acha que “há momentos que o melhor é fazer como o diabo..."fugir da cruz", neste caso, fugir da comunicação social”. Talvez tenha razão José, no blog Grande Loja do Queijo Limiano, quando interpreta as reacções das autoridades na seguinte sequência: “A situação, sendo grave, não será desesperada. Ou sendo desesperançada, não é exasperante. É apenas incómoda, para quem tem o poder e o dever de lhe por cobro”.
Guardo para o final uma reflexão mais profunda, porventura com reflexos a prazo, certamente algo em que vale a pena pensar. Encontrei no blog Combustões, anónimo, e diz assim:

“É consabido o facto da violência e o crime organizado florescerem em sociedades empobrecidas. O colapso do Estado, da ordem e da lei (...) determinará a prazo, como sempre, a dilemática escolha entre menos liberdade e mais segurança ou a aceitação da violência como dado corriqueiro de uma democracia latina, irresponsável e exposta às investidas de associações criminosas. Estamos a colher, maduros, os frutos de décadas de uma anti-cultura cívica que instilou nos portugueses a falsa ideia que Lei, Ordem e Autoridade são sinónimos de repressão, ditadura e privação de liberdade. Nada mais errado, pois a democracia não vive sem paz nas ruas. Quando morre a segurança e os cidadãos se enchem de medos, não confiam nos tribunais nem nas forças da ordem, nem no governo e nos valores em que assenta o Estado de Direito, está aberto o caminho para a aceitação de regimes de força. Entre nós, sempre oscilando entre regimes da bagunça e regimes do porrete, a escolha acontecerá mais cedo do que pensamos”.

Sábias palavras, parece-me...

publicado por PRD às 23:22
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1 comentário:
De joão melo a 5 de Março de 2008 às 12:53
caro pedro , primeiro que tudo obrigado pelo destaque que deu ao andarilho.
permita-me 1 correcção.o combustões não é anónimo . é assinado por Miguel Castelo Branco.

abraço


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Estes textos são escritos para serem “falados”, ou “lidos”, pelo que não só têm algumas marca de oralidade (evidentemente, propositadas...) como é meu hábito improvisar um pouco “em cima deles” no momento em que gravo a rubrica. Também é relevante dizer que, dado tratar-se de uma “revista de blog’s” – e uma vez que os blog’s não se preocupam com a oralidade ou com a eventual citação lida dos seus textos -, tomo a liberdade de editar minimamente os textos que selecciono. Faço-o apenas para que, em rádio, não se perca a ideia do blogger pelo facto de escrever frases longas e muito entrecortadas. Da mesma forma, não reproduzo palavrões nem frases pessoalmente ofensivas, assim como evito acusações cuja possibilidade de prova é diminuta ou inexistente. Sendo uma humilde crónica de rádio, tinha ainda assim de ter alguns princípios. São estes. Quem tiver razão de queixa, não hesite!

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