Segunda-feira, 3 de Março de 2008

O derby

O derby acabou empatado, mas na blogoesfera nem por isso.
Começo por Fernando Venâncio no blog Aspirina B que começa o dia recordando notavelmente “Um infindável Sporting-Benfica na minha vida”: “Teria eu sete, no máximo oito anos. E era um sábado (...), esse em que a minha mãe regressou a casa com um enorme embrulho. Nós éramos pobres, sem sermos miseráveis (...), e um embrulho assim não era visão comum. (...) Aberto o embrulho, ali em cima da cama dos meus pais, vem o meu espanto, vem a minha fúria. O retalho era verde. Verde. Dum verde leve, quase alegre. Poderia eu perdoar aquilo à minha mãe? Eu era (...) do Benfica. Não pelo Benfica, que não me interessava nem um niquinhas, mas pela razão mais simples e devastadora: o meu pai era (...) um sportinguista. Eu era um Édipo em calções. A partir daqui, estou filmando um miúdo de sete, oito anos no máximo, nuns calções efectivamente muito curtos, que sai do quarto, vai desencantar algures uma tesoura, das grandes, das de costurar, e que volta ao quarto, agarra no tecido e faz nele um valente rasgão. Ouço, e gravo, gritos, duma mãe, duma maninha mais nova, dumas tias, dumas vagas primas. Volto a ver, e a filmar, correrias, desvairos. (...) Dias depois, o rasgão há-de ficar resolvido, elegantemente camuflado como bolso. Mas a vergonha, essa que ninguém jamais conseguiu filmar, (...) continua a projectar-se. No escuro, no vazio. Até hoje”.
Pérolas destas, pois, encontram-se na blogoesfera para ler na íntegra. Mas agora vamos mesmo ao jogo,
No Arrastão Daniel Oliveira gritou bem cedo pelo Sporting sob o titulo “Venha a vitória”. Quando lá voltei depois do jogo só havia uma frase: “Obrigadinho por nada!”
Tomás Vasques, no Hoje Há Conquilhas, seco também: “O Sporting ganhou, hoje, em Alvalade, um precioso ponto na luta pelo 4º Lugar”.
No Mar Salgado, Filipe Nunes Vicente, benfiquista, diz que “Cardozo fez hoje o seu melhor jogo em Portugal. Fez o que sabe - lutou, rematou, tabelou - e foi incapaz de contrariar os genes: ser malicioso, veloz e consistente. Nada mau se tivéssemos pago apenas meio jogador”. E remata o seu comentário de forma muito pouco ou nada facciosa: “O Benfica-Sporting é o derby. Que interessa se em primeiro lugar está o Porto, o Boavista ou o Passarinhos da Ribeira? Nada”.
Já Miguel Marujo, no Cibertertulia, preferiu o seu jogo pessoal: “Ontem, nos matrecos, escreve ele, o resultado foi bem mais emotivo, e as claques não estragaram a festa”.

Agora uma vista de olhos aos fanáticos militantes...
Rui Oliveira, no blog Superflumina: “Como portista não posso estar mais satisfeito. Passou mais uma jornada e a diferença mantém-se. Hoje, o Sporting e o Benfica fizeram o favor de não desatarem o nó. Por mim, está bem!”

Leonino, no blog Sangue Leonino: “Foi verdadeiramente lamentável ir esta noite a Alvalade e ver - para além dos habituais 11 palhaços vestidos de vermelho e mais umas quantas centenas nas bancadas (...) - um palhaço-mor a estragar o jogo e a roubar-nos de forma vergonhosa a possibilidade de chegarmos ao triunfo. (...) Paraty achou que a cereja no topo do bolo, nesta recta final da sua carreira, seria vir a Alvalade e passar o jogo a provocar jogadores e adeptos leoninos com decisões inacreditáveis. Um verdadeiro palhaço!”
BRLSB no SLBlog: “O Resultado de 1-1 acabou por ser justo, pois o Benfica na segunda parte foi a equipa que mais tempo dominou, e o Sporting fez o mesmo na primeira! O empate sabe melhor ao Benfica que consegue manter a distância de Sporting e Guimarães”
Lá está: a luta pela segundo, ou pelo terceiro. Ao que chegaram as equipas de Lisboa no futebol nacional...

publicado por PRD às 18:30
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PRD

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Estes textos são escritos para serem “falados”, ou “lidos”, pelo que não só têm algumas marca de oralidade (evidentemente, propositadas...) como é meu hábito improvisar um pouco “em cima deles” no momento em que gravo a rubrica. Também é relevante dizer que, dado tratar-se de uma “revista de blog’s” – e uma vez que os blog’s não se preocupam com a oralidade ou com a eventual citação lida dos seus textos -, tomo a liberdade de editar minimamente os textos que selecciono. Faço-o apenas para que, em rádio, não se perca a ideia do blogger pelo facto de escrever frases longas e muito entrecortadas. Da mesma forma, não reproduzo palavrões nem frases pessoalmente ofensivas, assim como evito acusações cuja possibilidade de prova é diminuta ou inexistente. Sendo uma humilde crónica de rádio, tinha ainda assim de ter alguns princípios. São estes. Quem tiver razão de queixa, não hesite!

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