Sexta-feira, 22 de Fevereiro de 2008

Blog da Semana: 2008

“Todos os dias uma história. Por vezes, uma fotografia. Escrever é não estar sozinho” – é assim que abre 2008, o blog da jornalista Patrícia Reis, que se apresenta simplesmente “editora da revista Egoísta, escritora, casada, mãe de dois rapazes”.
A Patricia é tudo isto e muito mais – e o mais que ela é acaba por estar reflectido neste blog sensível, delicado, elegante, onde junta todos os dias bocadinhos da sua ficção, da sua imaginação, também certamente da sua realidade.
O blog, a que se acede pelo endereço http://vaocombate.blogspot.com, é recente, não fez ainda um mês, mas como Patrícia escreve e publica todos os dias, na verdade tem já uma personalidade vincada, marcada por textos como este:
“Dizem que desapareceste há mais de três meses.
A polícia não tem pistas e abandonou a teoria de rapto.
Sinto-me tão confiante que até já vou trabalhar.
Depois de te ter morto tirei-te esta fotografia e coloquei-a, amorosamente, como fundo da minha mala preta.
Estou de luto por ti, compreendes?
Na mala enfio ainda um casaco, por causa do frio, um pequeno frasco de perfume, um baton rosa sem graça e a minha carteira.
Sinto-me uma mulher rica.
A mala preta é um reflexo do que tenho de melhor:
a tua morte”.
Há escrita mais poética, mais fantástica, cartas e frases. Como se de um caderno de apontamentos se tratasse, uns dias mais apressado do que noutros. Mais um exemplo:
“Ontem à noite em Lisboa uma fadista deslocou-se na sala escura.
Pela sala o seu corpo em trajes pretos.
Houve um momento de silêncio e a voz soltou-se.
Uma voz a preto e branco, a saber a antigo, um ligeiro arrepio, coisas inúteis que deixaram de nos ocupar para viajar dentro do fado, da voz da mulher de preto.
Por breves momentos houve uma magia com guitarras e contrabaixo.
Era de noite em Lisboa e estava-se menos só”.
Patrícia Reis, a jornalista, a escritora, inédita e diária no seu blog, que é o meu blog da semana.

publicado por PRD às 18:48
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Estes textos são escritos para serem “falados”, ou “lidos”, pelo que não só têm algumas marca de oralidade (evidentemente, propositadas...) como é meu hábito improvisar um pouco “em cima deles” no momento em que gravo a rubrica. Também é relevante dizer que, dado tratar-se de uma “revista de blog’s” – e uma vez que os blog’s não se preocupam com a oralidade ou com a eventual citação lida dos seus textos -, tomo a liberdade de editar minimamente os textos que selecciono. Faço-o apenas para que, em rádio, não se perca a ideia do blogger pelo facto de escrever frases longas e muito entrecortadas. Da mesma forma, não reproduzo palavrões nem frases pessoalmente ofensivas, assim como evito acusações cuja possibilidade de prova é diminuta ou inexistente. Sendo uma humilde crónica de rádio, tinha ainda assim de ter alguns princípios. São estes. Quem tiver razão de queixa, não hesite!

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