Quinta-feira, 14 de Fevereiro de 2008

Em Timor...

A situação em Timor não entusiasma Portugal como noutros tempos, os tempos dos panos brancos e das velas acesas. Ainda assim, mexe com os nosso valores e sentimentos, e por isso estes dias têm sido de apreensão. Mas também de reflexão.
José António Barreiros, no blog Revolta das Palavras, escreve: “No dia dos atentados, às primeiras horas não havia policiamento, os «internacionais» pairavam expectantes. Nota-se que não há Estado quando a segurança falha; mas o Estado já falhou quando se criaram as condições para que a segurança não seja possível”.
No Corta-fitas, Pedro Correia afirma que estes atentados “não são actos isolados: são as mais recentes manobras para pôr fim a uma certa visão de Timor como membro do espaço lusófono. Não entender isto é não entender nada. (...) A hora não é de falar - é de agir, nomeadamente com o reforço dos efectivos policiais que nos foram já solicitados.”
Rui Costa Pinto, no blog Mais Actual concorda e escreve: “O apoio é desejado pelos portugueses. José Sócrates esteve bem na declaração oficial após os atentados. Apesar de ainda não se saber exactamente o que se passou, uma coisa é certa: a força da ONU falhou”.
Sobre apoios, nomeadamente o reforço da presença portuguesa, com algum pragmatismo, pergunta Medeiros Ferreira no Bichos Carpinteiros: “No estado actual da compressão de despesas em Portugal é conveniente explicar muito bem quem pagará um reforço das forças da GNR em Timor. Se não for no quadro da ONU será vantajoso perceber a natureza do mandato dessas forças antes de as enviar”.
Perguntas é também o que deixa Nancy B no blog Geração rasca.  Eis duas delas:
”- Qual a razão do comando das forças internacionais pertencer à Austrália?
- Que tipo de ligações existem entre os membros das Falintil e os grandes grupos económicos interessados na exploração do petróleo em Timor?”.
Perguntas que ficam bem ao lado deste post curto de Rodrigo Moita de Deus no 31 da Armada:
“Em Timor continua a balbúrdia. Enfiados nos quartéis para evitar balas perdidas, os australianos fazem a figura que os portugueses fizeram no princípio da década de setenta. Talvez os indonésios se lembrem de enviar outra "força de manutenção da paz".

Humor negro que dá que pensar.
Paulo Gorjão acrescenta este ponto conspirativo e desconfiado no blog Cachimbo de Magritte: “começou o jogo do gato e rato com o intuito de encontrar um bode expiatório para o sucedido. Como de costume, os timorenses apontam o dedo para o exterior. Não é por nada, mas eu começava por olhar para o interior para se perceber como é que aqui se chegou”.
Liliana Fernandes, no blog Gosto e Contragosto, prefere lembrar o que muitas vezes esquecemos:
“Timor-Leste é quase virgem no que diz respeito aos sistemas judicial e policial e, por isso, quando existe algo para resolver, a primeira coisa a ser premida é o gatilho de uma qualquer arma”.
Remato com Ângela Carrascalão, no blog Timor Lorosae Nação, que escreve apenas:

“Não acredito que haja um timorense que se preze que esteja interessado em subir ao Poder espezinhando, esmagando, matando outro timorense...”
Da desconfiança à ingenuidade, da conspiração ao crédito, há de tudo, como se vê. Só não há um território em paz lá para os lados de Timor.

publicado por PRD às 22:59
link do post | comentar

PRD

Pesquisar blog

 
Estes textos são escritos para serem “falados”, ou “lidos”, pelo que não só têm algumas marca de oralidade (evidentemente, propositadas...) como é meu hábito improvisar um pouco “em cima deles” no momento em que gravo a rubrica. Também é relevante dizer que, dado tratar-se de uma “revista de blog’s” – e uma vez que os blog’s não se preocupam com a oralidade ou com a eventual citação lida dos seus textos -, tomo a liberdade de editar minimamente os textos que selecciono. Faço-o apenas para que, em rádio, não se perca a ideia do blogger pelo facto de escrever frases longas e muito entrecortadas. Da mesma forma, não reproduzo palavrões nem frases pessoalmente ofensivas, assim como evito acusações cuja possibilidade de prova é diminuta ou inexistente. Sendo uma humilde crónica de rádio, tinha ainda assim de ter alguns princípios. São estes. Quem tiver razão de queixa, não hesite!

Textos recentes

...

Blog da Semana: As Penas ...

Outra vez o casamento ent...

Em dia

Lhasa de Sela

O ritual de Cavaco

2010

Blog do Ano 2009: O Alfai...

O ano 2009 - II

O ano 2009 - I

Arquivos

Outubro 2011

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

favorito

Leituras de sábado

Declaração de voto

Seis anos já cá cantam.

Na melhor revolução cai a...

Subscrever feeds