Segunda-feira, 28 de Janeiro de 2008

«À política o que é da política»

A decisão da direcção do PSD de levar uma equipa da agência Cunha Vaz para ajudar o grupo parlamentar a comunicar eficazmente lançou grossa confusão. «À política o que é da política», terá dito o líder da bancada do PSD, Santana Lopes.
Nos dias que se seguiram, correu a polémica. Samuel, no blog O Cantigueiro, divertiu-se com a notícia e escreveu: “É genial! O homem dá-se ao trabalho de derrubar o dirigente do seu partido, garantindo aos militantes que, não só tem ideias políticas, como estas são as melhores para (...) o país. Poucas semanas depois de tomar o poder no partido, faz o quê? Começa a divulgar e defender essas ideias? Não! Contrata uma empresa de "propaganda", cheia de jovens assaz criativos que passarão a escrever-lhe umas frases giras e que fiquem no ouvido, para ir fazendo ruído nos jornais e televisão!”
Um profissional, Luís Paixão Martins, vem a terreiro, no seu blog, e afirma: Santana ganhava em ter consultores de comunicação. Explica então: “Santana Lopes é, em termos de marketing pessoal, aquilo a que podemos chamar um "diamante em bruto". Tem uma presença dominante, uma oratória emotiva e cativadora, e utiliza referências originais e mobilizadoras. E surpreende pelo inesperado (...). Infelizmente para ele, a ausência de um aconselhamento qualificado (...) tem impedido melhores performances sustentadas em termos mediáticos, públicos e políticos”. E o chamado LPM segue com uma “uma mão-cheia de serviços” e ideias que os “consultores de comunicação lhe podiam prestar”. Vale a pena ler na íntegra.
Paulo Gorjão, no Cachimbo de Magritte, leu o que Paixão Martins escreveu e rematou:
“Pedro Santana Lopes teria muito a ganhar em ter consultores de comunicação. Admito que sim, mas confesso que me lembrei logo da fábula da rã e do escorpião”.
Pacheco Pereira, no Abrupto, reedita o seu texto do Público onde aborda o tema dizendo: “penso de há muito (...) que a relação entre políticos e agências de comunicação (...) é um dos sintomas da degradação da política contemporânea. Acrescento a este último ponto que o problema é em primeiro lugar dos políticos; os outros vão para onde estiver o mercado”.
António Mira, no blog O Insubmisso, recupera a frase "à Política o que é da política" para desafiar Santana: “Se ele quer ter uma atitude messiânica, que limpe da câmara nobre da nação a porcaria em que esta se transformou. A política portuguesa e o parlamento português têm-se vindo a transformar numa "Latoaria": é só tachos, e nenhum a favor do povo português”.
Por fim, Bruno Alves, numa revista da semana no blog O Insurgente, acaba por espelhar o essencial da questão: “o maior partido da oposição está entretido com a “novela mexicana” do conflito Santana/Menezes (...). O ódio ao Governo cresce, (...) a confiança nas mais variadas instituições parece estar à beira do fundo do poço, o Governo parece desprezar toda e qualquer manifestação de desagrado, e o PSD parece indiferente a tudo isto”.
Esse é o ponto essencial: o PS soma e segue – porque a oposição está demasiada ocupada com ela própria. José Sócrates pode ter talento – mas tem sorte, muita sorte. E como costuma dizer Júlio Machado Vaz aqui na Antena 1, a sorte nunca fez mal a ninguém...

publicado por PRD às 23:39
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