Quinta-feira, 17 de Janeiro de 2008

Ainda o BCP

Pensava encerrar o dossier BCP ontem, mas na ressaca da ultima Assembleia Geral as opiniões que polvilham a blogoesfera merecem mais uma atenção, dado que se foram mostrando ao longo do dia de ontem e mesmo hoje. Por exemplo, esta forma peculiar de ver o assunto, por José Medeiros Ferreira, no Bicho-carpinteiro:

“Com um pequeno esforço pode-se contar a história do BCP de outro modo: o primeiro grande banco privado nascido neste regime democrático precisou do aval do Estado para sair da sua primeira grande crise vinte anos depois. Não convém assim, pois não?”

Outra ideia interessante, a provocação humorada e irónica de João Miranda, no Blasfémias, direitinha para Luís Filipe Menezes:

“O PSD tem neste momento uma oportunidade única para voltar a pegar numa das suas antigas bandeira. Deve pedir a privatização da banca nacionalizada, a começar pelo BCP”.

Na mesma linha da partidarização da banca, mas ampliando-a para os negócios da comunicação, Pedro Sales no Zero de Conduta conta algo que nenhum jornal escreveu:

“O BCP ficou com a gerência da Caixa. Santos Ferreira para aqui Miguel Cadilhe para ali, a imprensa de hoje confere uma ampla cobertura mediática à luta pela liderança no Millennium BCP. Mas outro nome escapa ao escrutínio e passa quase incógnito: Cunha e Vaz. O mesmo homem que faz a comunicação de Menezes, e coordenava o ataque do PSD à “Opa socialista” de Santos Ferreira, fez a assessoria de Santos Ferreira para garantir o sucesso da “Opa socialista” ao BCP. Pelo meio ainda tinha tempo e energia para aconselhar o cessante Conselho de Administração do BCP. Uma verdadeira tripla. Mas há que reconhecer as vantagens de um esquema destes. Assim nunca há fugas de informação. Ela circula sempre entre a mesma gente”.

Por fim encontro Rui Costa Pinto, no blog Crónicas Modernas. Diz:
”A transferência de um presidente de um banco público, o maior do sistema financeiro, para um banco privado é algo nunca visto. Aliás, se Carlos Santos Ferreira é tão capaz e competente, (...) então por que razão o Estado permitiu que se tenha mudado para a concorrência? Seria interessante conhecer os termos dos contratos dos Administradores da Caixa Geral de Depósitos, de forma a saber se o Estado está à mercê de tais movimentações esdrúxulas. Das duas uma: ou o Estado obriga os seus mais altos quadros a um regime de confidencialidade e de reserva, que os inibe de se transferirem para a concorrência de um dia para o outro, ou então, a não existir esta norma (...), o interesse público não estaria a ser salvaguardado, o que é impensável e inadmissível”.

O que resulta destas ideias é que, afinal, a paz pode ter chegado, na aparência, ao BCP – mas no fundo, subsiste a dúvida, a desconfiança, e um certo pé atrás sobre todo o processo que levou à escolha de uma nova equipa dirigente.

Politica e finança num só banco, já era de calcular que deixaria nódoas no tapete...

publicado por PRD às 19:16
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PRD

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Estes textos são escritos para serem “falados”, ou “lidos”, pelo que não só têm algumas marca de oralidade (evidentemente, propositadas...) como é meu hábito improvisar um pouco “em cima deles” no momento em que gravo a rubrica. Também é relevante dizer que, dado tratar-se de uma “revista de blog’s” – e uma vez que os blog’s não se preocupam com a oralidade ou com a eventual citação lida dos seus textos -, tomo a liberdade de editar minimamente os textos que selecciono. Faço-o apenas para que, em rádio, não se perca a ideia do blogger pelo facto de escrever frases longas e muito entrecortadas. Da mesma forma, não reproduzo palavrões nem frases pessoalmente ofensivas, assim como evito acusações cuja possibilidade de prova é diminuta ou inexistente. Sendo uma humilde crónica de rádio, tinha ainda assim de ter alguns princípios. São estes. Quem tiver razão de queixa, não hesite!

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