Terça-feira, 15 de Janeiro de 2008

All...cochete

“Caro Ministro das Grandiosas Obras Públicas, fica um conselho de vida: "Jamais" diga "jamais". (...) Só porque num lago passam cisnes brancos, não quer dizer que todos os cisnes sejam brancos”.

Assim escrevia ontem Hidden Persuader , no blog Bicho Carpinteiro, horas antes do Prós e Contras abrir o seu quarto programa dedicado ao novo aeroporto. Lá estava o ministro Mário Lino, agora a defender Alcochete...

Teresa Ribeiro, no blog Corta-Fitas , até lhe escreveu uma carta onde dizia: “Sabes, o pior foi teres metido água com aquela conversa sobre o deserto. Em política as figuras de estilo quando mal aplicadas são letais. (...) Para a próxima, já sabes, nada de improvisos. (...) Logo à noite, quando estiveres no Prós e Contras a levar mais um ensaio de porrada não te enerves e vê lá o que dizes. Lembra-te, sound bites da tua lavra, "jamais"!”

Bom, mas depois deste pé na poça do Ministro, a localização do aeroporto está decidida.

Escreve Miguel Abrantes, no blog Câmara Corporativa:

“Conhecidas as conclusões do relatório do LNEC, as diferenças entre as duas localizações não são tão acentuadas (...): em sete itens, a Ota apresenta melhores condições relativamente a três”.
Escreve João Pinto e Castro, no Blogexisto :

“Com a sua decisão, Sócrates pretendeu antes de mais livrar-se de uma polémica que fugira ao controlo do governo, porque se sentia incapaz de enfrentar os lóbis favoráveis a Alcochete. Julga que assim matou o problema, mas engana-se redondamente. Na verdade, criou outros, porque agora (...) muitos grupos de interesse terão ficado convencidos de que, afinal, fazendo-se um bocado de barulho, o governo abana e cede”.

Vital Moreira, no blog Causa Nossa, escreve:

“Uma das coisas mais intrigantes a propósito da nova localização do aeroporto é o aplauso dos que acusavam a Ota de ser demasiado longe. Ora, (...) a nova localização é mais afastada do que a Ota, mesmo para os residentes em Lisboa (...). Provavelmente, da perspectiva de Lisboa os quilómetros são mais compridos na direcção norte do que na direcção sul!...”

Escreve Pedro Lains , no blog Geração de 60:

“Cavaco Silva também não deve estar contente porque a mudança de posição do Governo foi feita, aparentemente, através dos jornais. Ele, que dizia que não lia jornais, terá ficado incomodado com essa circunstância. A verdade é que estas grandes decisões devem descer à praça pública e nela serem discutidas. Mas isso deve ser feito com equilíbrio (...). Ora, o que aconteceu com a decisão em causa foi que algumas pessoas tiveram o acesso privilegiado aos jornais”.

Escreve Pedro Santana Lopes no blog com o seu nome:

“Se não tivesse sido a iniciativa e a insistência de uns quantos e, diz-se, a intervenção do Presidente da República, teríamos ido mesmo para uma opção que não seria a melhor. Como é possível? Como é possível tal engano num investimento de tal monta?”

Por fim a palavra a um homem do Norte, Jorge Fiel, no blog Bússola:

“Agora (...), o Governo terá de arrumar na prateleira dos Assuntos Pendentes a questão do novo aeroporto. Este parecer técnico obriga o Governo a encomendar os estudos e projectos para Alcochete - que já estavam feitos para a Ota – o que significa o óbito do sonho inicial de fazer da Ota e do TGV as alavancas para um vigoroso relançamento do nosso crescimento económico”.

Tudo isto para provar que, apesar de ser unânime a ideia de que a mudança de orientação nesta matéria é melhor para todos, nem por isso deixa de haver opiniões distintas e ideias diferentes por essa blogoesfera fora. Cá ficaram...

publicado por PRD às 18:29
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Estes textos são escritos para serem “falados”, ou “lidos”, pelo que não só têm algumas marca de oralidade (evidentemente, propositadas...) como é meu hábito improvisar um pouco “em cima deles” no momento em que gravo a rubrica. Também é relevante dizer que, dado tratar-se de uma “revista de blog’s” – e uma vez que os blog’s não se preocupam com a oralidade ou com a eventual citação lida dos seus textos -, tomo a liberdade de editar minimamente os textos que selecciono. Faço-o apenas para que, em rádio, não se perca a ideia do blogger pelo facto de escrever frases longas e muito entrecortadas. Da mesma forma, não reproduzo palavrões nem frases pessoalmente ofensivas, assim como evito acusações cuja possibilidade de prova é diminuta ou inexistente. Sendo uma humilde crónica de rádio, tinha ainda assim de ter alguns princípios. São estes. Quem tiver razão de queixa, não hesite!

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