Quarta-feira, 9 de Janeiro de 2008

Tratar do Tratado

A blogoesfera, e em geral a Internet, agora com o recurso You Tube, têm este poder: não voltará a haver primeiro-ministro ou líder partidário que faça uma promessa eleitoral, depois mude de ideias, e não seja crucificado na praça publica.

Ainda a notícia da ratificação parlamentar do Tratado de Lisboa era uma “primeira-mão” que a SIC Noticias avançava, e já a blogoesfera politica se agitava.

Pela manhã, Medeiros Ferreira nos Bichos Carpinteiros recomendava o referendo, defendia-o, e dizia mesmo que “a nível interno José Sócrates só tem a ganhar com o referendo sobre o Tratado de Lisboa”.

A meio da tarde Pedro Marques Lopes, no blog da revista Atlântico, fazia análise perspectiva: “Sócrates tem mais medo da oposição de esquerda do que de direita e fez um acordo com os seus colegas europeus”.

Ao mesmo tempo, começava a circular um vídeo (acho que vi primeiro no Zero de Conduta) que juntava dois momentos: o discurso da tomada de posse do actual Governo, em que José Sócrates anuncia o referendo para o mesmo dia das eleições autárquicas, e um bocadinho de uma entrevista à SIC, em Junho passado, onde diz que afinal pode não haver referendo porque o Tratado já não é constitucional...

Mas a net é implacável: esse vídeo está por todo o lado, e a blogoesfera cobra a promessa ao primeiro-ministro.

À esquerda, Tomás Vasques no Hoje à conquilhas comenta o editorial de José Manuel Fernandes no Público, dizendo que se é preso por ter cão e por não ter. Fernandes escreveu:

«Se Sócrates convocar o referendo ao tratado europeu, temos boas razões para suspeitar que o faz mais por calculismo político do que por acreditar na participação popular. (...) E até pode ser que nos enganemos, que Sócrates não anuncie o referendo.»

Enganou-se mesmo, não vai haver referendo. Eduardo Pitta, no blog Da Literatura, é dos poucos que encontro a concordar: “Antes assim, escreve. Para circo, basta a assembleia-geral do Millennium BCP no próximo dia 15”.

Em geral, não é por aí que vai a blogoesfera. Hoje, o dia vai ser de cobrança violenta e coerciva e o primeiro-ministro, além do debate no Parlamento, ainda terá de se confrontar com opiniões como esta, de João Gonçalves no Portugal dos Pequeninos: “Sócrates tem um compromisso com o país acerca do "tratado reformador" e da sua ratificação. (...) Apesar da sua especialização em fazer tábua rasa de quase tudo o que andou a defender em campanha eleitoral, Sócrates não deve abusar da sorte. O "tratado de Lisboa" afasta-nos da "Europa" e não simplifica nada. "Debater" a Europa a propósito de um refendo significa falar também de nós. Eu sei que custa e que o que há para falar é feio e não se recomenda. Todavia, a democracia é isso mesmo: conflito e risco, risco e conflito”.

João acha que a decisão de não referendar é uma posição “estilo "mesinha de cabeceira", quentinha e segura”. E é dos mais meigos que anda na rede, desde que se soube o que José Sócrates tinha decidido.

DISCLAIMER PERMANENTE: não adiantam os comentários sobre gralhas e pequenos erros de teclado ou frases que, escritas, nem sempre parecem claras - este texto é escrito para ser lido na rádio e não tem esse tipo de preocupação. É necessário "imaginar" a minha leitura, ainda por cima com improvisos por cima, para que tudo faça sentido. Obrigado!

publicado por PRD às 18:42
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1 comentário:
De Bikoka Frita a 10 de Janeiro de 2008 às 12:03
Eros cuem não os cumete? È mesmu o espirito tuga a foncionar: o que interessa nã é o conteodo mas a forma.
Grande pogama. Parabéns


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PRD

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Estes textos são escritos para serem “falados”, ou “lidos”, pelo que não só têm algumas marca de oralidade (evidentemente, propositadas...) como é meu hábito improvisar um pouco “em cima deles” no momento em que gravo a rubrica. Também é relevante dizer que, dado tratar-se de uma “revista de blog’s” – e uma vez que os blog’s não se preocupam com a oralidade ou com a eventual citação lida dos seus textos -, tomo a liberdade de editar minimamente os textos que selecciono. Faço-o apenas para que, em rádio, não se perca a ideia do blogger pelo facto de escrever frases longas e muito entrecortadas. Da mesma forma, não reproduzo palavrões nem frases pessoalmente ofensivas, assim como evito acusações cuja possibilidade de prova é diminuta ou inexistente. Sendo uma humilde crónica de rádio, tinha ainda assim de ter alguns princípios. São estes. Quem tiver razão de queixa, não hesite!

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