Quinta-feira, 3 de Janeiro de 2008

Poeira no ar ainda poluído

O que começou por ser um debate sobre um lei e o que ela significa, rapidamente se transformou num fait-divers: O inspector-geral da ASAE, António Nunes, foi fotografado a fumar num casino depois da entrada em vigor da lei do Tabaco e isso tornou-se o tema central.
Primeiro, porque o próprio Inspector declarou que os casinos não estavam abrangidos pela lei, o que é óbvia e factualmente falso. Depois, por que há sempre aquela história do exemplo que vem de cima...
Boss, no blog Renas e Veados, é radical: “Ainda não se demitiu, nem há ainda notícia de despedimento. Ou sequer multa! (...)”. Para ele, esta “West Coast” é “um autêntico Faroeste”.
Jorge Ferreira, no blog Tomar partido, declara: “Bem sei que a tentação é crucificar o homem. Eu prefiro sublinhar que foi o homem a crucificar a lei”
Mais meigo, Francisco José Viegas, que alimenta o blog Origem das espécies, onde é permitido fumar, nota “um rasto de pequena humanidade no gesto do director da ASAE. (...) A Direcção-Geral de Saúde diz que o acto é ilegal. Eu, por mim, desculpo-o”. Viegas, um fumador clássico, diz que se deve cumprir a lei: “O pior que pode acontecer aos «fanáticos e exaltados que entendem ser a sua maneira de viver a única irrepreensível» é não haver protestos elevados nem ocasiões para chamar a autoridade, a fim de entregar os prevaricadores à fogueira. Eu defendo que se deve aceitar a lei e respeitá-la. Isso irritará muita gente”.
O essencial, no entanto, é a nova lei e as opiniões que provoca. Já aqui fiz uma primeira ronda, vamos a uma segunda:
“Por princípio não alinho em proibicionismos, escreve José Teófilo Duarte no Blog Operatório. Percebo quem não tenha grande apreço por estas novas leis que proíbem fumos em locais públicos. Mas as reacções em contrário também não me parecem razoáveis. (...) Eu, que nunca recusei jantar com amigos fumadores, mas que me incomoda o fumo, não vejo razão para esta apologia do tabaco”
Paulo Pinto Mascarenhas, no blog Atlântico, contribui com uma ideia: “Disse-me fonte segura que a proibição de fumar (...) não é aplicável nas prisões e nos hospitais psiquiátricos. Ou seja, o único fumador que continua a manter a sua liberdade é o que está louco ou já foi preso por qualquer delito. O novo totalitarismo higiénico tem destas contradições insanáveis. Se for apanhado a fumar em sítio considerado impróprio, arranje um problema psiquiátrico, que isso passa”. 
Com muita graça, Paulo Marcelo no Cachimbo de Magritte declara, ironicamente, o fim do blogue: “Sendo o Cachimbo de Magritte um «recinto fechado destinado à utilização colectiva», e não podendo nós, nem querendo, diga-se, proibir o fumo neste espaço por estar nos nossos genes fumadores, digo, fundadores, vamos ter mesmo de fechar as portas. (...) «A frequência deste espaço prejudica gravemente a sua saúde e a dos que o rodeiam».
Fecho esta volta com Cristina Ferreira de Almeida e a sua primeira Preocupação de ano novo no Corta Fitas:
“Fumo o primeiro cigarro de 2008 a pensar em Agostinho da Silva e em como terá feito para, já no nosso tempo, viver sem bilhete de identidade e sem número de contribuinte. O cigarro não é importante. O importante é perceber a partir de que ponto é que deixamos de ser livres”
Ora bem: o debate é efectivamente este, sobre a liberdade. O inspector que prevarica é apenas poeira no ar ainda poluído...
publicado por PRD às 20:29
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Estes textos são escritos para serem “falados”, ou “lidos”, pelo que não só têm algumas marca de oralidade (evidentemente, propositadas...) como é meu hábito improvisar um pouco “em cima deles” no momento em que gravo a rubrica. Também é relevante dizer que, dado tratar-se de uma “revista de blog’s” – e uma vez que os blog’s não se preocupam com a oralidade ou com a eventual citação lida dos seus textos -, tomo a liberdade de editar minimamente os textos que selecciono. Faço-o apenas para que, em rádio, não se perca a ideia do blogger pelo facto de escrever frases longas e muito entrecortadas. Da mesma forma, não reproduzo palavrões nem frases pessoalmente ofensivas, assim como evito acusações cuja possibilidade de prova é diminuta ou inexistente. Sendo uma humilde crónica de rádio, tinha ainda assim de ter alguns princípios. São estes. Quem tiver razão de queixa, não hesite!

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