Terça-feira, 30 de Junho de 2009

150 anos

É uma condenação perpétua mas tem um numero redondo: 150 anos. Foi esta a condenação de Bernard Madoff, o responsável pela maior fraude financeira de sempre. Um pouco por todo o mundo, comenta-se a decisão judicial, no mundo dos blogues nacionais a conversa é outra, e passa pela comparação: Carlos Abreu Amorim, no Blasfémias, e Jorge Ferreira, no Tomar Partido, avançam com a mesma ideia: 150 anos,

“Mais ou menos o mesmo tempo que por cá levaria o processo a ser concluído…”.

Na verdade, estamos tão habituados a processos que se arrastam nos tribunais durante anos, que não podemos deixar de ficar surpreendidos: em cinco meses, Madoff foi julgado e condenado. O blog Fliscorno sugere: “a solução para a nossa justiça é manda-la também para o estrangeiro. De preferência para os EUA onde a maior fraude financeira da história foi julgada em alguns meses. Imaginem só a brevidade que processos, cá intermináveis, não passariam a ter. Um Freeport? Semanas. Uma Casa Pia? Qualquer quinzena bastaria. Apitos dourados? Um intervalo para café e sentença feita. Operações Furacões? Resolvido no intervado da Casa Pia. Quais reformas do mapa judiciário qual carapuça. Portugal precisa é de um offshore para a justiça”. António de Almeida no Direito de Opinião recorda óbvio que nunca devemos esquecer: “Não existe Justiça se a mesma não for aplicada em tempo útil”. João Gonçalves também nota a diferença: “Cá, a política e os tribunais cumprem calendários. Se bem nos recordamos, apenas Vale e Azevedo foi molestado e, mesmo assim, só depois de ter deixado a presidência do Benfica. E sabe-se o estado da arte. Não esperem nada de extraordinário contra os trafulhas domésticos. Gente fina é outra coisa. E a justiça portuguesa também”.

Parece evidente que nos impressiona a rapidez com os tribunais norte-americanos chegaram a um veredicto. E parece evidente que alguma coisa devia ser feita na forma como se faz justiça ou injustiça em Portugal.

Fecho a ronda com Sam Seaborn, no blog Os 4 Elementos, que prefere analisar a condenação pelo lado exemplar da punição agravada: “Ao longo da história, Portuguesa, Europeia, Mundial, os crimes financeiros têm sido tratados com alguma discriminação e mesmo leveza em comparação com os demais. Pouco importa se a Bernard Madoff resta 10, 15 ou 20 anos de vida, o exemplo está dado, e tendo em conta que para a Lei Americana, o precedente é válido, acabou de ser aberta uma valiosa arma contra a fraude económica e um sério aviso para os prevaricadores”.

Assim é realmente: entre a rapidez e eficácia da justiça e a condenação exemplar que fica como exemplo, esta decisão faz História e garante que o mundo é mesmo assim, “composto de mudança”. Para melhor, que venha ela...

publicado por PRD às 00:02
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Segunda-feira, 29 de Junho de 2009

Vida e morte de um negócio

O negócio da PT com a TVI foi o tema que mais tinta fez correr nestes dias, e o mundo dos blogues não lhe escapou. Entre mentiras e verdades de todos os tipos, parece óbvio que o Governo estava a par do que se ia passando na PT e terá até havido uma reunião na semana passada entre altos dirigentes da telefónica e o primeiro-ministro. Com graça, no blog Portugal Contemporâneo, Joaquim recorda uma anedota: “Um marido enganado perseguiu a mulher e o amante até um hotel. Viu-os entrar para um quarto e correu a espreitar à janela. Viu-os despirem-se, abraçarem-se e beijarem-se. Os dois amantes pareciam enlouquecidos pela paixão, saltaram para a cama, mas depois... apagaram a luz. Ó dúvida terrível! Pensou o marido enganado”

Há coisas, sobre este negócio, que na verdade nunca saberemos. VLX, no Mar Salgado, coloca o tema nestes termos:””

“Os accionistas da PT mandam coroas de flores a José Sócrates (…). Um departamento inteiro da PT tenta redigir a negação da instrumentalização como insulto, no verdadeiro sentido da palavra. O porta-voz do PS ensaia as palavras explicativas do facto do Estado se meter nos negócios privados apenas porque o Sr. José Sócrates critica uma cadeia de televisão privada. Pelo sim, pelo não, Silva Pereira é promovido a sempre-em-pé”.

No ToMar Partido, Jorge Ferreira é absolutamente claro: “Sobre o negócio PT/PRISA/TVI, das duas, uma: ou mente o Expresso ou mentiu Sócrates. O problema é que se instalou no país a ideia que aquilo que o Primeiro-Ministro diz tem um elevado grau de probabilidade de não ser verdade. Sócrates talvez ainda não tenha percebido, mas está submerso numa espiral de descredibilização”. Vitor Matos, no blog Elevador da Bica, concorda: “Sócrates entrou em plano inclinado. Não vejo que o consiga inverter. Vamos viver tempos interessantes durante os próximos meses”. E André Freire, no Ladrões de Bicicletas, inventa o verbo “desinsuflar” para dizer: “Sendo o Estado um accionista fundamental na PT, custa a crer que, num negócio desta envergadura, a adminstração tivesse avançado sem o agreement (ainda que informal) deste accionista”.

Há quem vá mais à frente e veja neste caso o velório deste governo, notando um “Enterro à Vista”, como lhe chama Nuno Dias da Silva no Civilização do Espectáculo: “O «Expresso» noticia que o Governo já conhecia o negócio TVI/PT, entretanto abortado, desde o início do ano. Contabilize-se mais uma «peta» de Sócrates aos portugueses e mais um no «caixão» do executivo socialista. Desconhece-se, apenas, a data e o local do «funeral». As sondagens já indiciam a viragem”.

Paulo Pinto Mascarenhas acha que, se Sócrates terá dado o dito por não dito., é “extraordinário” “que tudo isto não tenha quaisquer consequências”. E entretanto os dias avançam, os partidos aproveitam tudo para se queimarem mutuamente, e os negócios esperam melhores dias. Rodrigo Moita de Deus aproveita para se antecipar: “A PT diz que não avança. Mas garante que continua a precisar de uma televisão.Com a TVI de fora, ficamos todos à espera que, nos próximos dias, apresentem uma OPA sobre a Impresa”. A brincar a brincar, pode ter razão: o mundos dos media anda em alvoroço e o mundo da politica não brinca em serviço.

 

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Sexta-feira, 26 de Junho de 2009

Blog da Semana: Holoteta

Música, hoje vamos para a música – a minha escolha da semana recai sobre um blog muito especial. É um espaço pessoal, assinado, em muitos momentos íntimos. Mas, também um blog autobiográfico onde, em episódios soltos, se está a fazer a História de um bocadinho da melhor música popular portuguesa.

A saber: o blog chama-se Holoteta mas a morada é diversa: neladeiras.blogspot.com

Isso mesmo: o blog da cantora e compositora Ná Ladeiras, a voz que marcou a Brigada Victor Jara, a Banda do Casaco, a voz a sol de Sonho Azul, a voz da mulher que, num percurso nem sempre linear, juntou alguns dos melhores e mais valiosos talentos da nossa cultura popular: de Miguel Esteves Cardoso aos Heróis do Mar, de Ricardo Camacho, de Rui Veloso a Luís Cilia. São muitos anos de musica e de canções, e o blog reflecte isso mesmo.

É que, além dos apontamentos pessoais da autora, muitas vezes poéticos, e além das fotografias e dos registos inimistas, aparecem aqui e ali história do seu rico passado. Por exemplo, a sua ligação a Miguel Esteves Cardoso: “Não parava de compor e o Miguel de escrever. Assim surge Hotel Ámen, que de um lado era carne e do outro espírito. Grandes planos! A editora, a meu pedido, concordou que fosse gravado no Mosteiro dos Jerónimos e, para isso, fez deslocar o seu estúdio móvel até Belém. A produção, desta vez, ficava a cargo de Carlos Maria Trindade. Não me lembro quantos dias se passaram. Sei que tudo acabou abruptamente. Ou porque achavam que não ia ser comercial, ou porque não se chegava a acordo sobre algumas situações, Hotel Ámen faliu. (...) Nestas coisas não há só um culpado, eu assumo que a pressão deu cabo de mim. Fiquei cansada e deprimida. Abandonei o "palco" onde se desenrolava a tragédia e afastei-me. Fiquei magoada com todos, incluindo o MEC. Saí de Lisboa, recolhi-me em Alhur. Decidi dedicar-me a plantar ervas de cheiro e toda a espécie de chás curativos”.

Noutro passo do blog, a História da edição do notável “Sonho Azul”, onde quiseram mudar o nome à cantora: “Quiseram ir a fundo e a sério com o lançamento da minha pessoa e para começar nada melhor que modificar o meu nome. (...) A questão prendia-se com “Né Ladeiras”. Não era nome para uma cantora quando atingisse os 40 anos...

- “Mas eu ainda só tenho 23!!!! - protestei - "Além de que este é o meu nome, sempre foi. Né, diminutivo de Nazaré, Ladeiras, apelido paterno. Sempre fui Né Ladeiras (...) Atónita e a pensar que algo de muito errado (...) se passava, assisti a uma cena irreal, que consistia em 2 listas telefónicas nas mãos do promotor e do produtor com a respectiva avaliação dos nomes alternativos para o novo baptismo”.

Baptismo que não existiu – Né Ladeiras é ainda hoje Né Ladeiras. Deixei dois exemplos de histórias desconhecidas, inéditas, que estão naquele espaço - mas o seu blog é tudo isto e mais a sua alma, o seu génio, o seu talento, Palavras, imagens, bocados da vida. Vale a pena conhecer esta outra musica, esta outra vida...

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Quinta-feira, 25 de Junho de 2009

Domingos no mundo eleitoral

Discutem-se então as datas para as próximas eleições e as vantagens e inconvenientes da coincidência entre o dia de votar para o Governo e para as Autarquias. Na blogoesfera, antes de tudo estranha-se uma frase do Presidente Cavaco, como bem nota Gabriel Silva no Blasfémias: “Causou alguma supresa Cavaco Silva ter invocado umas absolutamente desconhecidas «sondagens favoráreis à realização de eleições em simultâneo». Devo confessar que não tendo sequer pensado por um instante que o presidente da República estaria a «inventar», de imediato suspeitei do que se tratava. Fui verificar e confirmo:  trata-se da «sondagem» feita no Correio da Manhã online” . António Figueira, no Cinco Dias, acha a ideia da sondagem “do além”: “Não haverá ninguém que lhe explique que um PR (...) não deve referir (...) sondagens de opinião? Que sentido pode assim fazer a expressão “Presidente de todos os portugueses”? “

No Câmara de Comuns, Paulo Ferreira também pergunta !Quais sondagens?” E depois responde com outra pergunta: “Daquelas que acertaram em cheio nos resultados das ultimas eleições para o Parlamento Europeu? Estou a ver...o que é verdade hoje, é mentira amanhã”.

No 31 da Armada, Bernardo Pires de Lima prefere ir ao tema propriamente dito, visto pelo lado do PSD, que defende todas as eleições no mesmo dia. E diz: “a posição isolada do PSD coloca pressão a Cavaco para fazer uma de duas coisas: contrariar o partido que o apoia ou contrariar a maioria dos partidos apoiando os argumentos do PSD. Daqui resultará, provavelmente, o apoio do PS à candidatura de Alegre perdendo Cavaco o centro político. O professor acaba por ter a primeira volta das presidenciais já depois do Verão”. Pedro Pestana Brito, no cachimbo de Magritte, também envolve Cavaco e o PSD na sua reflexão: “Estou convencido que mesmo contra a posição de 4 dos 5 partidos, o PR vai marcar as eleições para o mesmo dia. Cavaco Silva utilizará um argumentário conhecido (poupa-se tempo, dinheiro, e combate-se a abstenção). Todavia a mensagem política que passa é uma colagem do PR ao PSD. O PR sabe que objectivamente a sua decisão tem uma leitura política de benefício ao PSD e conforma-se com a ideia. Quer ajudar o PSD e ganhar as eleições”.

João Gonçalves, no Portugal dos Pequeninos, acha que “No actual "estado da arte" não “vale a pena andar em fandangos consecutivos” e pergunta: “as elites duvidam da capacidade do "povo" em distinguir o sentido de cada voto?”

Não sabemos, em rigor, responder a esta pergunta. Mas podemos ficar a pensar no que diz Tomas Vasques: “levar duas eleições pelo preço de uma não é um argumento próprio de um presidente da República, mas de um gerente de supermercado”.

Ou seja: não há acordo sobre a matéria, e há ideias de sobra para dicutir. Veremos como Cavaco Silva descalça esta bota. Uma bota de cano alto...

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Quarta-feira, 24 de Junho de 2009

A vitória do condenado

O antigo presidente da Câmara do Porto Nuno Cardoso foi condenado, há 2 dias, a três anos de prisão com pena suspensa por crime de prevaricação. Nuno Cardoso assinou um despacho que perdoou uma coima ao Boavista por o clube portuense se encontrar a construir sem licença e o juiz do tribunal que julgou o caso falou de uma “teia” entre o poder autárquico e os clubes de futebol e apresentou a sanção como um exemplo contra o sentimento de impunidade que muitos cidadãos descrevem. “Que tudo isto sirva para um alerta de consciências”

Nuno Cardoso vai recorrer, claro, mas entretanto deixou uma frase misteriosa no fim da sentença: “Estou de volta à política”, disse ele.

No blog Tomar Partido, Jorge Ferreira achou que a frase do juiz, “Que tudo isto sirva para um alerta de consciências”, foi quanto bastou “para Nuno Cardoso anunciar, acto contínuo, o regresso à política. Só não disse se será em Felgueiras ou em Oeiras...”.

Colocado o tom, vamos ver outros comentários. José Carlos Guinote, no blog

Pedra de homem, acha que essas “declarações do ex-autarca de que vai voltar à política são no mínimo despropostitadas. (...) Admitindo o direito de recurso, que é um direito de qualquer acusado, o que é um facto é que existiu uma condenação, que determinaria da sua parte a necessidade de prolongar o período de reserva a que se terá submetido”.

Filipe Tourais no blog País do burro, nota que a eventual pena suspensa de Nuno Cardoso resulta de uma lei que juntou PS e PSD e aprovou “o alargamento do limite legal da suspensão de penas de prisão de 3 para 5 anos. (...) Nuno Cardoso saiu do tribunal com a promessa de um regresso para breve à vida política activa: feliz e, mais importante que tudo, em paz com o divino. Não serão os últimos”, diz Filipe.

Jose Freitas no blog Aventar deixa uma pergunta no ar: “E se Nuno Cardoso ainda fosse presidente da Câmara do Porto? Também seria condenado para alertar consciências?”

Condenado por condenado, prefiro a versão de Waldorff no Blogue dosa Marretas, que escreve de forma clara:

Nuno Cardoso condenado a três anos de prisão com pena suspensa.
E pensa o vulgar cidadão.
- Bem, o homem deve estar envergonhado por isso vai sair discretamente pela porta do fundo.
Tá bem, tá.
Agora que o tribunal pronunciou esta sentença, Nuno Cardoso anunciou aos jornalistas o seu regresso à vida pública..
Ser condenado começa a ser condição necessária para ingressar na política.”.

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Terça-feira, 23 de Junho de 2009

É a economia, estúpido...

Falemos de dinheiro, falemos de economia – e comecemos com humor, num post intitulado Aritmética difícil. Ana Vidal, no Delito de Opinião, estava a ver o Prós e Contras e sublinhou o frase do Ministro da Economia Manuel Pinho: "O grande desafio para Portugal, nos próximos anos, são dois.". Pergunta Ana: “Quando será que o PS aprende a fazer contas??” Ainda sobre Pinho, João Carvalho também estava a ver o programa e acha que ele é mesmo “o ministro de quem se fala. Nem sempre bem, é verdade, mas isso são as injustiças do mundo. Quando a crise ia começar e ele disse que a crise já tinha passado, acham que ele não sabia disso? Puro engano. O ainda ministro da Economia é um visionário, um homem muito para lá deste tempo. Ele já vai no ano 2012. Manuel Pinho é um incompreendido por ser um homem muito à frente”.

Sobre a crise, Pinho não voltou a falar - já sobre Obras Publicas, bom, entre ele e Mário Lino, o Governo patinou meses a fio... Escreve Rodrigo Adão da Fonseca no blog Insurgente: “Depois de mais de dois anos de persistência – e tudo começou por ser posto em causa na blogosfera – o Governo optou por adiar as grandes obras. No fim-de-semana, assistimos à publicação de um manifesto promovido por 28 economistas, e à capitulação pública de Mário Lino. À esquerda argumenta-se – “quem são estes 28 economistas?” – apontam-se-lhes “agendas escondidas“, há quem ponha em causa a sua credibilidade. Certo é que, actualmente, não há nenhum economista de renome que seja capaz de, consistente e abertamente, defender as supostas obras do Regime. (...) Eu, cá para mim, de há muito que defendo uma alternativa: deixem o dinheiro no bolso dos portugueses. Fica lá tão bem”.

Este grupo dos 28 economistas tem sido tema de debate também. Nos Blasfémias, LR acha que tem “carradas de razão no diagnóstico. Na terapêutica, permanece a visão puramente tecnocrática: mais estudos, cujo efeito prático se limita, geralmente, ao enriquecimento dos consultores. Ou seja, não há uma recusa liminar e definitiva dos mega-projectos. Lamento porém que só tenham acordado agora para o problema (com algumas honrosas excepções, designadamente Rui Moreira, Medina Carreira e Campos e Cunha)”. Exactamente no mesmo sentido vai Tomás Vasques que cita mesmo Augusto Mateus: «Esta tomada de posição tenta apenas "destravar" um país que queria fazer investimentos sem estudos», e foi acrescentando, para que não hajam dúvidas, que o novo aeroporto é uma prioridade.

Talvez por isso, Carlos Santos, no Câmara de Comuns, diz que o “documento é vocacionado para a resolução dos estrangulamentos da economia portuguesa a médio / longo prazo”, Mas ele sente a urgência de uma “gestão política de conjuntura”, e (...) essa é keynesiana e tem de passar, neste tipo de crise por um endividamento público superior ao normal. (...) No curto prazo há uma opção estrutural entre défice e desemprego e as opções de PS e PSD nessa matéria parecem claras. No longo prazo, para onde o documento está vocacionado, eu percebo que não haja. Mas convinha não morrermos de fome antes”.

Como dizia o outro: é a economia, estúpido...

 

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Segunda-feira, 22 de Junho de 2009

A loura do regime

Foi primeira página do jornal i no sábado passado: Pacheco Pereira é a loira do regime.

A citação era atribuída a Luis Filipe Menezes, numa entrevista ao jornal, que lá dentro explicava o sentido da frase explosiva:”Não é nada de depreciativo. Quando nos lembramos do "La Dolce Vita", de Fellini, nenhum de nós se lembra do Marcello Mastroianni, mas lembramo-nos da bela sueca a tomar banho na Fontana di Trevi. Cada filme, cada país, cada circunstância, cada momento histórico, tem a sua loira do regime. No nosso momento histórico, o meu companheiro Pacheco Pereira é a loira do regime. Ele só quer centrar todas as atenções nele, independentemente daquilo que esteja em causa. É evidente que a loira do regime é sempre má actriz. Quando se lhe dá um papel importante dá sempre para o torto - mas esteticamente é fantástica”.

João Gonçalves chega-se à frente e pergunta: “E se eu me apetecesse dizer que o dr. Menezes, de Gaia, era a Belladonna do regime? «Não é nada de depreciativo».

No corta-fitas, Nuno Saraiva também se interroga, mas a pergunta é outra: “Como é que alguém consegue ver Pacheco Pereira na cena do magnifico 'La Dolce Vita, de Federico Fellini, em que "a bela sueca" toma banho na Fontana di Trevi? Só mesmo o inefável dr. Menezes”.

A frase, com ou sem contexto, é forte. Paulo Pinto de Mascarenhas repara que “José Pacheco Pereira ficou ofendido” e reconhece que “Está no seu pleno direito”. Como editor do jornal, diz-se “obviamente solidário com a escolha editorial, porque retrata de modo singular uma guerra que vem de longe entre Menezes e Pacheco. Qualquer jornal britânico de referência não deixaria de escolher aquela frase”, escreve Paulo que remata: “Pacheco Pereira ataca muitas vezes a ERC e o seu carácter "censório", mas lá no fundo, bem lá no fundo, o que ele gostaria era de ser a ERC do regime”.  

O próprio, só no seu blog, Abrupto, se defende. E começando por dizer que se paga “UM PREÇO POR CRITICAR OS JORNAIS”, escreve: “Não me pronuncio, como é óbvio, sobre a "entrevista" de Menezes que está ao seu nível e que não me surpreende. Mas surpreende-me que um jornal que se pretende sério escolha uma frase insultuosa para título, e isso é de sua responsabilidade. Sucede que, na quarta-feira passada, o i tinha-me pedido uma entrevista de fundo. Por consideração com a Maria João Avilez que ma pediu, dei a entrevista (…). Mas enganei-me quanto à seriedade do jornal a que dei a entrevista, pelo que, a não haver um pedido de desculpas pela afronta, não autorizo a sua publicação”.

Talvez Tomás Vasques tivesse razão quando, há algum tempo, escreveu no seu blog Hoje Há Conquilhas que Pacheco Pereira “é um comunista (na análise, na metodologia e na luta política) estilo vintage. Escolheu o PSD para travar os seus combates. Outros escolheram o PCP, e outros optaram pelo Bloco de Esquerda. Mas, em democracia, cada um escolhe o partido que lhe dá na gana”. E já agora, digo eu, escolhe também a cor de cabelo que quer. Uma coisa é certa: matar o mensageiro porque traz e comunica a mensagem é um dos mais antigos equívocos do ser humano...

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Sexta-feira, 19 de Junho de 2009

Blog da Semana: Nota Final

Esta foi a semana das semanas para os estudantes do ensino básico e secundário: exames nacionais que se prolongam ainda por mais alguns dias. Para sentir a aferir o que pode passar pelas cabeças das 250 mil almas que foram a exame, ou para recordar o que todos nós, que já passámos por isso, sentimos, encontrei o blog ideal que constitui a minha escolha desta semana: chama-se Nota Final, é um blog agregado do jornal Público – alias a morada é http://blogs.publico.pt/notafinal/

E junta alguns estudantes que desabafam, contam histórias, revelam bocados dos seus diários, tudo à volta dos exames nacionais. O subtítulo do blog é justamente 2 semanas de exames na vida do estudante. Lá está a Maria, uma semana antes, a dizer: “Estou desejosa que passe a próxima semana...estou cansada e ainda não fui à praia! Depois de fazer os exames a última coisa que quero ver são livros de física, fórmulas químicas, composições mineralógicas de rochas e o aparelho digestivo da minhoca!”. Lá está o Luís Loureiro que fala do dia de todos os nervos: “Chegou o dia. De hora em hora acordava assustado e preocupado em não chegar tarde ao exame. Mas como senhor responsável que sou, avisei os meus parentes mais próximos (...) para me acordarem a horas e foi então o que sucedeu.

Já na escola, pouco antes da chamada, fazia uma revisão mental, pensando para mim os tópicos mais importantes da matéria. Foi então que chamaram o meu nome (...) e entrei para a sala. Em seguida surge o impasse de ver os professores com os exames e pensar se será fácil, o que sairá, como será a gramática. Até ao momento em que, em silêncio total, ouve-se os sinos da igreja a dizerem em bom som, SÃO NOVE HORAS. (...) Em seguida dá o toque, como primeiro a receber os meus pensamentos na sequência, versão 1, Felizmente há luar (a esboçar um sorriso) e quadro de ligação. Em seguida comecei o teste com muita tranquilidade, com o relógio na minha frente fui verificando se não passava o quarto de hora para cada pergunta de interpretação, a meia hora para a gramática e a outra meia hora para o texto argumentativo. E assim foi, consegui fazer o exame com calma (...)  Sai da sala com a impressão que me tinha corrido bem e que era um exame bastante fácil, contudo quando vi a correcção fiquei um pouco mais triste, mas mesmo assim não será nada de grave (espero eu). Mas mais do que tudo isto lembrei-me de algo que me esquecera de fazer devido a todo o stress do exame, lavar os dentes”.

Lá está também a Catarina: “Agora o medo é outro, a nota. Apesar de ter sido realtivemente fácil e de ter consciência do que realizei, a nota é sempre algo um pouco inesperado. Só resta aguardar e preparar-me para a prova final do meu curso”.

São textos assim, terra a terra, sem pretensões, ligeiros, bem humorados, bem escritos. Um blog que nos faz voltar aos bancos da escola ou nos faz sentir bem acompanhados nestes momentos de nervos. Fica a ideia, leia a Nota Final e... boa sorte para os exames!

publicado por PRD às 00:10
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Quarta-feira, 17 de Junho de 2009

Em reflexão

Hoje navego na rede ao sabor do vento, sem procurar uma ideia fixa. Incontornável começar pelo Benfica, pois a melhor frase que encontrei hoje no mundo dos blogues passa pelo novo treinador. Foi José Medeiros Ferreira quem escreveu, reparem na riqueza que aqui vai de ideias, ironias e verdades: “Enquanto Durão Barroso é presidente da Comissão Europeia até pelos erros que cometeu - Bicesse, guerra do Iraque,etc - já Jorge Jesus, que chega a treinador do Benfica, só se aguentará se der títulos ao SLB. No Benfica o único critério para um treinador como Jorge Jesus é a vitória. É um mundo sem atenuantes nem cumplicidades na derrota”. Nesta ligação entre politica e Benfica leio Rodrigo Moita de Deus no 31 da Armada: “No mesmo dia em que Luís Filipe Vieira anuncia a recandidatura, o Benfica fecha o contrato com Jorge Jesus”. Remata o Rodrigo: “ e ainda se queixam dos políticos”...

Politica, políticos, mantenho a profissão, mudo a actividade e aterro na educação, aí estão os exames nacionais. Sem Comentários, Carlos Abreu Amorim cita o que leu no twitter: «Um aluno diz na SIC Noticias que espera que o exame seja fácil porque é ano de eleições».

Ano de muitas eleições, digo eu, no mundo dos blogues também se discute a decisão de juntar ou separar actos eleitorais. Independentemente das estratégias, e do que interessa a cada partido, António Balbino Caldeira, no polémico blog do Portugal Profundo, tem vindo a demonstrar a sensatez de juntar autárquicas e legislativas no mesmo dia. E o dinheito, bom o dinheiro.... “Os custos de separação das eleições legislativas e autárquicas recomenda que as eleições se realizem no mesmo dia. Separar as eleições constitui um desperdício que, na actual situação do País, o povo não tolera”. O autor do blog faz contas: custa 5 milhões de euros a mais realizar as eleições em separado. A este valor Balbino Caldeira acrescenta valores não mensuráveis como “o custo de deslocação dos eleitores até às terras de origem e o custo cívico da maior abstenção”.

Tudo argumentos sobre os quais vale a pena pensar. Aliás parece-me que hoje decidi afinal saltitar por sobre temas que merecem reflexão. E retiro-me em boa ordem com este outro assunto, que Manuel Jorge Marmelo deixou em aberto no seu Teatro Anatómico, e que vos deixo à consideração para pensar e eventualmente sorrir: “atentai à notícia que, no JN, dá conta do julgamento de um homem de 54 anos, Carlos P., o qual assaltou 26 bancos para pagar as contas relativas a chats de encontros de carácter, digamos, sexual. Eu não sei se há bons e maus motivos para iniciar uma carreira de crime, mas parece-me, assim de repente, que há pretextos cuja elevação deve ser tida em conta como atenuante”. Como diria o Sr. Comentador, fora isso, tudo bem...

 

publicado por PRD às 00:09
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Terça-feira, 16 de Junho de 2009

Ao oitavo dia, reunião...

E ao oitavo dia, o PS reuniu a sua Comissão Politica para analisar os resultados eleitorais, a estratégia a seguir, a actual situação política. O comunista Vítor Dias, no blog O tempo das Cerejas, acha o timing estranho e acha que a “distância temporal” “fala por si”: “Perante os maus ou péssimos resultados eleitorais que já teve na sua história, tivesse alguma vez o Comité Central do PCP reunido só uma semana depois do dia das eleições e o que então não teria sido escrito e dito sobre estes truques dilatórios manifestamente usados para amortecer o impacto psicológico dos maus resultados e deixar «passar a onda»!.

A onda não vai boa, em qualquer dos casos, e foi curiosamente ontem que encontrei a mais interessante análise dos resultados eleitorais. Assinada por CC, no blog Aspirina B, diz assim: “há que ser claro – há que continuar a ser claro: Sócrates ganhou. Nem mais: ganhou. Confuso? Não – apenas triste. Eu explico: Sócrates perdeu as eleições para si mesmo. Não para Louçã, não para Jerónimo, não para Melo – muito menos para Rangel. Repito: Sócrates perdeu as eleições para si mesmo. E foi, assim, ele o grande vencedor das eleições europeias – é essa a grande vantagem de se jogar sozinho no tabuleiro das decisões dos portugueses. O que não quer dizer, bem visto, que não tenha sido ele o grande perdedor das eleições europeias. Viva a democracia, viva a pluralidade. E viva, claro, a minha demência analítica!”

Interessante olhar, este, que certamente não esteve em jogo ontem na Comissão Politica dos Socialistas. À tarde, o porta-voz Vitalino Canas foi logo distribuindo jogo e João Gonçalves notou o facto: “O sr. Vitalino Canas (...) deu agora pela circunstância de o seu partido ter de "dialogar" mais com o eleitorado. Presumivelmente Canas - e o seu dono - acha que "dialogando" com o eleitorado que até agora desprezaram do alto da maioria absolutista, cega, surda e muda resolve os problemas. Não resolve. Há muito que defendo que o PS devia mudar de porta-voz. Pelos vistos não chega. É mesmo preciso mudar de PS”.

Com maior ou menos dose de exagero, é um facto que o PS está numa encruzilhada, como bem escreveu Paulo Pinto Mascarenhas no ABC do PPM, que antecipou o cenário que entretanto se tornou realidade: “Aposto que hoje vamos ouvir mais do mesmo: o PS deve prosseguir imperturbável o seu caminho de reformas e obras públicas. As eleições europeias deixarão de ser consideradas a primeira volta das legislativas e reduzidas à dimensão europeia que antes não tinham. Mas a derrota fez a sua mossa e dificilmente tudo continuará a ser como dantes”.

Rapidamente o site do Público reparou que à entrada da reunião dos socialistas José Sócrates falou de uma maioria parlamentar, não de uma maioria absoluta, e choveram comentários. Sublinho este, de Luís Filipe: “Piano... piano... Toca a baixar a bolinha pois finalmente percebeu que nem todo o povo português é seu apoiante... Onde anda a arrogância e desprezo pelos outros que sempre o acompanhou?“

Agora, até às eleições, é como no ciclismo: sempre em sprint

publicado por PRD às 00:08
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PRD

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Estes textos são escritos para serem “falados”, ou “lidos”, pelo que não só têm algumas marca de oralidade (evidentemente, propositadas...) como é meu hábito improvisar um pouco “em cima deles” no momento em que gravo a rubrica. Também é relevante dizer que, dado tratar-se de uma “revista de blog’s” – e uma vez que os blog’s não se preocupam com a oralidade ou com a eventual citação lida dos seus textos -, tomo a liberdade de editar minimamente os textos que selecciono. Faço-o apenas para que, em rádio, não se perca a ideia do blogger pelo facto de escrever frases longas e muito entrecortadas. Da mesma forma, não reproduzo palavrões nem frases pessoalmente ofensivas, assim como evito acusações cuja possibilidade de prova é diminuta ou inexistente. Sendo uma humilde crónica de rádio, tinha ainda assim de ter alguns princípios. São estes. Quem tiver razão de queixa, não hesite!

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