Sexta-feira, 28 de Novembro de 2008

Blog da semana: Risco Contínuo

O mundo dos blogues vive muito por contágio, e normalmente em vagas de fundo. É assim que nascem blogues novos, colectivos, que reorganizam o espaço virtual e acabam sempre por o enriquecer. Diria então que vivemos um tempo morno na blogesfera, parece haver pouca vontade de criar novos blogues colectivos, daqueles que se organizam em torno de uma ideia, ou mais ideias, ou de pessoas com afinidades. A não ser, claro, quando de uma dissidência nasce um novo espaço. Não é de todo o caso do meu destaque da semana – o novíssimo Risco Contínuo, que se pode encontrar em risco-continuo.blogs.sapo.pt/.

Estrada dos bravos, blog dos livres – assim se autocaracteriza o blogue onde se encontraram um conjunto de nomes tão variado e de origens tão diferentes que tem tudo para resultar num bom blog de leitura diária. Alexandra Marques, Duarte Calvão, José Abrantes, José Mendonça da Cruz, João Eduardo Severino, João Távora, MissangaAzul, Paulo Cunha Porto, Tiago Salazar e Vasco Rosa são os colaboradores deste Risco Continuo. Há jornalistas com e sem experiência em blogues, há bloguers que vêm de outras galáxias, há acima de tudo muitos pontos de vista diferentes. Nestes primeiros dias, os autores apresentam-se, mostram um ar da sua graça, acomodam-se à casa. Gostei especialmente do primeiro post de João Távora, onde de certa forma acaba por definir sem querer o próprio blog tendo como ponto de partida a sua experiência anterior: “A blogosfera proporcionou-me durante os últimos anos, o prazer de opinar, de dizer livremente o que me passava na alma, quantas vezes arriscando no arame os limites da exposição pessoal. Um risco por vezes mal calculado: talvez quem como eu escreve por gosto, nem sempre domine bem o bichinho exibicionista que lhe anima a alma irrequieta. É mais forte do que eu: não resisto ao risco contínuo”.

Noutro parágrafo, João Távora sublinha o ponto essencial que faz do mundo dos blogues, actualmente, o mais interessante e rico no debate politico, social, cultural: “Nos dias que passam (apesar de tudo cada vez mais interessantes), há um meio por excelência onde se pode experimentar verdadeira liberdade e diversidade: é na Internet e nos blogues onde pela sua natureza orgânica se contraria a realidade virtual produzida pelos media tradicionais tendencialmente avassalados ao sistema que os sustenta”. E remata com um olhar sobre o país: “Portugal deixou de olhar para o céu à procura de horizontes e passou a olhar para o chão á procura de migalhas... Frase lapidar esta, dum meu companheiro de causas que eu tanto gostaria de contrariar. Numa nação sonolenta e desapegada do futuro, (...) parece-me urgente recuperar o risco da utopia e a assunção do conflito de ideias. Uma letra viva e agitada que resgate as gentes do medo de existir... de pensar e de agir”.

É certamente nessa letra viva a agitada que o Risco Continuo aposta e investe. E nós cá estaremos para seguir o risco...

 

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Quinta-feira, 27 de Novembro de 2008

O Zé está em falta?

Tinha que ser: o Zé está na berlinda, agora que o Bloco de Esquerda lhe tirou o tapete. Falo de José Sá Fernandes, claro, o vereador que se promoveu com o cartaz que dizia “O Zé faz falta”.

“A quem?! será caso para perguntar agora”, e é a pergunta que Alexandra Marques faz no blog Risco Contínuo: “Diz o vereador que "este PS tem sido bom para Lisboa" para logo de seguida garantir ao jornalista do DN que não lhe "arranca nem uma palavra" sobre a eventualidade de, em 2009, ser candidato a vereador numa lista (deste) PS, liderada por António Costa”.

Pois é, o retrato não está a ficar bonito, como escreve Paulo Colaço no blog Chá Preto: “O senhor vereador, paladino da moral, mensageiro dos princípios e inquisidor-mor das más práticas, deixou cair a capa. Agora "está no Poder". (...) Quem anda tão cegamente atrás dos holofotes não augurava boa coisa...”.

É inevitável ir ao blog Arrastão, onde Daniel Oliveira tem um longo post sobre o tema, ressalvando que trabalhou “activamente nas duas campanhas de Sá Fernandes”. Daniel diz, em resumo: “De Sá Fernandes, esperava mais firmeza na relação com o PS, mais coerência com os seus combates de sempre (...), mais autonomia na relação com António Costa e mais respeito pelo partido que o ajudou na eleição. (...) Do Bloco, esperava mais sangue frio, mais diplomacia, mais respeito pelo vereador que ajudou a eleger. (...) Porque é do Bloco que sou militante, porque os erros do Bloco são erros meus, (...) é com o Bloco que estou mais desiludido. E foi por isso que ontem votei contra uma resolução que põe em Sá Fernandes todas as responsabilidades deste desencontro”. JRV, no Activismo de Sofá, concorda: “As culpas deste divórcio repartem-se quase igualitariamente (...). Sá Fernandes deixou assim de ser o “Zé que faz falta” (...) para passar a ser uma desilusão (...). O Bloco, por seu turno, falhou a sua primeira grande experiência governativa”. Medeiros Ferreira fala num “código genético da união estabelecida” entre Sá Fernandes e António Costa, código esse onde o divórcio com o Bloco “estava inscrito”. Renato André, um ex-apoiante de Sá Fernandes, atira-se ao vereador desavindo no blog Reflexões Banais: “Para mim, a decisão hoje tomada pelo Bloco de Esquerda (...) só peca por tardia. Devia ter sido logo tomada no dia em que ele anunciou o acordo com o PS. (...) O Bloco, ou outro qualquer partido, não têm obrigação nenhuma de estar no poder coligado com outros partidos. Cada partido executa o seu próprio programa de governação, (...) tem o dever de não defraudar as pessoas”. Porfírio Silva, no Machina Speculatrix, prefere olhar o partido por ele próprio e de alguma maneira fecha o circulo deste caso: “O BE, um partido que podia ser útil, (...) seria talvez capaz de sobreviver ao irritante jeito moralista-sacerdotal de Louçã.
Mas o BE não sobreviverá certamente a esta insistência em se perder nos mesmos labirintos do poder que todos os outros usam. Não estranha, sabendo que velha esquerda lidera o Bloco, que o Bloco ponha o partido acima de tudo. Mas não podiam esperar um pouco mais antes de mostrar isso tão claramente?”




 

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Quarta-feira, 26 de Novembro de 2008

25 de Novembro

Ontem assinalou-se a passagem de mais um aniversário do 25 de Novembro – data que, de alguma forma, traçou fronteira entre certa esquerda e o centro e a direita. Passados mais de 30 anos, o tema ainda consegue mobilizar opiniões e ideias...

Manuel Castelo Branco, por exemplo, no 31 da Armada algures entre a ironia e o cinismo, diz “25 de Novembro, felizmente hoje é feriado nacional”. Sabemos que não – mas deveria ser? O Blog Atlântico recupera essa questão num texto de Rui Ramos publicado na revista com o mesmo nome:  “É curioso que as direitas comemorem, simultaneamente, o golpe de 25 de Novembro de 1975 e a memória de Francisco Sá Carneiro. O 25 de Novembro evitou uma guerra civil? Sem dúvida. Mas evitou também, através de um pacto de transição, a ruptura com o património do Período Revolucionário Em Curso (PREC) (...). A revolução parou, mas não recuou. Foi contra esse património revolucionário (...) que lutou Sá Carneiro. Aqueles que nele se revêem deveriam talvez comemorar outro Novembro, o de 1977, quando Sá Carneiro, ao abandonar a presidência do PSD, iniciou a ruptura com o pacto de (...) Novembro de 1975”.

No Blasfémias, JCD é mais objectivo: celebra-se “o dia em que, depois de 49 anos e seis meses, a democracia deixou de estar suspensa!”. Corrige-o, de alguma forma, José Mendonça da Cruz no blog Risco Continuo, para quem Portugal “conquistou (...) o direito de ser democrático, e talvez um dia seja livre”. Mais simples, no Insurgente Miguel diz apenas que se comemora “a derrota do comunismo em Portugal”.

Claro que procurei também quem olhasse o 25 de Novembro pelo lado da esquerda. Encontrei no blog Cravo de Abril o comentário de Chalana, a propósito do lançamento das memórias de Pires Veloso, o vice-rei do Norte protagonista desses dias de brasa: “O Pires Veloso bem sabe que o 25 de Novembro foi uma provocação da direita golpista, da direita que fingia não ser golpista e da social-democracia que fingia ser de esquerda e "democrática": MDLP, ELP, CDS, PPD e PS. Infelizmente, alguns oficiais esquerdistas, sem terem em conta a correlação de forças no plano militar e, sobretudo, político, deixaram-se arrastar para a provocação milimetricamente preparada”.

Ou seja, a História continua a poder ser escrita de várias formas, opostas e contraditórias. Num tempo em que tanto se fala de comunicação política e marketing, fecho a janela com uma sugestão: uma visita ao blog de Luís Paixão Martins, sim, o homem da “agência de comunicação do regime”, como lhe chamam. É que Paixão Martins, em 1975, era jornalista e ontem recuperou no blog o seu dia 25 de Novembro. Lá está a foto de um jovem no centro do furacão: “Salgueiro Maia estava às portas de Lisboa, conta LPM, (...) à frente de uma coluna de tanques. Parou para prestar declarações. Qualquer coisa do género "estou aqui às ordens do Senhor Presidente da República". Dois jovens jornalistas tomam notas apressadas. (...) Em 1975, (...) eu, guedelhas e de casaco aos quadrados tão anos 70, no Jornal Novo (...) Que dias”.

Pois sim: que dias... desses anos do casaco aos quadrados para os dias de hoje, um salto no tempo. E que salto, meu deus...

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Terça-feira, 25 de Novembro de 2008

Julgamentos populares

Este começo de semana traz de novo à luz do dia o espectro do julgamento popular. Por palpite, ou por puro palpite, condenamos uns, absolvemos outros. Talvez por isso me chamou a atenção um post de André Couto no blog Câmara de Comuns. Ele aproxima casos e pessoas e é inteligente o seu olhar. Vejamos: “A cada dia aumenta a sensação de deja vu quando leio algo sobre o caso BPN. (...) Aconteceu outra vez. O Presidente da República fez um comunicado a falar do acessório, sem se debruçar sobre o essencial: a posição de Manuel Dias Loureiro no Conselho de Estado, pela quota de nomeação pessoal do Presidente. Para além disto cada vez mais penso em Vale e Azevedo e Carlos Silvino. Vale e Azevedo foi o bode expiatório do futebol. Era preciso pegar em alguém e foi o fausto ex-Presidente do Benfica a comer (inteiro) o bolo que devia ter sido distribuído por inúmeros dirigentes desportivos cá do burgo. Já no Caso Casa Pia foi o carismático Bibi a ficar com a fava. Qualquer dia acredito que ele transportava as crianças entregando-as a "ninguém". Entretanto todos lavam as mãos do caso BPN. Será que também vou ter de acreditar que todos os frutos ficaram para Oliveira e Costa?”

Esta ideia começa a ganhar forma – a ideia do bode expiatório, de haver um desgraçado que paga as favas. E é isso que leva ao post do blog Jumento sob o titulo: “PAGÁMOS O BILHETE, AGORA QUEREMOS VER O ESPECTÁCULO”. Aplica-se, neste caso, ao BPN: “Os portugueses pagaram um preço demasiado elevado pelas trafulhices do BPN, os mais de mil milhões de euros foi quanto custou o bilhete, demasiado dinheiro para que agora nos escondam toda a verdade (...). Não basta transformar Oliveira e Costa no boi da piranha, o buraco é demasiado grande para que as investigações se concentrem no antigo tesoureiro do PSD. É preciso puxar a ponta da meada até às últimas consequência, limpando o Estado dos homens do BPN”.

Ainda neste domínio do bode expiatório, que seria o tema do dia se aqui houvesse um tema, encontro João Carlos Silva no blog “Causa das Coisas” falando de educação: “Mantenho-me fincado na minha tese: Maria de Lurdes Rodrigues é a cara de um pacote de políticas de José Sócrates e vai cair ainda a tempo das eleições, não sem antes as «reformas» na Educação passarem sob grande protesto. Passando ela como a «culpada» de tudo, bastará substitui-la antes das legislativas (...). É que sempre existirão ministros que, a dada altura da legislatura, só servem para isto, para se sacrificarem pela causa. Ministros que, como se diz na gíria, são «para queimar»”.

Exemplos diversos, todos do dia, para chegar a um mesmo lugar: gostamos de cultivar a teoria do bode expiatório, seja no crime, na politica, na finança, no futebol onde o árbitro ou o treinador dividem a culpa ou passam-na à vez. O objectivo é sempre o mesmo: alguém paga a factura. Numa clássica frase em tempo de crise, “o último a sair que apague a luz”.

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Segunda-feira, 24 de Novembro de 2008

Estranho ambiente

Talvez a noticia do fim-de-semana tenha sido o comunicado do Presidente sobre insinuações e boatos que pairavam por aí, mas acho sinceramente que Paulo Gorjão tem razão quando diz: “Eu, como a esmagadora maioria dos leitores deste blogue, não sabia de nada. Não era notícia. Ontem, Aníbal Cavaco Silva decidiu dar a dignidade de um comunicado oficial da Presidência da República a mentiras e insinuações. Consequentemente, o que não era notícia passou a a ser notícia. Mentiras e insinuações”. Carlos Abreu Amorim acha mesmo que o comunicado do Presidente “gera mais problemas do que aqueles que pretende resolver”.

Na verdade, ao ouvir o comunicado e ler os comentários que foram surgindo, lembrei-me de um post de NancyB no Geração Rasca sintomaticamente intitulado “Manicómio”, onde se pode ler:

“Dias Loureiro quer ser ouvido, mas os deputados do PS não o querem ouvir. Oliveira e Costa está a ser ouvido, mas os contribuintes portugueses não o querem ouvir.
Dias Loureiro diz que disse isto, mas o vice-presidente do BdP diz que ouviu aquilo.
Manuela Ferreira Leite quer estar em silêncio, mas obrigam-na a falar. Manuela Ferreira Leite fala, mas os seus ouvintes perderam o sentido de humor.
Os professores falam, mas não são ouvidos. A ministra fala, mas não é ouvida. Os professores, a ministra, a fenprof, os pais, os alunos e os auxiliares falam, mas não se ouvem”.

Parece que se vive efectivamente um ambiente enlouquecido, onde sombras, factos, opiniões e boatos se misturam como se fizessem parte do mesmo saco. Luciano Amaral, no Gato de Cheshire, diz que “o país distrai-se com umas coisas, mas aquelas verdadeiramente importantes estão a ocorrer noutro lado”. E avisa que devemos ter medo, mesmo medo, quando “os presidentes da administração do BCP e da Caixa Geral de Depósitos revelam (...) que vão pedir garantias do Estado para contrair empréstimos, respectivamente, de cinco mil milhões de euros e dois mil milhões de euros. Para quem ande distraído, isto corresponde, para ajudar só dois bancos portugueses, a um valor proporcional à economia nacional (mais ou menos 4% do PIB) idêntico ao Plano Paulson para salvar o conjunto do sistema financeiro americano. (...) Para um país que ainda há dias se vangloriava de atravessar com orgulhosa vela enfunada a crise internacional, dá uma noção das proporções”.

Do Presidente da Republica aos bancos em crise, a linha condutora é sempre a mesma: sinais preocupantes de angustia e desconfiança. Uma vaga ideia de algo cujo controlo nos escapa e que todos os dias nos consegue surpreender com piores noticias... Apetece fechar citando Pedro Mexia, no seu excelente blog Estado Civil, generalizando sobre este nosso mundo: “Os ingénuos acham que o mundo é simples e depois ficam surpreendidos com um mundo complexo. Eu sou um ingénuo especial: achei que o mundo era complexo e afinal é bastante simples. Há instintos, interesses, desejos e lógicas de classe. Não há mais nada”.

publicado por PRD às 15:48
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Sexta-feira, 21 de Novembro de 2008

Blog da semana: Paul Auster

Aos poucos, os promotores, os homens do marketing, começam a perceber o potencial de um blog e a fazer reverter esse potencial para as suas campanhas. A minha escolha desta semana recai justamente sobre um excelente exemplo de como se pode, com um blog e alguma atenção, lançar convenientemente um livro.

O livro chama-se Homem na Escuridão, o autor é Paul Auster, que está em Portugal na semana em que o livro é lançado. Mas já há algum tempo que na morada paulauster.blogs.sapo.pt se pode saber tudo sobre o autor, o novo livro, o que se vai dizendo na imprensa sobre ele, ligações ao facebook e ao twitter, e até uma entrevista exclusiva em vídeo à plataforma de vídeos do Sapo, uma espécie de you tube à escala nacional.

O blog chama-se simplesmente Paul Auster, é alimentado certamente pela editora do “escritor,argumentista, tradutor, ensaísta, realizador, marinheiro, inventor de um curioso jogo de cartas e muito mais”, como por lá se lê: “Paul Auster é considerado um nome cimeiro da literatura dos nossos dias”, entre os seus livros mais conhecidos estão Leviathan, Palácio da Lua, Livro dasIlusões, entre tantos.

O novo Homem na Escuridão parte, conta-se no blog, de uma pergunta: “E se a América não estivesse em guerra com o Iraque mas consigo própria?”. E depois desenvolve-se assim: ”Nesta América, as Torres Gémeas não caíram e as eleições presidenciais de 2000 conduziram à secessão, com estado após estado a abandonar a união e uma sangrenta guerra civil a instalar-se. Este mundo paralelo é criado pela mente e coração perturbados de August Brill, um crítico literário vítima de insónias. Com 72 anos, Brill está a recuperar de um acidente de viação em casa da filha, no Vermont e, para afastar recordações que preferia esquecer – a morte da mulher e o violento assassinato do namorado da neta –, conta histórias a si próprio. Gradualmente, o que Brill tenta desesperadamente impedir insiste em ser contado. Com a neta a juntar-se-lhe de madrugada, ele arranja finalmente coragem para revisitar os seus piores dramas”.

Ora, o que há de estranho, diferente, porém relevante, neste blog, é justamente ele ser assumido como um blog de Paul Auster mas, ao percorrê-lo, percebermos que é afinal sobre o escritor e não dele enquanto autor.

O plano de observação é portanto diferente – mas não deixa de ser um ponto de interesse e uma outra forma de fazer marketing sem deixar de criar proximidade entre, neste caso, um escritor e o seu público. Lá estão, aliás, as primeiras linhas do novo livro para abrir o apetite:

“Sozinho na escuridão, revolvo o mundo na minha cabeça enquanto me debato com mais uma insónia, com mais uma noite em branco na imensidão da natureza selvagem da América”.

O blog abre o apetite para a leitura, aproxima-nos do escritor, leva-nos pelo seu mundo. Não é Paul Auster por ele próprio, mas é ele na mesma...

publicado por PRD às 15:46
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Quinta-feira, 20 de Novembro de 2008

O fado do samba

São os números do dia: um seis e um dois. Futebol, claro, a selecção nacional foi ao Brasil para levar, como escreve José Nunes no blog Linha Avançada, “um enxovalho como não há memória”. Fala de um “Brasil, em ritmo de samba”, e de um Portugal “embuchado” que levou “fruta com fartura e da boa. Mamão, manga, anona, tudo fruta tropical”. No blog com o seu nome, António Boronha classifica a nossa selecção como “completamente embezerrada”, e nota que Carlos Queiroz  “está-se a transformar num autêntico colecionador de recordes,... pela negativa. Parece-me que por isso, a esta hora, o coração de Gilberto Madail estará a oscilar, na sua devoção mariana, entre as senhoras de fátima e do caravaggio. O meu não. Só porque não sou crente”.

A esse propósito lá vem o apelo habitual, desta vez pelo blog de Paulo Gorjão: “Volta, Scolari, estás perdoado. Isto vai ser muito doloroso. Mais do que a crise (...) o que vai custar a engolir em 2009 é o fracasso no apuramento para o Mundial de Futebol. José Sócrates ainda vai a tempo: Maria de Lurdes Rodrigues pode ficar no cargo, mas Carlos Queirós tem de ir à sua vidinha”. Bruno Sena Martins, no Avatares de um desejo, sugere mesmo que “Queiroz vá mais 10 anos para adjunto de Fergusson até estar realmente preparado para desempenhar funções como treinador principal de equipas seniores”. Já a Blond With a PHD confessa que “É sempre um consolo saber que, finalmente, devemos estar ao nível da selecção uzbeque! No meio disto tudo até tenho pena do pobre do Queiroz: tão infeliz deve estar por ter saído de perto da asa protectora do Sir Alex”. Queiroz, escreve Pedro Correia no Corta-Fitas, deu um “confrangedor espectáculo de passividade, conformismo, falta de liderança, falta de leitura de jogo e absoluta incapacidade de construir uma equipa”. Sobre o jogo propriamente dito, eis o cenário: “Os "canarinhos" foram compinchas: podiam ter marcado bastantes mais. A selecção portuguesa, onde até figurou um tal de César Peixoto, andou desaparecida durante toda a partida: viram-se uns lances individuais, protagonizados por um Cristiano Ronaldo cheio de vocação para futebol de praia, mas nada de equipa. Nadinha”.

Perante este cenário triste, melhor é talvez sorrir com as palavras do Arcebispo de Cantuária, sob o titulo “Na são Valentes”: ”Eles levaram o forró, nós o bodó. Aquele que é o melhor, o segundo melhor e o terceiro melhor do mundo já tinha dito que era a feijões. O ex-empregado do Alex Fergusson escusava de ter cozinhado uma feijoada daquelas. Acabou por armar uma caldeirada. O que vale é que acaba tudo em águas de bacalhau (embora me venha à cabeça um outro prato mais ligado ao prazer íntimo do dito peixe para dedicar aquela rapaziada trabalhadora e aplicada)”.

E por aqui me fico...

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Quarta-feira, 19 de Novembro de 2008

Ditadura social-democrata

Convém começar por recordar este facto: na semana passada, Manuela Ferreira Leite dizia que os media eram culpados da sua mensagem não passar. Pois bem, esta semana a líder do PSD decidiu que a mensagem passava à força e passou mesmo... Por ser gafe, mesmo que seja irónica: “não sei se a certa altura não é bom haver seis meses sem democracia, mete-se tudo na ordem e depois então venha a democracia”. Foi o que disse a Presidente do Partido que quer governar Portugal. E a blogoesfera riu, brincou, falou a sério: “O voto dos taxistas já está garantido”, gritou Manuel Jorge Marmelo no Teatro Anatómico. Mais seco, porém claro, Pedro Correia no Corta Fitas: “This is the end”. No mesmo sentido, com humor, Animal no Blogue dos Marretas limita-se ao título: “cada cavadela, cada minhoca”.

Paulo Gorjão, no Vox Pop, titula o seu comentário de “Titanic” e escreve: “De facto, também não sei se não seria melhor estar seis meses sem democracia. Que tal prescindir das eleições legislativas em 2009?”.

Miguel Vale de Almeida, no Jugular, pergunta se não se pode exilar a líder do PSD e sugere a Madeira como um bom destino.  Acrescenta ainda: “Que saudades do tempo em que estava calada… Faz lembrar aquelas paixonetas que tínhamos, na adolescência, por pessoas “misteriosas”, caladas, que julgávamos “profundas”; quando, um feio dia, abriam a boca, era o desastre completo”.

Mais a sério, Medeiros Ferreira acha que “Manuela Ferreira Leite não foi feita para isto”. As gafes de ontem, escreve o socialista, “dão a medida da distância que lhe falta percorrer para se tornar uma líder partidária de alternativa governamental”. E com ironia acaba por dizer: “não me parece que por este andar Manuela Ferreira Leite tenha ainda seis meses à sua frente...”.

No Geração Rasca, Hélder Franco avança uma ideia original: “O que já vivi em democracia faz-me pensar que entre Ferreira Leite e José Sócrates só há uma diferença: um foi eleito com maioria para exercer uma 'democracia musculada' de quatro anos, “a outra não se importava se fossem só seis meses - nem que fosse de ditadura.”.

No Arrastão, Pedro Sales recupera outra gafe da social-democrata, quando disse que os jornalistas não deviam seleccionar a informação, e escreve: “Com as suas bizarras declarações sobre a suspensão da democracia, não só os jornalistas já têm a selecção feita como conseguirá aparecer nos momentos iniciais de todos os noticiários. Quem sabe à frente das notícias que dão conta do aumento do desemprego e nova revisão em baixa dos indicadores económicos. O PS agradece”.

Realmente, uma vez mais, o Governo e o PS agradecem. Depois de se brincar com o tema, é tempo de coisas sérias. Deixo por isso a sugestão de Filipe Nunes Vicente no blog Mar Salgado: “A linguagem franca e por cima do mainstream faz falta e eu gosto, mas talvez fosse boa ideia pôr alguém a escrever os discursos de Manuela Ferreira Leite. Não se perdia o essencial e ganhava-se clareza”.

publicado por PRD às 19:37
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Terça-feira, 18 de Novembro de 2008

Lisboa e os seus contentores

O programa Prós e Contras recuperou o tema, e eis de novo Lisboa no centro das atenções com o caso dos contentores em Alcântara. Ora, quem viu o programa verificou que José Sá Fernandes, o vereador da Câmara, desta vez estava do outro lado da barreira, isto é, do lado dos contentores. Tal facto já tinha sido notado no blog Troll Urbano por Isabel Faria. Escreveu ela: “Aqui fica um parágrafo do artigo, sobre Alcantara, de Sá Fernandes no Público: "Defendo que devia ter havido concurso público para a concessão do porto, em Alcântara, após 2015, mas uma coisa é certa, temos tempo para todos discutirmos as matérias atrás referidas, sem medalhas nem louvores antecipados, mas apenas com o intuito de prosseguir o interesse público". No tempo em que eu julgava conhecer Sá Fernandes, o interesse público passava por se ter que discutir estas matérias "antes". Nessa altura, (...) Sá Fernandes se defendia uma coisa não achava que haveria tempo de falar nela quando tivesse tempo, calando-a, entretanto. O Vereador vai perdendo a voz com que todos contávamos. Eu perco o meu Vereador”.

Já observando o debate de ontem, João Gonçalves chama-lhe o “Zé Reciclado”. “A triste figura que o "ex-Zé é que sabe" está a fazer no "prós e contras", ao lado da ajudante de Mário Lino, é lapidar. Deve ser, aliás, a única "obra" de António Costa como presidente de câmara. A reciclagem do "Zé".

No seu blog, Miguel Somsen chama ao programa o “Derby da Semana: Sousa Tavares versus Sá Fernandes”. E escreve: “Enquanto Sousa Tavares rosna, Sá Fernandes aguça as unhas. Quando o público aplaude o "bonzinho", Sá Fernandes deixa de se ouvir, e depois a sua explicação soa a demagogia. Para todos aqueles que pensaram que ele poderia ser uma espécie de cavalo de Tróia na Câmara Municipal, assistir a este debate torna-se penoso. O nosso homem do Bloco parece orgulhosamente só. Custa-me imenso aderir à unanimidade, mas a razão estará sempre do lado de Sousa Tavares: esta cidade não quer contentores em Alcântara. Infelizmente ainda ninguém parou para pensar no custo que seria uma cidade sem zona portuária. Lisboa seria outra - e nós também”.

Por aqui vou de encontro ao próprio tema e recupero um texto de Manuel Falcão no blog “Esquina do Rio”: “Qual das actividades beneficia mais a cidade, o seu posicionamento e a qualidade de vida do seus residentes: ser essencialmente um terminal de carga ou ser um destino turístico?  É bom recordar que as duas coisas não são compatíveis – uma cidade terminal de carga (...) não coexiste como destino turístico Premium.  Valia a pena parar para estudar e pensar se queremos uma cidade de carga ou uma cidade de serviços sofisticados. A um ano de eleições uma decisão destas é uma péssima herança deixada para o futuro – é a tentativa de criar um facto consumado”.

O que Manuel Falcão escreveu é, na verdade, o que está em causa no debate de ontem. E está muito para lá de ser apenas um problema dos lisboetas – porque o turismo, na verdade, é uma questão nacional.

publicado por PRD às 19:39
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Segunda-feira, 17 de Novembro de 2008

Mas o Leixões continua na frente...

Os três grandes jogaram no fim-de-semana, o que permite olhar o mundo dos blogues com alguma atenção ao futebol. Três grandes, se eu não contar com o Leixões, claro… Treinador de sofá assumido, Tomás Vasques no Hoje há Conquilhas está desanimado: “Não escrevo mais uma palavra sobre Paulo Bento porque nunca o considerei um treinador de futebol, mas apenas um «espontâneo», ainda por cima barato. Estas linhas são apenas para elogiar o trabalho de José Mota, treinador do Leixões (…) e expressar o meu desejo, como sportinguista, que ele venha (…) para o Sporting para pôr ordem naquele bando de inaptos”. Começando assim, aterro depois em Valupi, no Aspirina B, que se dirige a Paulo Bento: “Mereces um castigo valente, diga-se em abono da higiene no futebol. E perder com o Leixões não seria problema algum, se não fosse evidente teres perdido a equipa, teres perdido o bom-senso e teres perdido os adeptos”. Violentos e enfurecidos, estes sportinguistas: “A vantagem de se postar no dia seguinte a uma derrota é que a "azia" (…) decresce”, escreve Miguel no blog Sector b 32, para dizer depois: “Nada está obviamente perdido em termos de campeonato mas concordo com Paulo Bento quando diz que estamos numa fase má. (…) O jogo com a Naval para a semana é por isso um "must win". José Leirós, no Bola na Área, nota o que sucedeu no sábado: “se Paulo Bento queria assobios, já os teve”. Algo que leva Katanec no 442 a deixar uma “pergunta séria”: “Quando e em que condições é que Paulo Bento poderia ou deveria ser demitido?” O Sporting, recorda o blog Leão da Estrela, ”já perdeu 11 pontos em 24 possíveis (…). É muito desperdício para quem quer ser campeão. A maré negra instalou-se em Alvalade”. Do outro lado da segunda circular, alguma animação: “Mais uma vez, mesmo sem jogarmos particularmente bem conseguimos conquistar os três pontos. Isto é muito importante, (…) é sempre motivador ver os andrades e os queques possidónios a uma distância confortável. Agora falta-nos 'apenas' apanhar o imperturbável Leixões para ascendermos à liderança”. Isto escreve D’Arcy, na Tertulia Benfiquista, blog que esfria se ler a analise do 442: “O Benfica continua a revelar problemas quer na fase de construção ofensiva, quer na gestão das vantagens”. A palavra a um benfiquista frenético, Júlio Machado Vaz, no blog Novo Benfica: “Precisamente porque ganhámos, não há justificação para a ausência da análise tranquila. E que nos diz ela? É obrigatório fazer muito melhor. Ao nível da qualidade de jogo, da concentração e do empenhamento. A não acontecer, o despertar será doloroso...” Sobre o Porto, pouca conversa. Apenas esta ideia, que encontro no blog Reflexão Portista: “A equipa está finalmente a jogar como equipa e a atitude dos jogadores é muito mais assertiva do que em jogos anteriores. Hoje houve confiança, humildade e solidariedade. Deu a sensação esta época ainda não está perdida e que a pior fase parece estar ultrapassada”. Ou seja e em resumo: pessimismo e descrença em Alvalade, muita fé na luz, e uma nova confiança a norte. Mas o Leixões é que vai à frente, claro…

publicado por PRD às 19:41
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PRD

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Estes textos são escritos para serem “falados”, ou “lidos”, pelo que não só têm algumas marca de oralidade (evidentemente, propositadas...) como é meu hábito improvisar um pouco “em cima deles” no momento em que gravo a rubrica. Também é relevante dizer que, dado tratar-se de uma “revista de blog’s” – e uma vez que os blog’s não se preocupam com a oralidade ou com a eventual citação lida dos seus textos -, tomo a liberdade de editar minimamente os textos que selecciono. Faço-o apenas para que, em rádio, não se perca a ideia do blogger pelo facto de escrever frases longas e muito entrecortadas. Da mesma forma, não reproduzo palavrões nem frases pessoalmente ofensivas, assim como evito acusações cuja possibilidade de prova é diminuta ou inexistente. Sendo uma humilde crónica de rádio, tinha ainda assim de ter alguns princípios. São estes. Quem tiver razão de queixa, não hesite!

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