Terça-feira, 30 de Setembro de 2008

Olhos azuis...

Era uma morte esperada, nem por isso deixa de comover e convocar o universo dos blogues: Paul Newman deixa-nos aos 83 anos, foi no fim de semana, mas continuam a cair frases, ideias, homenagens, que vale a pena recuperar nesta crónica quem até tem nome de filme

Pedro Correia, no Corta-Fitas, descreve o ambiente que encontrou na redacção do jornal onde trabalha: “De súbito, escuto uma espécie de lamento colectivo na redacção: as mulheres suspiram num sussurro magoado. Chego a pensar que José Sócrates está em queda abrupta nas sondagens. Mas não é isso: morreu Paul Newman. Os olhos mais azuis da história do cinema, como sublinha o obituário do El Mundo. As mulheres podem suspirar, mas os homens também o admiram: “Há actores extraordinários que parecem umas esfregonas, há gajos com pinta que não são nem nunca serão dignos de serem chamados de actores, pelo meio há uma espécie de deuses e Paul Newman era um deles”, escreve , Afonso Azevedo Neves no Atlântico. Pedro Santana Lopes, no blog com o seu nome; diz que “para além de actor marcante, uma personalidade que merece muita consideração nas suas várias facetas. Um Homem fiel a si mesmo e aos que amou. O Homem que os outros homens aceitavam, e aceitam, que receba os maiores elogios das mulheres. Contra factos não há argumentos”. Nuno Aires Duro no blog Iluminatux Lex, recorda o epitáfio que o actor adivinhou para si próprio: "Estou mesmo (...): Aqui jaz Paul Newman, que morreu porque os olhos se tornaram castanhos". Diz Nuno: “A sua profecia não se confirmou. O seu talento estava muito para além dos seus olhos azuis. Foi mais um ícone, ou talvez, o Ícone”.

No blog Sound and Vision encontro o texto que João Lopes aqui para o rádio: “Era uma notícia esperada — mas é uma notícia inevitavelmente, irremediavelmente triste. De facto, sentimos que desapareceu um dos monstros sagrados da mais nobre tradição de Hollywood: um grande actor, também um grande cineasta e uma figura pública sempre empenhada na defesa da dignidade humana”.

Esse lado politico de Paul Newman é também sublinhado por Tomás Vasques no Hoje há Conquilhas: “um cidadão empenhado e atento, envolvendo-se em muitas causas humanitárias. O seu apoio a McCarthy, nas presidenciais americanas de 1968, valeu-lhe um ódio de estimação de Nixon, o que considerou a maior honra da sua vida”.

É fácil, percorrendo a blogoesfera, encontrar muitas faces da mesma face, conforme quem a vê. Paul Newman permite esse olhar, até quando se pensa que morreu na sequência de um cancro pulmonar que o fez sofrer muito nos últimos anos. Talvez por isso, a frase de Leonor Barros no blog Geração Rasca seja outra forma de pensar a noticia: “Quando a morte é libertação”. Porque, na verdade, João Tunes tem razão no Água Lisa: “Permanecendo o perfume de representação de um dos grandes actores do cinema que apetecia ver”. E assim sendo, a morte não é mais do que a fixação de uma qualquer eternidade.

publicado por PRD às 18:45
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Segunda-feira, 29 de Setembro de 2008

O derby

Entre o Benfica-Sporting e Paul Newman, o coração balança. O caso das casas da Câmara de Lisboa ainda posso adiar, porque vai dar pano para mangas. Agora assim...

Opto pelo Benfica para hoje, amanhã volto a Paul Newman. “Noite de Reyes”, o título óbvio é usado por Paulo Cunha Porto no Corta-Fitas: “O título justifico-o não só pela bela actuação do Extremo espanhol, como por, no duelo entre o Rei da Selva e a Rainha dos Ares ter prevalecido quem se consegue elevar mais alto”.

No Mar Salgado, Filipe Nunes Vicente acompanha o derby em quatro partes. Começa por lembrar que os de Alvalade "São uma turma aguerrida e contam com bastantes adeptos no seu bairro. Não devemos subestimá-los”. Benfiquista assumido, diz que “O verdadeiro hino, muito melhor do que aquela pepineira das papoilas saltitantes e das camisolas berrantes , o "Hino Vermelho", de 1929”, que basicamente canta “Benfica, és o mais querido e não tens igual, nesta terra tão linda de Portugal!”. No fim do jogo, resume: “Jogámos pelas faixas quando pudemos ( ...) e até foi de esguelha que Reyes marcou. Quique talvez tenha finalmente entendido que Amorim não é um médio-ala”.

Jorge Ferreira, no Tomar Partido, chama ao desafio o “rei dos derbies” e reconhece que “a águia voou alto”: “O Benfica é melhor. Ponto final. (...) E um agradecimento especial a Paulo Bento por ter motivado tanto o Benfica durante a semana”.

Já que falo de Paulo Bento, o comentário de Paulo A Silva, sportinguista confesso, no blog com o seu nome, cita o treinador de Alvalade: “O Sporting perdeu porque podia ter sido mais forte em termos ofensivos e defensivamente não soube controlar dois momentos.”. Comenta o blogger: “Deviam ser abolidos dos jogos esses dois momentos em que as equipas perdem o controlo: são sempre esses dois os culpados”.

Do lado encarnado, “Um Benfica à Benfica” é o que deseja o autor do blog O Coiso. Mas “Quique Flores ainda não me convenceu. Confesso: olho para este Benfica e custa-me a integrar os novos jogadores no meu conceito de Benfica. O Carlos Martins é do meu Benfica? E o Yebda? E o Reyes? E o Aimar? (...) São muitos jogadores novos. Tenho que rever a minha noção de Benfica”. No espírito apaixonado que o futebol sempre convoca, O Coiso remata assim: “De qualquer modo, qualquer equipa do Benfica que dê dois secos aos lagartos, é o meu Benfica!”

E o árbitro, árbitro não entra nesta jogo? Entra, claro. Hélder Robalo, no blog Novos Pensamentos, começa por analisar o jogo para escrever: “Confirmou-se, mais uma vez, que quem costuma estar pior na classificação costuma ganhar estes jogos e que Paulo Bento não aprende a estar calado. De que lhe valeram as três vitórias nos últimos três anos ontem? Nada. Nem um ponto. Nem um bom jogo sequer”. Mas depois vem o clássico dos clássicos: “Curiosamente, escreve, não o ouvi a ele ou a Soares Franco falaram da arbitragem e criticarem-se dos critérios duvidosos de Duarte Gomes. Mas isso, meus amigos, é outra história!”.

Lá está: jogo grande sem pôr em causa o árbitro é um pouco como um bolo sem a cereja em cima...

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Sexta-feira, 26 de Setembro de 2008

Blog da Semana: Teodora

Sexta-feira, dia da escolha do blog da semana. No mundo dos livros e da literatura, já passei por muitos blogues, nomeadamente de escritores que querem ampliar a sua escrita, ou promover a interacção com os leitores. Ainda não tinha encontrado um blog de uma personagem.

Encontrei – é o blog da Teodora, a menina que protagoniza uma colecção de livros infantis de grande sucesso. De autoria de Luísa Fortes da Cunha, a colecção da Teodora já ultrapassou fronteiras e existe hoje um pouco por todo o Mundo. O blog, é naturalmente, uma extensão da personagem e um ponto de encontro de informação. Nasceu em 2006 com um post que dizia assim:”Aposto que pensavas que a Teodora já se tinha esquecido de ti… É claro que não! Ela está de regresso para te contar todas as novidades do Mundo Paralelo!!! Por isso, prepara-te para entrares neste universo fantástico de seres mágicos, de passagens secretas, de varinhas mágicas, de pedras flutuantes…”

Teodora vai dando novas de si e dos seus livros, e recebe os leitores, como a Sara Branco Vaz: "...Gosto imenso das aventuras da TEODORA! Quando leio estes livro nem dou por nada! É mesmo muito empolgante. Parece que entro na personagem e é impossivel parar de ler! Desejo muitas felicidades e muitos parabéns à autora”.

Também há a reprodução de matérias de imprensa: “Ela é assim: fiel na companhia, constante na dádiva, irrepreensível na atenção que dedica aos seus amigos ou não fosse para eles a sua fada mais amada. Falamos de Teodora, a personagem que já ultrapassou em muito a sua existência no papel”.

Feliz a autora, Luísa Fortes da Cunha anuncia para o natal o 11º livro da colecção e este mês a edição na Lituânia, depois da edição em inglês e da distribuição nas comunidades portuguesas nos Estados Unidos, Canadá e Bermudas.

O blog da Teodora esta em teodora-luisafortescunha.blogspot.com e é o meu destaque destes dias, dado que, com o novo computador Magalhães distribuído pelas escolas de todo o país, qualquer criança pode enfim aceder ao blog do seu personagem da literatura, abrindo caminho a uma verdadeira terceira dimensão dos heróis que povoam a infância de cada um. A Teodora espera pela criançada...

 

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Quinta-feira, 25 de Setembro de 2008

"Deixem-nos casar..."

Ontem foi dia de debate entre governo e deputados no Parlamento, falou-se muito de crise, mas o destaque acabou por ser a declaração de José Sócrates sobre o casamento entre homossexuais: “não está na agenda política nem do Governo nem do PS”. Mas o debate anda aceso há muito tempo no mundo dos blogues...

No 5 Dias, Palmira Silva defende acha “pelo menos bizarro que por cá se considere carecer «de legitimidade eleitoral e social» o direito fundamental à auto-determinação”. No mesmo blog, Rogério da Costa Pereira não alinha com Sócrates: «[...] Como é óbvio, acho que o PS devia avançar com uma proposta própria, (...) sem ficar à boleia do Bloco e dos Verdes”.

Na verdade, mesmo sem a agenda do PS a discussão está marcada para Outubro na Assembleia e Eduardo Pita escreve no blog Da Literatura: “O PS tem direito a achar que o assunto é para discutir na próxima legislatura, mas não deve impedir a expressão livre daqueles seus deputados que têm a coragem de dar a cara em assunto de tal melindre. Como disse Ricardo Gonçalves, «o PS não pode abdicar da liberdade em temas de felicidade individual». Nem mais”. No blog Gato Maltês, JC percebe a incomodidade do PS nesta matéria e neste momento: “a questão, sendo importante, não é uma questão de tal modo chave na sociedade portuguesa que justifique a emergência, num período já quase pré-eleitoral, de um eventual conflito com o Presidente da República, um outro (...) com a Igreja Católica e, ainda, uma possível divisão do seu eleitorado”.

Ray, no blog Quotidiano Gay, não está optimista: “Acho que ainda não vai ser desta que vamos ter direitos iguais. Não sei se casava, mas gostava de pelo menos ter essa opção”. Do lado feminino, encontro Miranda no blog “Lésbica: simples ou com gelo”: “Posso continuar a sonhar em ter um casamento de sonho, (...) mas isso não chega para acreditar que um dia o nosso país irá evoluir. Ainda assim sei também que as nossas histórias de amor se irão continuar a escrever porque o amor verdadeiro encontra sempre um caminho, mesmo que seja (...) diferente (...). E isso não vai mudar, mesmo que no dia 10 de Outubro continue tudo tal como está”.

No meio da polémica, Paulo Mota Pinto avança com a possibilidade da realização de um referendo sobre o casamento homossexual. Filipe Nunes Vicente, no Mar Salgado, acha a proposta interessante: “ainda que o casamento seja hoje pouco mais do que um ritual tauromáquico, existem questões de igualdade a observar bem como definições do papel do estado a considerar. Também é verdade que o referendo permitiria discutir a importância da família tradicional, coisa que não me parece ser um assunto trivial”.

Como há opiniões para todos os gostos, registo o desacordo de Vasco Campilho no blog com o seu nome: “Num País em que ainda não houve um único referendo vinculativo, sugerir que a possibilidade de casamento entre duas pessoas do mesmo sexo seja referendada só pode ser uma piada.

Por falar em piada, deixo-vos uma que encontrei no blog Trovoadas e que é atribuída ao humorista norte americano Chris Rock justamente sobre o casamento homossexual: “Deixem-os casar..... Eles têm tanto direito a ser infelizes como todos os outros!”.

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Quarta-feira, 24 de Setembro de 2008

Magalhães a nú

O computador Magalhães foi a estrela do dia, com a entrega de milhares de máquinas aos estudantes do primeiro ciclo. No mundo dos blogues, a polémica virou-se para o facto do computador vir totalmente desprotegido, deixando a quem o utiliza a possibilidade de acesso a sites para maiores de 18 anos. Lá irei, gostei de ler este post de Paulo Cagido no blog com o seu nome. Ele coloca o Magalhães no seu devido lugar: “É este o computador que vai diminuir o insucesso educativo no 1.º Ciclo do Ensino Básico? O sucesso aparece de forma natural quando existe numa escola, esforço e dedicação dos alunos, professores e pais/encarregados de educação, órgãos de gestão, numa relação de reciprocidade e não através de máquinas”.

Tem razão e é bom que nos lembremos disto, mesmo concordando com o blog açoriano “Sapateia a Chamarrita” quando escreve “Esta é uma medida socialista inequivocamente, e é de saudar todas as medidas do governo socialista que visam diminuir as assimetrias sociais”. Marco Santos, no blog Bitaites, acha também que esta é “uma iniciativa meritória do Governo”. Sobre a questão do software que impede as crianças de acederem a sites pornográficos, escreve: “Dado que o software de controlo é parental e não estatal, o Governo terá decidido que devem ser os pais a tomar uma decisão sobre o acesso dos filhos à Web. Aos pais cabe a responsabilidade de serem pais? Parece uma opção sensata”. Daniel Oliveira, no Arrastão, concorda e vai mais longe: “Faria pouco sentido que fosse o Estado a decidir o que está interdito aos filhos dos outros em casa deles. A escola deve ajudar os pais a fazê-lo, não a decidir por eles”. No 31 da Armada, Carlos Nunes Lopes ironiza dizendo que “afinal o Magalhães também é para gente crescida”: “João da Mata, coordenador do Plano Tecnológico da Educação, justificou o facto de o Magalhães ser distribuído com controlo parental desactivado: "(...) Assim os pais podem testar todas as potencialidades do equipamento".

No blog Puxa Palavra, João Abel de Freitas critica esta obsessão com os conteúdos menos próprios para crianças: “Esta preocupação revela uma mentalidade doentia, atrasada e tacanha. Peço desculpa pelos termos, mas não me vêm outros melhores. Inclusive numa entrevista com o Professor José Tribolet (...) ele deu a seguinte resposta: os alunos não são filhos do Estado, nas escolas de uma maneira geral esse problema não se porá. A família terá que se precaver e assumir as suas responsabilidades”.

À margem desta polémica, Pacheco Pereira, no Abrupto, atirou-se a valer à RTP, que acusou de promover uma “sessão de propaganda governamental” que, em seu entender, evitou “as críticas a que tinha sido sujeito” o computador Magalhães. Mas Pacheco tem resposta no Jumento, que escreve assim: “Pacheco Pereira que teorizou o silêncio da líder do PSD, de quem é o guru, tenta agora que o governo se sujeite à mesma regra”. É sempre assim com todos os governos – a oposição castiga o mensageiro quando não pode criticar a mensagem.

publicado por PRD às 19:55
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Terça-feira, 23 de Setembro de 2008

Sempre em pé

Ontem dediquei-me ao PS e nem tive tempo de olhar o mundo dos blogues depois das noticias sobre Santana Lopes. Uso o texto do blog Jumento para contar a sequência de factos: “Santana Lopes começou a lançar a sua candidatura, oferecendo-se para ser prisioneiro da estratégia política de Ferreira Leite, quem o ouviu foi o Ministério Público que o constituiu arguido, agora o PSD volta a enfrentar o velho problema dos candidatos arguidos”.

Paulo Pinto Mascarenhas, no Atlântico, chama de “oportunismo singular” esta constituição de Santana em arguido: “Numa altura em que se começava a criar o possível cenário de uma candidatura à Câmara de Lisboa, aparece esta notícia. Coincidência? (...) Prefiro pensar que se trata apenas de uma coincidência. Mas é por estas e por outras que há muito boa gente que duvida (...) de uma verdadeira separação de poderes entre o braço político e o braço judicial”.

Jorge Monteiro, no blog Nau katrineta, prefere recuperar um velho nome do politico e dizer que anda o “Menino Guerreiro em Bicos dos Pés”. José Paulo Fafe, no blog com o seu nome, acha que “a hipótese de Pedro Santana Lopes poder vir a ser candidato à Câmara de Lisboa começa a incomodar muita gente”. Depois de citar dois ou três exemplos, remata à sua boa maneira: “Como habitualmente se diz... "o que eles sabem, já a mim me esqueceu"...

No blog Bom Gigante, R Cataluna considera que Lisboa, para o PS, “Não são favas contadas” e nota a “sobranceria com que muitas hostes socialistas têm tratado a possível candidatura de Santana Lopes”. E avisa: “Santana (...) é uma máquina de ganhar eleições”.

“Aparece demais, fala demais, gastou-se demais” – assim resume Macro, no blog Macroscópio, o trajecto do social-democrata, para depois escrever: “Pela lógica e natureza das coisas, este apoio de Ferreira leite a Santana é tão incompreensível quanto contraproducente”, já que ele representa “o demo-populismo de que os portugueses já estão fartos na vida pública em Portugal”.

Quem assim não pensa é António Lopes da Costa, no blog Tenho Dito, que apoia uma candidatura de Santana e escreve: “Santana Lopes é dos poucos que sempre esteve disponível para as batalhas mais difíceis. Enquanto outros, em tempo de guerra, se escondiam em todos os buracos, como trincheiras, Santana esteve na linha da frente do combate político, puro e duro, sendo sempre ele que deu o corpo às balas”. Nem por isso, no entanto, Rodrigo Moita de Deus, no 31 da armada, o apoia: não “gostaria que Santana Lopes fosse novamente o candidato do PSD a lisboa. Por duas razões. Primeiro porque sou lisboeta e adoro a minha cidade. Segundo, porque acho que ganharia”.

Enquanto isso, no seu blog, e sobre esta matéria, o potencial candidato alimenta um prudente silêncio. Só num post sobre o Aeroporto de Monte Real se pode ler algo que a conspiração politica pode relacionar com estes rumores: “As coisas demoram, mas, com jeito, vão lá. (...) Às vezes, é assim: tem de se aguentar até mais se juntarem às boas causas”. Santana sobre ele próprio? O tempo o dirá...

 

publicado por PRD às 19:53
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Segunda-feira, 22 de Setembro de 2008

Sócates ao vivo

Momento forte do fim-de-semana foi sem duvida o regresso de José Sócrates ao palanque do partido – em Guimarães, na pele de líder dos socialistas, e perante 10 mil apoiantes, Sócrates disparou em todas as direcções. No blog da Conselhia do PS de Ansião resume-se o discurso: “O secretário-geral do PS disse que a «esquerda do passado, imobilista e conservadora, nada tem a oferecer ao país»”.

José Lopes, no blog O Guardião, não está de acordo: “Não sei se José Sócrates pretendeu afirmar que o seu PS é um partido de esquerda moderna, porque então a tal modernidade matou o socialismo que reclama. As suas políticas laborais, para citar apenas um exemplo, são a maior conquista do patronato desde o 25 de Abril, indo mais além das ideias de Bagão Félix”. No Câmara de Comuns, Carlos Manuel Castro elogia. “Bom discurso de Sócrates, em Guimarães, salientando muitos exemplos das boas medidas e marcas deste Governo. Por outro lado, o líder socialista evidenciou que só o PS tem um rumo concreto para o País, dado o estado inexistente da oposição, seja pelo silêncio da direita ou o reaccionarismo da esquerda”. Carlos Nunes Lopes, no 31 da Armada, também lhe reconhece a convicção: “Apresentou-se em Guimarães como o homem que salvou as pensões dos portugueses da crise financeira. (...) Pareceu-me ideologicamente convicto do que berrava”. Mas, por outro lado, acha que o lider socialista “gosta de ficção” quando o vê ”a narrar o país que Governa”. Por isso se interroga: “Governo da República ou Funtastic Life?”

Rui Costa Pinto no Mais Actual vê no discurso, ironicamente, uma “Estratégia ganhadora”.... Mas é a de Manuela Ferreira Leite, que, diz ele, “deu resultados. Basta rever o discurso de José Sócrates, na rentrée política do PS. O secretário-geral do PS esteve igual a si próprio, talvez um pouco mais teatral e eufórico. Não acrescentou nada de novo, mas foi obrigado a dar um passo em frente, a disfarçar tudo o que está mal, revelando que está cada vez mais divorciado do dia-a-dia dos portugueses”. Ou seja, PS ao nível do PSD, segundo o blog. No discurso revelou-se o novo slogan do PS, “A força da Mudança”, que inspirou João Gonçalves: viu um José Sócrates "obamizado", de Obama, achou-o eufórico “como os velhos apresentadores dos eurofestivais da canção”. Esta ligação a Obama não é única, claro: em muitos blogues se diz que o PS segue a linha de propaganda e marketing do candidato norte-americano ao usar a palavra mudança. Mas a essa análise imediatista responde Rodrigo Saraiva no Câmara de Comuns: “Ouvi alguns comentaristas dizerem que José Sócrates se inspirou em Obama. Não só no uso insistente da palavra "Mudança" mas também no plano cénico, colocando pessoas atrás de si! No plano cénico ainda aceito, mas ao nível do uso da palavra "Mudança", há que pensar melhor. Obama concorre em oposição! Logo o conceito é outro”.

Na verdade, usar a palavra mudança num governo que está a governar é, no mínimo, uma ousadia. E pode ser usada contra o próprio. A ver vamos como a oposição reage por estes dias. Cá estarei para acompanhar pelos olhos do mundo dos blogues...

publicado por PRD às 19:49
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Sexta-feira, 19 de Setembro de 2008

Blog da semana: “Do Capitalismo para o Digitalismo”

Pode um blog ser mais do que um blog? Ou menos? Pode um livro ser um blog, ou um blog ser um livro? A estas perguntas, respostas na morada digital-ismo.blogspot.com.

O que lá se encontra? Encontra-se, na palavras dos autores, Fernando Penim Redondo e Maria Rosa Redondo, “Um blogue que é um livro. O livro, publicado em Novembro 2003, tornou-se blogue em Julho 2008”.

A história é mesmo essa: os dois autores publicaram em 2003, na editora Campo das Letras, o livro “Do Capitalismo para o Digitalismo”, uma obra de estudo e análise sobre a relação entre o o desenvolvimento da tecnologia e a forma como isso altera as relações de trabalho, salariais, sociais, pelo menos à luz dos velhos conceitos do marxismo.

Ora bem, cinco anos depois da publicação do livro em papel, os autores entenderam que eram tempo de disponibilizar a obra. Para tal, passaram o livro a blog, mantendo aliás coerência com algo que defendem: “Se a informação e o conhecimento se tornaram a chave do progresso em consequência da revolução digital e estão a moldar uma sociedade nova então, devemos tentar influenciar os seus contornos e potencialidades”.

Organizado em capítulos, com links para ser mais fácil percorrer toda a obra, “Do Capitalismo para o Digitalismo” em versão blog é uma outra forma de partilhar o conhecimento, e deixar a reflexão sobre estas matérias: “desvendar os mecanismos que, insensivelmente mas de forma imparável, actuam ao nível das relações de produção no sentido de superar, para o bem ou para o mal, a sociedade capitalista em que todos nascemos”, “mostrar por que razão o trabalho assalariado, quase sempre repetitivo, atravessa uma profunda crise que as pessoas e as instituições tardam em reconhecer”.

Os autores não escondem a sua ligação ao Partido Comunista, mas para o caso isso é irrelevante. O blog é a minha escolha da semana justamente pela ideia que transporta em si – e da que neste universo da blogoesfera tudo, mesmo tudo é possível. Até transformar um livro que existe em papel numa realidade virtual ao alcance de todos – e com isso trocar os ganhos da autoria em ganhos de expansão e divulgação de causas, ideias, politicas. Tudo tem um preço – e neste caso, certamente que compensa.

publicado por PRD às 19:19
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Quinta-feira, 18 de Setembro de 2008

O custo dos preços

Por mais que haja explicações, a maioria não as entende ou não as quer ouvir – resultado: toda a gente se queixa dos preços dos combustíveis. Um blog ao acaso, o “Simplesmente Manuela”, para ouvir a voz do cidadão comum: “A BP subiu o preço da gasolina em um cêntimo, esta quarta-feira de manhã. A gasolineira baixou o litro do gasóleo em um cêntimo. (...) No mercado de Londres o preço do barril caiu na terça-feira abaixo dos 90 dólares (...). Estão é todos no gozo com o pessoal, isso sim”. No Atenta Inquietude, Zé Morgado também faz contas: no preço do petróleo, “a queda já vai em 38% e a gasolina apenas baixou 4,4%. O Presidente da GALP, Ferreira de Oliveira, já explicou que “a relação entre o preço do petróleo e dos combustíveis, não é directa nem óbvia”. Nós já percebemos Sr. Engenheiro, sobretudo quando se trata de descer preços na venda ao público”. Gonçalo Coelho, no blog Amigos do Alheio acha que “As petrolíferas portuguesas andam a abusar. Todas as semanas têm uma razão, um trunfo qualquer na manga para evitar descer os preços e inclusivamente subi-los como acontece hoje”. No Blasfémias, João Miranda tenta, com quadros e tudo, explicar esta relação difícil entre o preço do barril e o preço ali na bomba da esquina: “Portugal segue os preços da gasolina nos mercados internacionais e não o preço do petróleo. (...) O queixume que tanto se ouve de que o preço da gasolina não segue o preço do petróleo não faz sentido nenhum. Não segue, nem tem que seguir. Gasolina e petróleo são produtos diferentes com procuras diferentes e logo variações de preço diferentes.”

Mas é difícil convencer o consumidor, que vê nestas diferenças o que Bibt vê no blog Papagaio Falante: “Quando é para aumentar é na hora, mas quando é para baixar é preciso esperar pela media dos preços da semana…Isto é uma das consequência da liberalização em Portugal e para variar quem se lixa é o povo...”

No Vox Pop, Paulo Gorjão vê mais longe a politica dos preços e do poder: “Não deixa de ser interessante de observar o jogo do empurra que está em curso a propósito dos preços dos combustíveis. Um autêntico jogo de espelhos em que as aparências iludem. Nalguns aspectos parece-me muito pouco sério e carregado de demagogia”.

Ora, por falar em demagogia vem André Azevedo Alves no Insurgente lembrar que o “Bloco de Esquerda propõe “controlo” do preço dos combustíveis”, “Apostando na iliteracia económica de amplos sectores do eleitorado e dos media”, num apelo “ao anti-capitalismo mais primário”. Na mesma linha, vem então a Deco dizer que está a estudar uma Jornada de protesto contra os preços dos combustíveis. Eduardo Graça, no blog Absorto, alinha e diz “Vamos a isso!”, e Tomáz Vasques, no Hoje à Conquilhas, assina por baixo. Mas no meio de tanta desinformação, e mesmo depois das explicações dos entendidos, acabo por dar razão ao anónimo que, numa caixa de comentários do blog Atenta Inquietude, escreve: “Como me ensinaram na faculdade a economia é uma caixa negra, sabemos o que lá pomos e sabemos o que sai de lá , mas não sabemos o que se passa lá dentro”.

publicado por PRD às 19:17
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Quarta-feira, 17 de Setembro de 2008

Crise, a crise

Inevitável olhar a crise financeira internacional e as recentes falências nos grandes colossos norte-americanos através dos blogues nacionais, podemos começar por esta ligação irónica de João Pinto e Castro no blogexisto: “o mundo respirou de alívio ao constatar que, afinal o arranque do acelerador de partículas não determinara a absorção do Universo por um buraco negro. Após a falência do Lehman Brothers, assaltou-me uma dúvida : será que, afinal, não fomos mesmo engolidos?”.

Mais a sério, Henrique Burnay no 31 da Armada nota que “não se pode defender o capitalismo sem dor. Não existe.” Daniel Oliveira responde-lhe directamente no renovado Arrastão mas recorda que há dores que o estado cura: “Tudo é natural e é só deixar as coisas andar. Claro que ajuda se de vez em vez o Estado bancar o prejuízo para não ruir tudo à volta, mas isso são pormenores”. No Blasfémias, João Miranda escreve: “Vale a pena lembrar que a crise do subprime foi criada pelo crédito barato criado pelos bancos centrais, que por sua vez foi uma resposta que os bancos centrais encontraram para a crise das dot-com (...). Os bancos centrais são … autoridades reguladoras com poderes públicos”. Já hoje, o mesmo João Miranda importa a análise para Portugal: “A crise em Portugal nada tem a ver com a crise financeira internacional. Mas é uma boa desculpa. Curiosamente, é um boa desculpa para governo e oposição. Desistiram todos”.

Volto aos Estados Unidos com Luciano Amaral no Gato de Cheshire: “As falências são aquilo que permite ao capitalismo duas coisas: uma, obrigar as empresas a fazer melhor; quem não melhora (...) sai de cena; outra, introduzir uma certa moralidade no sistema: um sistema que fosse só despedimentos e flexibilização laboral e não punisse empresários ou gestores pelos seus erros não mereceria efectivamente o apoio de ninguém a não ser dos interessados”. André Azevedo Alves, no Insurgente, segue o raciocínio: “se há algo que distingue o capitalismo do socialismo é que no socialismo não há falências”. E no mesmo blog, Michael Seufert completa: “Uma falência não é uma tragédia. Significa que alguém tentou e não conseguiu. As falências são sintoma de liberdade económica. E servem para mostrar que há recursos mal alocados, que vão, pois, ser aproveitados doutra forma”.

No blog com o seu nome, Pedro Santana Lopes deixa apenas um conselho: “É altura, isso sim, e como sempre, para se procurar agir e reagir com serenidade”.

Não é fácil a serenidade quando o dinheiro se esfuma em três tempos. Nem por acaso, os posts de JCS no blog Lóbi sobre este tema têm sempre o mesmo titulo genérico: “Donas Brancas Desesperadas”. Por fim, aterro no blog Jumento, onde se escreve que “De certa forma a crise financeira (...) é um castigo merecido”: “Os mercados dão-se muito mal com a mentira”.

publicado por PRD às 19:15
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PRD

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Estes textos são escritos para serem “falados”, ou “lidos”, pelo que não só têm algumas marca de oralidade (evidentemente, propositadas...) como é meu hábito improvisar um pouco “em cima deles” no momento em que gravo a rubrica. Também é relevante dizer que, dado tratar-se de uma “revista de blog’s” – e uma vez que os blog’s não se preocupam com a oralidade ou com a eventual citação lida dos seus textos -, tomo a liberdade de editar minimamente os textos que selecciono. Faço-o apenas para que, em rádio, não se perca a ideia do blogger pelo facto de escrever frases longas e muito entrecortadas. Da mesma forma, não reproduzo palavrões nem frases pessoalmente ofensivas, assim como evito acusações cuja possibilidade de prova é diminuta ou inexistente. Sendo uma humilde crónica de rádio, tinha ainda assim de ter alguns princípios. São estes. Quem tiver razão de queixa, não hesite!

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