Quinta-feira, 31 de Julho de 2008

Há 140 anos, o futuro...

 

Às vezes encontro textos, documentos, no mundo dos blogues, que por si só constituem uma crónica inteira. Pela actualidade, ou pelo valor da descoberta, vale a pena gastar algum tempo com este, intitulado “Antevisões do «moto-contínuo» (ou bloguismo)”,

publicado por Gabriel Silva no Blasfémias.

Trata-se da reprodução de um texto publicado em 1868 no Jornal do Comércio sobre o jornalismo do futuro. Alguns momentos:

«Considerando no que é hoje, observando as suas tendências, pode conjecturar-se, aproximadamente, o que virá a ser. Um curioso aprofundou esta questão e lisonjeia-se de ter descoberto, com plausibilidade, as condições em que há-de achar-se o jornalismo no ano 2000. Há fome e sede de notícias: todos querem saber tudo (...), a máquina reproduz em minutos o pensamento, para ser transmitido a todos os pontos da terra, e já não é só a máquina para estampar o jornal, é também a máquina para compor; inventou-se o tipógrafo-máquina e deve esperar-se, portanto, que venha a idear-se o redactor-máquina. O jornal é hoje diário e o mais é que chega a reproduzir a mesma folha em duas ou três edições, com alguns aditamentos ou notícias. Isto será atraso e fossilismo no ano 2000. Daqui a 50 anos, os jornais publicarão uma folha, inteiramente nova, de hora a hora, e, daqui a 100 anos, de minuto a minuto, de instante a instante. Será um moto-contínuo e ainda não satisfará a curiosidade pública. Cada cidadão fará um jornal: o artigo de fundo constará sempre das notícias da sua vida pública e íntima”.

O artigo é notável porque até fala da possível falta de papel e antecipa a reciclagem: “assim como o jornal é instantâneo, instantânea há-de ser a leitura; e o papel vai, minutos depois de lido, para a fábrica, a fim de se reproduzir”.

A Internet e o mail são adivinhados: “O telégrafo eléctrico generalizar-se-á, cada cidadão terá o seu telégrafo em correspondência mútua, de maneira que em um minuto se saberá o que se passa nos pontos mais afastados e, em Lisboa, se poderá saber, de instante a instante, até à vida caseira do mais boçal esquimó; com o que os povos hão-de folgar, deleitar-se e instruir-se”.

Estamos realmente perante uma notável capacidade de antecipação, 1868 foi há 140 anos. Impressionante.

Mas no melhor pano cai a nódoa e no final do artigo, o autor do século XIX acaba por não adivinhar em rigor como é a vida nos dias de hoje. Escreve ele: “Mas como é de crer que no ano 2000 já exista a paz universal e a união entre todos os homens, acabará a política, os governos governarão sempre conforme… à nossa vontade, portanto, serão inúteis os jornais políticos; não haverá, pois, nem turibulários, nem oposicionistas; todos serão amigos e distintíssimos cavalheiros, unidos no pensamento comum de amarem a sua pátria. Assim seja.»

Pois bem: assim não foi, assim não é. Mas ainda assim, esta é uma belíssima descoberta de Gabriel Silva no Blasfémias que por sí só vale um dia no mundo dos blogues...

publicado por PRD às 18:49
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Quarta-feira, 30 de Julho de 2008

"Allmassage"

 

Noticia do dia de ontem, feitinha de propósito para homenagear a época balnear: «O comando marítimo do sul decidiu proibir as massagens nas praias algarvias». Um problema de saúde pública que levou o comandante Reis Águas a dizer na rádio: “Toda a gente sabe como começa uma massagem e ninguém sabe como ela acaba“. “Sábias palavras”, comenta Rodrigo Moita de Deus no 31 da Armada e pergunta: “Onde é que ele, o comandante, costuma ir às massagens? É que eu também quero”. No Atlântico, o Arcebispo de Cantuária faz outra pergunta: “Isto é que é a silly season?”. Escreve: “Depois do windsurf e kitesurf, agora as massagens na praia estão proibidas no Algarve. Decisão das autoridades turísticas? Não, de um senhor da marinha que aparentemente manda nas praias de todo o Algarve e que tem alguma, só alguma, paranóia com sexo. (..) Isto já não é silly season, é mesmo silly country”.

Seco e directo, Rui Vasco Neto, no blog Sete Vidas como os Gatos, diz apenas: “Hoje eu pensei que era a brincar mas afinal é a sério”. No Blog “O UNIVERSO FANTASTICO DAS COISAS SEM IMPORTANCIA”, Rui Santos recupera um clássico algarvio: “EM BOA HORA O (Zézé) CAMARINHA FEZ O NOME E A FAMA”. No Cinco Dias, Marta Rebelo indigna-se e ironiza: “Pasme-se com a proibição, mas é verdadeira, e plenamente justificada por um Senhor Comandante que vociferava na minha pequena telefonia: «é que há massagens e massagens». A moral e os bons costumes assim obrigam. (...) A Região de Turismo do Algarve não se manteve á margem da controvérsia e já fez saber que se fazem massagens em todas as praias do mundo, o Algarve não pode ficar atrás. Pois, que há massagens e massagens, é verdade. Que há Comandante e Comandantes, também. A seguir vem a fita métrica para avaliar dos centímetros a menos dos biquínis das senhoras?” Talvez não falte assim tanto – no blog Geração Rasca, Leonor Barros prevê que “Depois disto ainda vai ser imposto um dress code nas praias”.

Gabriel Silva, no Blasfémias, faz o trocadilho fatal: em vez de Allgarve, que tal Allmassage...

No fim da polémica estival, certa está a apresentadora de TV Liliana Campos, citada no blog Mcaever, e que terá dito: “Adoro chegar da praia e ir relaxar para as massagens. Nesta profissão, sou uma privilegiada por ter a oportunidade de gozar esse tipo de miminhos”. Reparem: prmeiro ela vai à praia, depois vai á massagem. Não há cá areias misturadas – porque como diz o Sr. Comandante, nunca se sabe como acaba aquilo que começa por ser uma simples massagem. O nosso Portugal, no seu melhor...

publicado por PRD às 01:44
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Terça-feira, 29 de Julho de 2008

Uma no Cravinho, outra na ferradura...

 

João Cravinho deu uma entrevista e marcou a agenda: o tema da urgência no combate à corrupção voltou à ordem do dia. E voltou bem, não se desse o caso de Alberto Martins responder dizendo que O PS «não recebe lições de combate à corrupção» de Cravinho… Escreve Afonso Azevedo Neves no blog Grande Alface: “e também não recebe lições do PCP nem do BE, (...) não recebe lições de moral, lições de consciência, de ninguém!! Não recebe lições nem aprende nada. Um dia ainda chumba!”

No blog Natureza do Mal, Luís critica também a atitude do PS face às declarações de Cravinho: “Foi sempre assim na má política: é mais fácil desqualificar um opositor que perder meia hora com as suas razões”.

Henrique Raposo, no Atlântico, alarga o debate e escreve: “O PS não fica nada bem tratado. E o que faz o PSD? Não vi nada hoje, mas aposto que nada. E o CDS? Idem. O problema não é deste ou daquela partido. É do "sistema de partidos" em geral”. Com esta ideia concorda Paulo Ferreira no Câmara de Comuns: “todos os partidos políticos, todos os grupos de interesse na sociedade, todos os sectores de actividade, sabem do que se está a falar, de algo mau, grave (...) Juntem-se todos os actores interessados e com poder de intervenção, comunicação social e professores incluídos, haja um verdadeiro consenso neste combate”.

Consenso pode haver, acção é mais difícil – e José Carlos Guinote, no blog Pedra do Homem, tem razão quando lembra que “O PS não fez do combate à corrupção uma prioridade desta legislatura quando, com a maioria absoluta e com deputados como Cravinho, tinha todas as condições políticas para liderar esse combate e (...) promover uma efectiva mudança estrutural”. Luís Novais Tito, na Barbearia do Sr. Luís, nota que “em vez de serem levantados os processos de investigação, levantaram-se os processos de intenção. Não faltou quem lembrasse (a João Cravinho) que tinha deixado cair a luta travada em tempo e que agora não tinha moral para voltar à carga, como se na altura João Cravinho não tivesse feito tudo o que estava ao seu alcance e não o tivessem barrado. Entretanto, quanto à denúncia pública, ninguém agiu”. No mesmo sentido acaba por ir Paulo Gorjão no Vox Pop quando diz “Independentemente dos vícios e das virtudes do mensageiro, o que conta é a mensagem. A mensagem, se faz favor”.  Então lembra: “Sobre a substância das afirmações de Cravinho, o PS não as refuta. A resposta assentou em dois eixos: por um lado retórica, pura e dura; por outro, um fortíssimo ataque ad hominem”. Ora, “João Cravinho não denunciou “apenas” que a grande corrupção está a aumentar, (...) fez denúncias muito concretas”. Mas lá está, sobre essas denuncias fala-se pouco – e com Agosto a chegar, o debate vai ficar certamente em águas de bacalhau. E é pena.

publicado por PRD às 22:51
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Segunda-feira, 28 de Julho de 2008

Obamania

 

Não será certamente por acaso que no blog que se chama Civilização do espectáculo há um post com o titulo “American beauty”. E o texto de Nuno Dias da Silva é claro. Comentando uma primeira página do Liberation dedicada a Barack Obama, diz apenas: “A «Obamania» apodera-se da Europa. Nem os chauvinistas jornais franceses escapam à sedução de Obama”.

A Europa rendeu-se ao candidato americano e Daniel Oliveira nota: “A obamomania chegou à Europa (...) até antes de se instalar nos Estados Unidos. Mas as razões de tamanha multidão são talvez mais simples: muitos quiseram assistir a um momento histórico e Obama poderá vir a ser o presidente depois de Bush. E, para a maioria dos europeus, depois de Bush só pode ser melhor”. Sobre a visita propriamente dita, Daniel é pragmático: “é para consumo interno (...), os europeus não votam. Mas, apesar de tudo, podiam ser mais do que um cenário”.

Numa análise mais focada, Paulo Gorjão, no Vox Pop, precisa os locais por onde Obama passou: “Berlim, Paris e Londres. Eis o périplo europeu (..). A União Europeia ficou de fora, tal como ficaram de fora os restantes países europeus. Realpolitik, pura e dura. Um primeiro sinal, seguramente, da tal “viragem política” (...) anunciada por Mário Soares”.

No blog com o seu nome, Pedro Santana Lopes considera o discurso de Obama em Berlim “um momento muito especial. Mas, e o significado de toda aquela organização? Com muito de espontâneo, seguramente, mas com quanto trabalho prévio para que se certificassem de que seria um sucesso? Quanto tempo antes terá começado a preparação? E o significado político de ela ter lugar na Alemanha (...)? (...) Se fosse para o outro candidato, o que a esquerda não diria!...”

João Tunes no Água Lisa chama a esta viagem um “estágio presidencial” e interroga-se sobre o fenómeno de popularidade do candidato: Obama, escreve ele, “não só não entusiasma os anti-americanos de véspera (que diziam que não eram contra a América mas só contra Bush) como a frieza quanto às mudanças que ele pode ou vai operar, aumenta. Fenómeno estranho”. RFF, no Hipocrisias Indígenas, receia “que posteriormente ao efeito Obamania desponte uma desilusão à escala planetária. Mas, diz, esta sensação, mesmo que efémera, de vivermos num período em que estamos a libertar a humanidade de algo maléfico é muito, muito saborosa…”

A explicação para esta sensação pode ser aquela que encontro em André Abrantes Amaral no blog O Observador:

“O sucesso da visita (...) tem um significado: os povos europeus olham para a América desejosos por uma inspiração. Pedem-lhe esperança. Uma mensagem. Uma resposta. (...) A Europa está mortinha por ouvir um americano assim. Como no passado, vê nele a solução. Nele deposita o que de mais íntimo se pode oferecer: A fé. Um europeu faria tudo para ter um americano como Obama. Votava nele se pudesse”.

Descontado algum exagero, é isso que fica das imagens do candidato aqui no velho continente...

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Sexta-feira, 25 de Julho de 2008

Blog da Semana: Vox Pop

 

Do caminho desta Janela sempre fez parte, enquanto existiu, o “Bloguitica”, blog do professor universitário Paulo Gorjão, um registo de rigor e de uma observação muito incisiva da vida política portuguesa. Foi, a um tempo, agenda política e análise opinativa. Há uns tempos Paulo Gorjão fechou o blog, curiosamente ao mesmo tempo que Luís Filipe Menezes se tornou líder do PSD. Ou por causa disso...

Depois Gorjão voltou durante algum tempo integrado no blog Cachimbo de Magritte, mas parecia efectivamente um peixe fora do seu mar, ou pelo menos um peixe muito agitado para a calmaria dos que fumavam aquele cachimbo.

E lá desapareceu de novo, dando razão pelo passar dos dias ao que João Gonçalves escreveu: "Paulo Gorjão faz falta à blogoesfera e não há politico nem politica que justifiquem o seu afastamento". Assinei por baixo.

E folgo em notar o seu regresso em novo blog, Paulo Gorjão é licenciado em relações internacionais na Universidade Lusíada de Lisboa. Tem o mestrado em ciência política na Universidade Católica de Lovaina, na Bélgica. É Director-adjunto do Instituto Português de Relações Internacionais e Segurança e Director-adjunto da revista Política Internacional.

E com este currículo volta no blog Vox Pop, mas com endereço próprio que podem encontrar em www.gorjao.eu, não coloquem o acento no “A” e não tenham receio da terminação “eu”, porque é assim mesmo...

Paulo Gorjão volta igual a sempre; incisivo, diário, imparável, uma torrente de ideias, uma excelente memória para cobrar promessas ou contradições. E no registo PSD, um olhar seco e rigoroso, como parece pedir a nova líder. Nem por acaso, deixo este post, sob o título: Um primeiro teste. E diz: “Aparentemente, as eleições para a Assembleia Legislativa dos Açores, que terão lugar em Outubro, vão ter uma importância política muito para além do que seria normal. Manuela Ferreira Leite promete empenhar-se pessoalmente. Como é óbvio, não poderia dizer outra coisa. Um duro teste que se avizinha e que se adivinha”.

E não diz mais nada.

Pois bem: o regresso de Paulo Gorjão ao mundo dos blogues merece essa saudação que é também a minha escolha da semana. O debate político ganha com a sua presença, e com isso ganhamos todos.

publicado por PRD às 02:25
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Quinta-feira, 24 de Julho de 2008

O caso que não se arquivou...

 

Há dois dias, aqui contei as reacções do mundo dos blogues ao encerramento do "caso Maddie" - mas a partir de hoje, nem que seja apenas para debate público, ele reabriu sob a forma de livro. O ex-investigador da PJ Gonçalo Amaral lança em livro o seu testemunho sobre o caso e leio no blog Corta-fitas que “estão combinadas entrevistas com a TVE, a Sky, a ITV, a Efe, a Rádio Nacional de Espanha, o El País, o Jornal da Tarde (Brasil) e o Estado de São Paulo, (...) idas à SIC, em directo, e aos programas de Fátima Lopes, Júlia Pinheiro e Judite de Sousa”. Ontem à noite, as televisões não falaram de outra coisa.

Ou seja, o processo arquiva-se mas fica nas bocas do mundo. No blog Fado Alexandrino, chama-se a Gonçalo Amaral “um incontinente verbal”:  “acredita que a miúda inglesa foi morta acidentalmente pelos pais e que depois sabe-se lá como a fizeram desaparecer”. (...) Apenas não consegue provar as suas crendices. (...) Este homem é muito perigoso. Representa todo um modelo em como a polícia vê o cidadão. Hoje já pode fazer pouco mal. Ontem podia enviar qualquer um de nós para a cadeia, apenas por acreditar”.

Na verdade, o ex-inspector acaba por tornar de novo arguidos os pais de Maddie, dando razão a um post de Vieira do Mar no Controversa Maresia: “Este caso é, de todos os que conheço, o maior e mais vergonhoso falhanço da Justiça portuguesa. E não é porque não tenham descoberto o que aconteceu à miúda (...), mas pelo facto de terem sido constituídos três arguidos de forma absolutamente  irresponsável e leviana, como se a vida e o sofrimento  das pessoas fosse um brinquedo na mão de meia dúzia de polícias e de um ou dois procuradores. Eu, se fosse aos McCann, fá-los-ia pagar muito, muito caro”.

Isso mesmo avisa o autor do blog Macroscópio ao inspector Gonçalo Amaral: “Informe-se o (...) inspector-reformado da PJ, de que pode ser processado pelos pais de Maddie, e que o que irá receber em direitos de autor poderá não ser suficiente para pagar uma eventual indemnização ao referido casal”.

Também podia ser um aviso este texto de Francisco José Viegas no blog Origem das Espécies: “Poucos casos como este evidenciaram ódios e desleixos tão profundos e o perigo de misturar convicções e evidências no mesmo saco. O que mais sobram, agora, são dúvidas – e custa a crer como o poder político, manhoso, se distancia do assunto como se não fosse nada com ele. O caso não terminou”.

Exactamente como escreve Jorge Ferreira no Tomar Partido: “um caso de estudo de como a Justiça pode cair na vertigem de fazer mal a si própria”. No blog Intimidades, RFF recorda “uma das frases tutelares do Direito. "In dubio pro reu": na dúvida absolve-se”. Mas duma coisa ele tem a certeza: “o livrinho vai ser dos mais vendidos do ano”.

O que me empurra para um texto sobre outro tema, não é para aqui chamado, mas quando vi o título percebi que era o remate deste olhar pela Janela. Foi Alexandre Borges quem perguntou no blog Sinusite Crónica, e fica aqui tão bem: “Quem tem a culpa de Portugal?”

publicado por PRD às 19:20
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Quarta-feira, 23 de Julho de 2008

Regresso ao futebol

 

Muito devagar ainda, Portugal acorda para o futebol e para a época que aí vem. Chegou Carlos Queiroz, Benfica e Sporting fizeram os primeiros jogos da pré-época, e há a polémica contratação de Aimar. Vamos olhar um bocadinho cada um destes temas, começo no blog de António Boronha que, à vez, se mete com os clubes da segunda circular: “Será que ninguém informou o quique flores que os jogos com o 'Estoril' deverão, de perferência, ser realizados no 'estádio algarve'?...” E dois dias depois:

“Será que ninguém informou os responsáveis do 'Sporting' que jogar em albufeira contra uma equipa inglesa, seja no Verão ou no Inverno, é o mesmo que fazê-lo em casa do adversário?... Para além do facto, óbvio, que o local é mais apropriado para curtir a 'noite' do que para a prática do futebol. Daí a defesa leonina não se ter deixado enganar”.

Menos provocador e descontraído ficou Besugo, no Blogame Mucho: “Fazei o que quiserdes, mas não vai ser a chegada do Moutinho, nem a do Postiga, que vai resolver esta verdade (...): o Sporting não joga a ponta dum corno e, mais do que isso, mais importante do que isso, não tem por onde jogar mais que a ponta do corno que joga.
O Sporting está (...) uma equipa feita de jogadores que pastam num sistema quatro vírgula qualquer coisa e risco ao meio, tá bem abelha, já sei, dizei para aí, que a verdade é esta: não jogamos nada”.

É um Sportinguista irritado, vejamos um benfiquista animado, no blog Novo Benfica escreve Paulo Ferreira: “O Benfica já ultrapassou ligeiramente (...) o Porto nas contratações do defeso (e em muito o Sporting), e Vieira diz que não ficam por aqui (...). Já o ano passado foi o Benfica quem mais investiu em jogadores. Por isso, temos obrigações de ser campeões (...)... já não pode haver mais desculpas!”

Entre as contratações da Luz está Pablo Aimar – que merece de Gata Funha, no blog “Nem todas as Gatas são Parvas”, uma pergunta no mínimo inquietante: “Quem é Pablo Aimar?!! De repente, este argentino virou melhor do mundo e arredores. Não queria ser eu a dizer isto, mas Pablo Aimar até há semanas jogava no Real Saragoça que na última época alcançou um brilhante 18º lugar na Liga espanhola.(...) Como se não bastasse ainda lhe dão a camisola (...) "10" que saiu do corpinho do Rui Costa, e isto é uma grande responsabilidade. A mim parece-me um grande risco, mas isto sou eu a dizer!”

Na verdade, Aimar ganha a Queiroz no mediatismo, como bem nota Joao Abel de Freitas no Puxa Palavra: “Aimar foi notícia de 1ª página. Queiroz não, o que, em si, significa muito. Espero que Carlos Queiroz tenha muita sorte. Não estão em causa as suas qualidades e talento, mas as condições de trabalho. (...) Os tempos do futebol nacional estão bravos e justiça não há, nem se vislumbra”.

Vão ser estes os dados da nova época, com o Porto sempre em vantagem, e todos nós, espectadores, procurando como Maradona, no blog “Causa Foi Modificada” a sua “essencia do sublime”: “aliar futebolisticamente o génio, a fantasia e a eficiência”. É disso que se trata quando se trata de futebol...

publicado por PRD às 19:32
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Terça-feira, 22 de Julho de 2008

Maddie arquivada

 

Em rigor, parece-me que já ninguém acreditava que o “Caso Maddie” desse algo mais do que um arquivamento. E assim foi. E uma vista de olhos ao mundo dos blogues confirma isso mesmo, “ o desfecho esperado”, como lhe chama Tomás Vasques no Hoje Há Conquilhas para recordar essa “diversão que dá pelo nome de segredo de justiça e que alimentou, a peso de ouro, jornais e televisões. A comunicação social, cada vez mais, se parece com as agências funerárias: vivem das desgraças alheias”.

Filipe Tourais, no Pais do Burro, é peremptório: “o arquivamento é (...) a regra perceptível a que obedecem todos os processos que envolvam alguém que detenha uma dose razoável de poder. E assim foi”. Daniel Oliveira, no Arrastão, tira lições do que se escreveu e do que daqui ficará para memória futura e nota que este caso “põe a nu as fragilidades da investigação judicial portuguesa e do jornalismo que se vai fazendo. Mas só põe a nu. Não faltam por aí kates, gerrys e murats um pouco mais anónimos e talvez com menos capacidade de defesa”. E remata: “o sensacionalismo valeu mais do que a cautela”.

No blog Andarilho, Eduardo Saraiva pede bom senso e espera que “o "Caso Maddie" não se transforme num folhetim ou vire Telenovela”: “É evidente que a Justiça portuguesa não atravessa um bom momento mas, se estiverem com muita atenção, nem sempre a culpa vem dos Tribunais, do Ministério Público, da Polícia Judiciária e das forças policiais. Por vezes, há forças estranhas que estão, como autênticas lapas, agarradas ao Poder político. E, por vezes, o Poder político é fraco. Fraqueja e de que maneira!”.

Luís Castro, autor do livro "Por que Adoptámos Maddie", escreve no seu blog Cheiro a Pólvora um titulo desalentado: “E tudo deu em nada!”. E recuperando um texto do seu livro conta que, “D. Januário Torgal Ferreira, sempre pronto a defender os profissionais da comunicação social, garante que se os ouvisse em confissão, não lhes reservava qualquer penitência, mas a alguns mandava-os para casa com um conselho: “Vão e não tornem a pecar!” “

No Blog Jumento prefere-se a citação do artigo de sábado passado de Miguel Sousa Tavares no Expresso, uma forma de lamentar o estado a que este processo não chegou: “Não, não se arquive. Tem de haver responsáveis e eles não se podem esconder atrás de livros destinados a prolongar ainda mais a calúnia e a violência sobre inocentes. E tem de haver responsáveis entre os jornalistas e os editores que se prestaram levianamente a aderir e propagandear uma tese que a polícia lhes vendeu e que lhes serviu para vender mais jornais. Não, não se arquive. Já basta de arquivamentos.»

Pois basta, mas aí temos mais um e o meu remate é tirado do blog Direito de Opinião, assinado por António de Almeida:

“Descansa em paz Madeleine, merecias melhor sorte”.

publicado por PRD às 19:25
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Segunda-feira, 21 de Julho de 2008

PS & PSD...

 

Comecemos a semana sem tema fixo, mas sempre com PS e PSD na berlinda... João Gonçalves estabelece um paralelo no mínimo curioso: “Sócrates foi ao Porto ao congresso da sua "juventude". Ferreira Leite foi à Figueira da Foz a uma pinderiquice qualquer da JSD na praia. O chefe do governo aproveita estes momentos light para se fazer de esquerda. (...) Já Ferreira Leite surgiu preocupada com a necessidade de os jovens serem mais "empreendedores" e não dependeram tanto do subsídio, uma vulgaridade copiada do país "dos roteiros" de Cavaco Silva. Sócrates e Ferreira Leite dirigem os dois maiores partidos nacionais em tempos de "morte assistida" das ideologias. Nenhum tem nada de novo a dizer nesta matéria, embora a vantagem do poder maioritário permita a Sócrates fazer umas "flores". Ferreira Leite nem isso. Limita-se a discorrer na praia como numa aula do ISEG. É um pouco o oposto do Maio de 68. Debaixo da praia, o empedrado. A calçada portuguesa”.

Na verdade, o congresso dos jovens socialistas inspirou outro homem à direita, Duarte Calvão, no Corta-Fitas:

“Os jovens socialistas, esses rebeldes maravilhosos, reuniram-se e afirmaram (...) que querem o casamento entre homossexuais em Portugal. Foi lá o Alberto Martins e disse que desta vez não tinha dado, mas que na próxima legislatura é que era. Hoje, foi lá José Sócrates e disse que era progressista, que não dava lições de moral aos jovens, que era tão moderno que até achava que a família não era para procriar. Sobre casamento entre homossexuais, nem um pio”.

Bom, o que noto, até nestas pequenas picardias entre esquerda e direita, é o começo do debate sobre a próxima legislatura, o balanço desta, que Governo poderá chegar. Se o mundo dos blogues antecipa tendências, então vai ser o centro da conversa nos próximos tempos. E a primeira farpa foi lançada por Eduardo Pitta no blog Da literatura - para ele, este governo fez “mais do que fizeram todos os governos desde 1974", e acha que a maioria absoluta ajudou à concretização de uma politica. Paulo Gorjão, no seu novo blog Gorjão.eu, não concorda e desabafa: “Olho para o que foi feito por José Sócrates desde 2005 e dou comigo a pensar: muito concretamente, a maioria absoluta foi essencial para a concretização de que medidas estruturais?”. E Pedro Sales, no Zero de Conduta, recupera justamente a ideia da maioria: “A associação da maioria absoluta à eficácia governativa é uma das questões mais sobrevalorizadas no debate político nacional (...). É que, ao olhar para as propostas aprovadas pelo Governo,  a questão que me parece relevante  avaliar é outra (...): porque é que o país continuou, durante todos os 4 anos da legislatura, a divergir economicamente da média europeia e os portugueses a perder poder de compra? A maioria absoluta não é um fim em si mesmo. Tem que ter resultados. E esses...”

Bom, e esses vão os portugueses julgar no ano que vem. Para já, ainda timidamente, o balanço começa a ser feito no mundo dos blogues...

publicado por PRD às 19:28
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Sexta-feira, 18 de Julho de 2008

Blog da semana: Lisboa SOS

 

Duas semanas depois do incêndio que nos acordou de novo para o pesadelo do Chiado a arder, uma busca rápida na blogoesfera permite-nos encontrar inúmeros blogues que falam de Lisboa, alguns deles já foram aliás destacados por aqui. A maioria está ligada a associações de moradores, ou Movimentos como o Fórum Cidadania Lisboa, que tem o excelente Cidadania LX que “se destina a aplaudir, apupar, acusar, propôr e dissertar sobre tudo quanto se passe de bom e de mau na nossa capital”.

No entanto, para blog da semana escolhi uma página mais recente, com pouco mais de um mês de vida, mas cuja filosofia e conceito ma pareceram atraentes e muito de acordo com um modelo de blog de intervenção rápida. Chama-se Lisboa SOS e por baixo do titulo tem esta pergunta simples:”É esta a cidade onde quer viver?”

O blog não é mais nem menos do que isso: imagens, dezenas de imagens da Lisboa onde nenhum lisboeta quer viver: abandonada, degradada, suja, absurda, ridícula, alarve, esquecida, pobre, perdida.

O autor ou autores anónimos dizem apenas: “Este é um blogue de cidadãos preocupados com o estado de degradação de Lisboa. Não tem partidos, ideologias ou outras intenções que não sejam fazer de Lisboa uma cidade melhor. Pela força do hábito, muitos lisboetas já nem reparam no estado de degradação dos espaços públicos da sua cidade. Este é um blogue contra essa distracção”.

Em poucas semanas, a galeria de imagens, melhor seria chamar-lhe galeria de horrores, é notável, e mostra realmente a cidade que tantas vezes nem vemos, tal é a força do hábito. São sequências de fotografias alucinantes – dos prédios devolutos aos mal tratados, de monumentos de arquitectura arruinados pelos ares condicionados ou pela sujidade, dos perigos que espreitam nas tuas aos absurdos mais estranhos e inesperados.

O blog apela à participação dos seus leitores, e pede fotos devidamente identificadas, e tem um link especifico para reclamações à Câmara de Lisboa.

Podem encontrar o blog em http://lisboasos.blogspot.com. Para ver, pensar, ou ganhar coragem e participar com o que devemos denunciar para ver a cidade capital recuperar a sua cara lavada e o seu futuro sorriso.

publicado por PRD às 19:40
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PRD

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Estes textos são escritos para serem “falados”, ou “lidos”, pelo que não só têm algumas marca de oralidade (evidentemente, propositadas...) como é meu hábito improvisar um pouco “em cima deles” no momento em que gravo a rubrica. Também é relevante dizer que, dado tratar-se de uma “revista de blog’s” – e uma vez que os blog’s não se preocupam com a oralidade ou com a eventual citação lida dos seus textos -, tomo a liberdade de editar minimamente os textos que selecciono. Faço-o apenas para que, em rádio, não se perca a ideia do blogger pelo facto de escrever frases longas e muito entrecortadas. Da mesma forma, não reproduzo palavrões nem frases pessoalmente ofensivas, assim como evito acusações cuja possibilidade de prova é diminuta ou inexistente. Sendo uma humilde crónica de rádio, tinha ainda assim de ter alguns princípios. São estes. Quem tiver razão de queixa, não hesite!

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