Sexta-feira, 30 de Novembro de 2007

Blog da semana: Letra de Forma

Chama-lhe “Uma página de crítica” e pergunta-se: “É isto um blog? Tecnicamente sim, mas o seu intento é outro”.
Já vamos então ver o intento de Letra de Forma, o meu blog da semana, uma nova proposta de Augusto M. Seabra – o critico, o jornalista, o pensador que o jornal Público dispensou das suas páginas e que depois passou brevemente pelo Diário de Noticias mas... não ficou.
Agora adere à blogoesfera porque, escreve, “a colaboração na imprensa escrita é um capítulo para mim encerrado, com algum desconforto é certo (...), mas também, e tenho de o dizer com toda a sinceridade, com um indesmentível alívio”.
“Uma página de crítica e opinião, prosseguindo no espaço digital aquela que foi a minha actividade na imprensa ao longo de muito anos. Como tal, e de acordo com a defesa que sempre fiz de que a crítica deve ser também uma actividade profissionalizada, este espaço, diferentemente da generalidade dos blogs, é também ele feito numa base profissional. De algum modo, aliás, retomam-se assim questões que tem vindo a suscitar importantes controvérsias sobre as relações dos espaços críticos na imprensa e nos blogs, e sobre se eventualmente estes estão a contribuir para o definhamento de tais espaços no meio impresso. O anacronismo do título, Letra de Forma, é também uma resposta pessoal: aqui se escreverá tal como na imprensa, interessando menos, mesmo muito pouco, algumas das interacções características da blogosfera ”.
Ou seja, o AM Seabra de sempre agora na versão digital – ele e as suas ideias, reflexões, olhares, pouco preocupado com interactividades, comentários, debates.
O blog começou há pouco mais de uma semana mas já lá tem uns bons 8 mil caracteres sobre a politica cultural do governo no que aos museus diz respeito. Titulo do post : “A Farsa dos Museus”. Primeira frase: “Por socrática graça, é Isabel Pires de Lima senhora ministra da Cultura”.
O resto, só lido. Seabra engrossa assim uma fatia nova na blogoesfera : a dos cronistas, críticos, pensadores, que a imprensa vai dispensando em nome da novidade ou de uma busca incessante de novos públicos – públicos que, no entanto, insistem em não chegar... Na verdade, uma busca rápida ao medidor de audiências da blogoesfera permite perceber que com apenas 3 textos publicados, Augusto M Seabra tem mais de 5 mil visitantes, se calhar os mesmos cinco mil que deixaram de comprar no último ano os jornais onde ele escrevia. Um assunto para pensar? Eu diria que sim.
Aí fica então o endereço: letradeforma.blogs.sapo.pt . O meu blog desta semana.
publicado por PRD às 18:25
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Quinta-feira, 29 de Novembro de 2007

Drama na cidade

Drama na Câmara de Lisboa seria o título para esta crónica. O tema, esse mesmo: O PSD bloqueou um pedido de empréstimo de 500 milhões de euros que o Presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, acha essencial para não asfixiar a autarquia.
Daniel Oliveira, no Arrastão, diz que “Lisboa merece um pouco mais do que birras” e exige: “O PSD que (...) respeite o voto dos lisboetas, que quando votaram sabiam do empréstimo”.
Tomás Vasques, no blog Hoje há Conquilhas, recorda que “Lisboa está a pagar um preço muito alto. A bem da democracia e da responsabilidade, espero que aprovem (...) uma nova Lei Eleitoral Autárquica que (...) impeça que o desvario e a «táctica política» arruínem por décadas Lisboa e outras cidades”.
Jorge Ferreira, no blog Carmo e a Trindade, só pergunta:
“Quando é que darão descanso a Lisboa? PS e PSD têm gasto há décadas à tripa forra. Resolvam, mas poupem-nos a mais espectáculos tristes”.
“Chumbar este empréstimo é cortar as pernas ao executivo camarário”, escreve José Reis Santos no blog Loja das ideias. E depois pergunta: “Não acham que Lisboa necessita de uma certa acalmia? De que seja respeitada a vontade do eleitorado? Não acham que Lisboa deve deixar de ser uma qualquer experiência irresponsável, ou um brinquedo para estragar nas mãos da direita?»
Justamente à direita está Rui Castro no 31 da Armada:
“Quando se candidatou à presidência da capital, António Costa bem sabia que a maioria PSD na Assembleia Municipal não lhe daria descanso. (...) Pelos vistos, optou pelo caminho mais fácil, a martirização política. Até pode ser que lhe permita a reeleição daqui a 2 anos, mas torna-o igual aos demais”.
JCS , no blog Lóbi, lembra que António Costa prometeu estabilidade e entende que não está a cumprir. Escreve: ”O impasse político na cidade, que parece não ter sido ultrapassado com as eleições, faz-nos pensar como pode uma “cidade tão bonita” ser tão maltratada. Violada, eu diria, por governantes obtusos”.
Carlos Manuel Castro, no blog Palavra Aberta, recorda que o PSD “não pode assobiar para o lado, como se não tivesse nenhuma responsabilidade no estado deplorável em que se encontram os cofres da autarquia e o estado da cidade”.
A blogoesfera debate, critica, dá palpites. Mas no meio de tanta opinião politica fundamentada, acho mesmo que do estado da cidade sabe a Carolina, que tem apenas 3 anos. É com ela que fecho este olhar sobre a cidade parada, a cidade falida, a cidade em impasse. Encontrei a Carolina no blog da mãe, A Tralha, onde se escreve bem e com sensibilidade:
"A Lisboa está feia, não está, mamã?", e esta pergunta doeu-me mais do que um parto sem epidural . Não se mente às crianças, não se deve mentir às crianças, está feia sim, filha - no meio, um suspiro, uma pausa, para a voz se recompor (...). Depois do passeio de ontem, a minha Carolina acha que o Natal não vai chegar a Lisboa. Só aos centros comerciais. Que a cidade está feia e sem magia pelo ar. Tem razão: à porta de nossa casa, em pleno Marquês de Pombal, há lixo, há folhas mortas amontoadas nas sarjetas e por debaixo das rodas dos carros estacionados, há obras, passeios esburacados, carros em segunda e terceira fila, apesar de estarmos a 20 metros da Divisão de Trânsito da PSP, e da propaganda barata da Tolerância Zero”.
Fecho com o olhar da Carolina – porque, demagogia à parte, devia ser nas Carolinas todas de Lisboa que os senhores da Assembleia Municipal deviam pensar quando se encontram para decidir a cidade.
publicado por PRD às 18:19
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Quarta-feira, 28 de Novembro de 2007

Escassa cultura...

As coisas não têm corrido de feição para a ministra da cultura, Isabel Pires de Lima.
Diogo Belford Henriques, no blog 31 da Armada, fez o levantamento sumário:
“A Ministra da Cultura que afirmou que a exposição do Hermitage é importante porque os nossos museus "têm pouca arte antiga" ... e deixa que o MNAA feche as salas com os painéis de S. Vicente; A Ministra da Cultura que diz que o MNAA fecha salas devido a um atraso  por parte da direcção do Instituto dos Museus e da Conservação... e não os demite; A Ministra da Cultura que, sobre o quadro "Deposição de Cristo no Túmulo", do pintor Giovanni Tiepolo, garantiu que Governo "não está a par com todo o rigor nem do processo em relação ao quadro nem dos montantes envolvidos"... veio depois dizer que "Houve um lapso do meu gabinete". (...) A Ministra da Cultura não deve demorar a ser deposta”.
O problema é que, como se não bastasse, o quadro de Tiepolo vai a leilão na amanhã, quinta-feira, porque o Estado não tem dinheiro para o comprar...
Bom, vamos aos comentários: Pedro Picoito, no blog Cachimbo de Magritte, diz que o episódio “serve de perfeita ilustração à nossa política cultural de fachada”. E nota que o mesmo estado que não tem 1 milhão e 250 mil euros para comprar este quadro conseguiu 1 milhão e meio para ter a exposição do Hermitage em Lisbo. Pergunta Picoito: “Serei eu o único a ver onde pára o capital que nos permitiria ter mais um Tiepolo nas Janelas Verdes?”
Tiago Card, no blog O insecto: “Os desnorteios na Cultura começam (...) a cansar. Longe vão os tempos em que o Partido Socialista era conhecido pelo especial rigor e cuidado com que cuidava desta pasta”
Paulo Pinto Mascarenhas, no blog Atlântico:
“Isabel Pires de Lima já demonstrou por diversas vezes que não serve como ministra da Cultura e se José Sócrates ainda tinha alguma dúvida, o “caso do Tiepolo português” deveria ser a gota de água. (...) A irresponsabilidade assumida, o acto de desresponsabilização da ministra, é inaceitável”.
Zé Povinho no blog com o mesmo nome, Zé Povinho, interroga-se sobre “se não há muitos mais assuntos que a responsável pela tutela da Cultura desconhece, e que são da sua responsabilidade política?”
E fecho com Augusto M. Seabra. O critico, o intelectual, afastado do jornal Publico e depois do DN, regressa ao activo com um blog, Letra de Forma. A ele voltarei na sexta-feira, para já um remate apenas do que escreveu ontem sobre o Ministério da Cultura em geral e este caso em particular:
“O conto é exemplar, do que é incompetência e falta de carácter político de uma governante, e daquilo para que serve um seu fiel director de Instituto: para lhe garantir obedientes funcionários, sempre prontos, mesmo quando humilhados, às normas do servilismo vigente. É a grave farsa da incompetência e mesmo do descalabro em vigor no ministério da Cultura”.
Fala-se em remodelação no governo para o começo de 2008, bom, a Cultura parece que está em maus lençóis...
publicado por PRD às 23:16
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Terça-feira, 27 de Novembro de 2007

Portiugal, o povo, o futebol

Às vezes o pretexto é um facto – mas o que resulta desse facto, ou a reflexão que resulta desse facto, acaba por ser uma tese ou um ensaio sobre Portugal e os Portugueses. A blogoesfera está cheia de teses e de ideias que nos deixam a pensar em Portugal.
Como digo, o pretexto pode ser bem actual. Futebol, por exemplo. Repare-se neste excelente post de Nuno Costa Santos no seu blog Falar para Dentro:
“O povo português é um povo muito chato. Muito chatinho. Muito embirrento. Muito "hanhanhan". Falo por mim. Eu também, no final do jogo com a Finlândia, fiz um ar enfadado e lancei a farpa quando vi a equipa e Scolari aos pulos: "Estão todos tão contentinhos por terem empatado com a Finlândia!". Hanhanhan. No fundo, isto não passa de um campeonato: "Quem é que é mais emocional, nós ou Scolari?". Só que, com Luiz Felipe, nós não queremos só o amor da relação. Queremos que o homem fique maldisposto. Que, quando regresse a casa no fim do dia, (…) ainda ouça as nossas palavras de impaciência e exigência. Somos chatinhos, sim senhor. Todos os dias arriscamos novas bocas. O que só acontece porque sabemos que somos por ele amados. Porque sabemos que ele não nos vai deixar. Somos chatos. Chatinhos mesmo. Não é fácil estar casado connosco”
Mantenhamo-nos no mundo do futebol. O caso Luís Figo também pode servir como metáfora para uma ideia de Portugal e dos portugueses. Veja-se o que escreve Bruno Sena Martins no blog Avatares de um Desejo:
“Caríssimo Figo, foste muito bom e ainda és. Mas peço-te que não voltes à Selecção. A mitologia do regresso faz muito mal a Portugal e é importante que algum herói desapareça sem mais, sem as choraminguices sebastianistas do costume. Acho que podias ser tu a prestar esse serviço, mantendo-te firme na resoluta recusa em ceder ao passadismo angustiante destas gentes. Já regressaste uma vez sem fazer a qualificação e também jé puseste no lugar os sportinguistas que te imaginavam desejoso de um retorno, retorno que, justiça seja feita, tu nunca cortejaste. Vamos deixar a próxima geração à sua sorte, desgraçando-se, se tiver que ser, às suas próprias expensas. Além do mais, passar os próximos 10 anos das nossas vidas com o futebol irresponsavelmente belo do Ronaldo e o do Quaresma não pode ser assim tão mau. Tenhamos, finalmente, um Adeus não português: sem pensar muito nisso.”
Estes dois exemplos demonstram esta função dupla que muitos bloggers emprestam ao seu blog: abordar a actualidade mas dar-lhe profundidade e consistência. Mesmo que o tema seja bola – essa infinita paixão nacional, que sobe à Janela Indiscreta no primeiro de dois dias intensos para o futebol nacional na Europa...
publicado por PRD às 18:18
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Segunda-feira, 26 de Novembro de 2007

O PSD do jornal ao blog

Quando há tema e polémica, nem adianta ir comprar o jornal: um busca na Internet e encontramos na blogoesfera tudo o que os jornais publicam. Exemplo: O PSD, no seu novo rumo, anunciou que também ele quer ser uma "empresa". O tema pôs os comentadores de cabelos em pé.
Vasco Pulido Valente escreveu no Público – e poucas horas depois, qualquer um podia ler o seu artigo integral no blog Jumento:
“O PSD acabará por se tornar no objecto que o mercado deseja. O mercado gosta de um "homem de Estado": os técnicos farão do seu instável "chefe" o "homem de Estado" de que o mercado gosta (...). O mercado aspira a receber e detesta pagar: Menezes dirá obliquamente que não discorda. Daqui em diante o mercado decide como, quando e com que fim ele abre e fecha a boca”.
Sobre o tema escreveu também, no Público, Pacheco Pereira, mas logo disponibilizou no Abrupto, o texto do artigo onde diz:
“Não é às fábricas de aparências, cor-de-rosa ou cinzentas, que se deve ir buscar inspiração, nem aos mitos do "futebolês" e do "economês", mas ao conhecimento da sociedade, às virtudes cívicas e à política ao serviço do "bem comum". Seria mais útil lerem, por exemplo, Sá Carneiro, esse político antiquado e pouco moderno".
No seu blog pessoal, Pedro Santana Lopes também reflecte esta ideia pragmática dos partidos e da politica e escreve:
“Não faz sentido o líder de um partido, nos tempos que correm, não dispor de assessoria, especializada e em full-time, para estar apto a responder devidamente às solicitações que todos os dias surgem. Obviamente que um líder tem o seu pensamento próprio. Mas isso não dispensa assessoria de investigação, de documentação, de comunicação e até de concepção”.
Por fim, mantendo a lógica da ligação entre blogues e jornais, sigo a reboque do blog Da literatura, onde Eduardo Pitta traz as ideias de António Barreto e Rui Ramos que ficaram nas páginas do Público...
António Barreto: «O que sobra para o PSD? Para que Portugal precisa do PSD? O que é que o PSD vai trazer à sociedade portuguesa? [...] Para que um partido tenha lugar na sociedade, ele tem de ter capacidade de liderança, mas também programa e estratégia. As pessoas só votam se sentirem que o partido é necessário. Esta é a grande crise do PSD e da direita.»
Rui Ramos: «Talvez o mais problemático da situação do PSD seja o grau de imprevisibilidade quanto ao futuro do partido. [...] Menezes é um homem do passado [...] vem na continuidade de uma velha cultura PSD, que se recusa a situar na direita, mas que pensa que pode passar por direita. [...] Menezes é o PSD que se recusa em optar entre o status quo e as reformas”
Facto incontornável: o PSD atravessa um mau momento, reflectir sobre o seu caminho, o seu futuro, parece óbvio e necessário. Desta vez, mais do que nunca, a blogoesfera pode ser terreno fértil para essa reflexão. A ver vamos que futuro sai deste presente.
publicado por PRD às 19:14
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Sexta-feira, 23 de Novembro de 2007

Blog da semana: Ié-Ié

Começou discretamente com um post onde se dizia:
Kalifas , Galãs, Ekos , Morcegos, Diabólicos, Flechas, Claves, Protões, Sheiks , Fliers , Lua Azul, Deltons , G-men , Diamantes Negros, Chinchilas, Dakotas , Krawas .... Soa estranho? Fique então atento a este espaço. Voltarei em breve com boas novidades, espero”.
E não tardaram as novidades neste blog recente, tem 2 meses, mas que escolho para meu eleito da semana. Chama-se Ié-Ié apesar de se encontrar no endereço http:/ /guedelhudos.blogspot.com , é de um único autor, não identificado – mas trata-se sem dúvida de alguém cujo passado está ligado à música, nomeadamente nos anos 60, entre Coimbra, Londres e Lisboa. Dos Beatles aos Sheiks , dos festivais de musica pop aos primeiro grupos portugueses – onde tocaram, entre muitos, nomes famosos como Proença de Carvalho – o blog é um repositório riquíssimo de histórias, memórias, e recheado de iconografia: capas de discos, noticias de jornal, cartazes de festivais, até papeis de embrulho de discotecas e lojas desses anos em que a música era o carro chefe da cultura popular.
Os textos do blog são bem escritos, com humor, descontraídos, e procuram recuperar memórias mais do que fazer História. Exemplo prático:
“Em Setembro de 1963, conta-se ali, o cinema Roma, de Lisboa, para promover o filme "Mocidade em Férias", com Cliff Richard e os Shadows , resolveu organizar um concurso de bandas a que deu o (agora) engraçado título Conjuntos Portugueses do tipo do The Shadows ". Não me lembro desta tradição noutros países, mas em Portugal, na década de 60, houve milhares de concursos yé-yé Não havia cidade que não tivesse o seu. Mas do meu ponto de vista, só houve três grandes concursos: Rei do Twist (1963), este de que vos falo agora, e o mui famoso Concurso Ié-Ié em 1965/1966, de que vos falarei noutra ocasião. Só para vos abrir o apetite, apenas direi agora que do júri desse concurso fez parte o ex-ministro dos Negócios Estrangeiros de Cavaco Silva e actual notável de Luís Filipe Menezes nóvel líder do PSD), Martins da Cruz.”
O autor do blog segue então com o relato do Concurso, socorrendo-se da imprensa da época, dos anúncios, até mesmo do regulamento do concurso, onde se dizia que nas audições prévias “não se exigem os trajos com que aparecerão perante o público. Apenas se tornam indispensáveis os instrumentos de música e respectivos aparelhos de amplificação”.
O vencedor do concurso, apresentado, veja-se bem, por Fernando Peça, foi o "Conjunto Mistério de Fernando Concha". Segundo o Diário Popular, passou pelo cinema Roma "uma enorme multidão, na sua essência constituída por jovens apaniguados do azougado ritmo dos nossos dias - o twist ”...
Como este, há muitos mais relatos, histórias, memórias e imagens dos bons velhos anos 60 para ver no blog. Ié-Ié pois claro, no tempo de todas as nostalgias, uma nostalgia musical na blogoesfera .
publicado por PRD às 18:23
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Quinta-feira, 22 de Novembro de 2007

Diplomacias (parte II)

Escrevia ontem José Medeiros Ferreira no seu Bicho Carpinteiro: “Para onde quer que Portugal se vire surge uma objecção: Angola, Mugabe, China, Chavez...”
Pois assim estou eu: para onde quer que me vire, só me aparece Hugo Chavez e as suas polémicas, a sua visita a Portugal, ou simplesmente a Venezuela, que continua a baralhar alegremente esquerda e direita...
Pedro Magalhães, no blog Margens de Erro, recupera o post de Daniel Oliveira no Arrastão em que se agarrava às sondagens para dizer que os venezuelanos gostavam da sua democracia. Magalhães traz dados novos: estudos demonstram que «na Venezuela: 91%  (...) achavam que "a democracia é a melhor forma de governo"; mas apenas 49% achavam que "um líder forte que dispensasse eleições e o parlamento" era uma coisa "má" ou "muito má" para o país. (...) Assim, quando o Daniel diz "a democracia é isto", eu diria outra coisa: é isto um regime onde não há consenso sobre o que significa "democracia"».
Blofgoesfera é isto: debate, troca de ideias. Vamos em frente com LT no blog O Insurgente:
“Ouvi (...) José Sócrates apelando a Hugo Chávez que considerasse Portugal como sendo a sua casa. Por momentos tremi. Receei que hoje, ao acordar, a TVI e a SIC tivessem sido fechadas, que os colégios não alinhados no politicamente correcto fossem igualmente encerrados, (...) e que Maria de Belém tivesse invadido a TVI (antes desta fechar) para dar uma valente estalada num jornalista. Felizmente não. Chávez foi de volta para a sua adorada Venezuela”.
Blog Afinidades Efectivas, sob pseudónimo e sobre este “Mi casa es su casa”:
“Os pessimistas dirão que está a querer apertar a vida dos Portugueses à maneira do que o interlocutor faz com os Venezuelanos. Os optimistas acharão que está a oferecer-lhe, preventivamente, um local de exílio”.
Pedro Norton, blog Geração de 60, traz vários argumentos ao debate, mas destaco este:
“A legitimidade democrática de Hugo Chávez. Ora um mínimo de cultura política teria permitido perceber que nem só da regra democrática vivem os nossos regimes. De facto, quando falamos em «legitimidade democrática» estamos, na maior parte dos casos, a invocar uma dupla legitimidade: a democrática e a liberal. Pela simples razão de que as democracias a que fazemos normalmente referência são, de facto, democracias liberais”.
Victor Abreu, blog Jantar das Quartas:
“Estamos transformados no Circo Cardinali da diplomacia internacional, com homens das forças fala-baratos, palhaços ricos decadentes e gorilas velhos”
Jorge Ferreira, blog Tomar Partido:
“Não, Sr. Primeiro-Ministro, não aceito em oferecer a minha casa a Chavez, como se estivesse na dele. Nem a defesa dos interesses estratégicos portugueses na Venezuela ou os interesses da comunidade portuguesa venezuelana justifica tanta intimidade. Tivesse o Sr. Primeiro-Ministro sentido de Estado e perceberia a diferença entre diplomacia e intimidade”
E como estas havia mais dezenas, centenas de ideias, opiniões, teorias. Nunca pensei que um país distante e um ditador  - como tantos naquelas paragens – motivassem e inspirassem tanto a opinião pública nacional. Ou, melhor dito, a blogoesfera. Mas lá que mexeu com todos, mexeu...
publicado por PRD às 18:47
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Quarta-feira, 21 de Novembro de 2007

Diplomacias

E então lá veio até Lisboa o Presidente venezuelano Hugo Chavez, logo agora que está fresca ainda a polémica, na cimeira ibero-americana, com o rei de Espanha. Duarte Calvão, no blogue Corta-fitas, é claro e vai direito ao assunto: “O candidato a ditador vem a Lisboa… e eu estou-me nas tintas. Nas relações internacionais, sou a favor daquela história do "Estado a Estado", independentemente de quem ocupa a chefia do dito. O problema é dos venezuelanos, que o elegeram, e não nosso. Quanto à questão com o rei de Espanha, fiquei contente por ter sido um momento clarificador no meio de tanta confusão ideológica que há no mundo. Quem tem uma ponta de simpatia por Chávez (…), ou tenta justificar a sua actuação como presidente, pode ter a certeza que é de esquerda”. E remata bem:
“Tenho a enorme satisfação de saber que a minha cidade (…) o vai receber com mau tempo”.
Alice Pato, no blog Coisas Publicas, recupera as declarações de António Costa e Silva no programa "Prós e Contras" para recolocar a questão de Chavez na economia global: “Deveríamos ter noção das potências emergentes e do seu papel a médio prazo; na colaboração com os países que têm reservas imensas de petróleo mas onde existe uma desigualdade gritante entre ricos e pobres, (…) como é o caso entre outros da Venezuela e do Irão. O problema central é o da distribuição da riqueza."
Daniel Oliveira, no blog Arrastão, socorre-se de sondagens e escreve: “Os venezuelanos são o segundo povo mais satisfeito com a sua democracia na América Latina. Há onze anos eram metade os que manifestavam este sentimento. Eu posso achar que Chavez segue mau caminho. Mas todos os sinais dizem que os venezuelanos estão satisfeitos com a sua escolha. A democracia é isto. “
Por isso Daniel remata: «não chamo à vontade dos venezuelanos, "ditadura"».
Carlos Manuel Castro, no blogue Palavra aberta, acha natural o encontro entre os líderes dos dois países:
“Portugal tem interesses bem elevados na Venezuela. Os milhares de emigrantes que vivem na pátria de Bolívar precisam de suporte e apoio do país natal. Porém, com o pseudo-biblista-bolivarista, todos os cuidados são poucos. Bem se pode adoptar o ditado aos tempos correntes, por que a origem está desfasada: do populismo, nem bom vento nem grande entendimento. (…) As nacionalizações que estão a ser assumidas em alguns países da América do Sul, em especial na Venezuela, não são boas, nem para as empresas investidoras, nem para os nacionais, nem para o país. O que pode parecer um sonho de investimento, bem pode virar pesadelo”.
Por fim visito o blog da revista Atlântico e encontro uma citação que remata bem esta viagem rápida:
“A Venezuela é uma democracia a caminho da ditadura”, comenta ao P2 Pedro Marques Lopes, colaborador da revista. “A democracia constrói-se, é um processo evolutivo. Quando alguém vence eleições e depois desrespeita os princípios básicos do estado de direito (liberdade de expressão, direito à propriedade), deixamos de poder falar em democracia.”
Enfim, o tema vai continuar em debate nos próximos dias, disso estou certo. Para já fica este primeiro olhar das blogoesfera sobre uma visita com duas faces distintas, mas um só final.
publicado por PRD às 18:40
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Terça-feira, 20 de Novembro de 2007

Vasco Pulido, Valente

Vasco Pulido Valente é amado ou odiado pela generalidade dos leitores de jornal. Ninguém fica indiferente à sua escrita, ao seu olhar, critica, ironia. Invariavelmente se lhe aponta o pessimismo como imagem de marca, mas a essa pergunta ele responde:
“Optimismo e pessimismo são sentimentos que eu não tenho. Às vezes parece-me que a vida portuguesa vai correr bem, outras vezes parece-me que vai correr mal, mas isso é irrelevante. Não escrevo fundado num sentimento ocasional”
Assim o disse à revista do Expresso no último fim-de-semana, e aos poucos a blogoesfera acordou para as palavras do historiador, do colunista, do observador rigoroso de Portugal e dos portugueses.
A entrevista do Expresso, de Ana Soromenho e Rui Gustavo, pode ser lida na integra no blog da revista Atlântico (no que foi um excelente serviço que o blog nos proporcionou...). Na caixa de comentários está lá a opinião de Rodrigo Adão da Fonseca, do blog Blue Lounge :
“Esta peça fez-me lembrar um pouco a personalidade de Churchill, que tanto me agrada, há em VPV algumas semelhanças bem evidentes: o percurso escolar, (...) de um aluno desleixado, em colégios internos de inspiração britânica, as relações familiares, o gosto pelos pequenos prazeres da vida, a ironia, o humor, um certo distanciamento em relação ao quotidiano. Recordou-me ainda uma frase que um grande amigo me dizia com frequência, que me apreciava mais pelos meus múltiplos defeitos do que pelas minhas qualidades. VPV tem, também um leque de supostos defeitos que não esconde e lhe acentuam o carisma, que cativam os seus leitores, goste-se ou não do que escreve”
Na entrevista Vasco diz: «A sociedade está a tomar formas tão horríveis que não me apetece viver muito mais neste mundo». E João Gonçalves, no Portugal dos Pequeninos, comenta: “Ficamos assim logo aos 40 e tal, não é preciso esperar mais vinte…”
Bruno Sena Martins, no blog Avatares de um desejo, repara neste pormenor nada irrelevante:
“Vasco Pulido Valente (…) confessa alguma mágoa pelo modo como Maria Filomena Mónica o retratou em Bilhete de Identidade (…). Umas linhas abaixo, VPV fala do seu próximo projecto: (…) a biografia de Eça de Queiroz. Conhecidos os méritos de VPV nesse registo, fico algo curioso em saber que efeito essa obra terá sobre uma outra biografia de Eça, publicada em 2001”. Pois, justamente a de Filomena Mónica.
Por fim, noto que Pulido Valente, na entrevista, se refere só de passagem a Pedro Santana Lopes, para dizer que viu “o primeiro debate na Assembleia da República e achei aquele ajuste de contas com Sócrates lamentável”. Pois bem: no seu blog pessoal Pedro Santana Lopes responde:
“Estive a ler a entrevista de Vasco Pulido Valente. Lá está: é das pessoas que pior escreve ou fala sobre mim. (...) Não posso deixar de sentir admiração e respeito por uma personalidade tão marcada, com uma expressão tão azeda. É obviamente muito inteligente, tem obra, apesar de tudo tem uma rota coerente. Sabe do que fala, seja injusto ou justo, exagerado ou rigoroso, falhe ou acerte nas análises e nas previsões”.
Ninguém fica indiferente a Vasco Pulido Valente, uma entrevista destas já se sabia que dava pano para mangas. E deu.
publicado por PRD às 19:03
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Segunda-feira, 19 de Novembro de 2007

ERC à solta

Momento alto da blogoesfera nacional nos últimos dias, noticias de jornal:
“A Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) fez uma deliberação inédita, na qual prevê que, a partir de agora, todas as pessoas que sintam violados os seus direitos de expressão em sítios da Internet que cumpram uma função de veículo de comunicação pública possam ver as suas queixas atendidas pelo Conselho Regulador”.
Não vos maço com o teor da deliberação, mas o essencial é que, aparentemente, blogs de toda a espécie podem estar debaixo deste chapéu e ser portanto regulados pela ERC, que desde que nasceu não tem feito mais nada a não ser dar tiros consecutivos nos pés.
É óbvio que os blogs mais atentos acordaram logo para a informação, e agora correm posts diversos com declarações de principio sobre a ERC. De todos, sem dúvida o melhor e o mais completo é o de Francisco José Viegas na Origem das Espécies, que edito e reedito para caber aqui neste espaço:
“Caríssimo Dr. (...) Azeredo Lopes: (...) creio dever informar essa Entidade que neste blog não há «conteúdos sujeitos a tratamento editorial» e que, como tenho escrito, os «conteúdos» não estão «organizados como um todo coerente», coisas que me permitem escapar à superior vigilância da Entidade. Mesmo assim, nunca se sabe. (...) Ao contrário de outros «meios», este blog não tem agenda, não tem editor sempre responsável, e não costuma insultar ninguém. Uns atropelos, vá lá. Mas nada de especial. Asseguro o direito de resposta a toda a gente, desde que me respondam sem muitos advérbios. Falo de sexo apenas o indispensável, a política deixa-me desamparado e desiludido (...), a literatura ainda não é muito ofensiva, e não publico fotografias de cidadãos que não querem ser fotografados. Desde que o Dr. Soares mencionou o «direito à indignação» tenho, repetidas vezes, tentado insultar o aeroporto de Lisboa, a estação do Oriente, o Sport Lisboa e Benfica (...), o seleccionador nacional, os táxis no aeroporto de Lisboa, o mandatario Hugo Chávez, a Asae, o Jornal da Região, os inimigos do Dr. Pinto Monteiro ou (...) essa Entidade. Todos somos injustos, é o que é. Portanto, isto não é um site. Assino com o meu nome. Não tenho nenhum blog anónimo. Quem quer responder-me, responde, mas não me parece que seja necessário invocar os códigos. (...) Como sabe, a lei geral é suficiente. Veja o que acontece com o o futebol, com os seus tribunais especiais, as suas leis particulares, os seus desembargadores de aluguer, os seus juízes descredibilizados: ninguém confia. Não queira o senhor passar (...) por ser um desses desembargadores da Federação de futebol, como se houvesse um Estado dentro de um Estado. Nós, nos blogs, geralmente exageramos muito. De uma coisa de nada fazemos (...) uma tempestade, de coisa nenhuma fazemos um carnaval. Portanto, se a TAP ou o aeroporto se queixarem do que escrevi sobre aquela coisa miserável que é o Terminal 2, ou se os superlativos talentos da Expo 98 se queixarem do que disse sobre aquela coisa grotesca e desagradável que é a Estação de Oriente (...), diga-lhes, por favor, que me enviem um email. Basta isso. É um mimo”.
Assim, sem mais, Francisco José Viegas arruma num canto as intenções da ASAE da comunicação social, vulgo ERC. Nada mais a considerar por hoje...
publicado por PRD às 19:04
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Estes textos são escritos para serem “falados”, ou “lidos”, pelo que não só têm algumas marca de oralidade (evidentemente, propositadas...) como é meu hábito improvisar um pouco “em cima deles” no momento em que gravo a rubrica. Também é relevante dizer que, dado tratar-se de uma “revista de blog’s” – e uma vez que os blog’s não se preocupam com a oralidade ou com a eventual citação lida dos seus textos -, tomo a liberdade de editar minimamente os textos que selecciono. Faço-o apenas para que, em rádio, não se perca a ideia do blogger pelo facto de escrever frases longas e muito entrecortadas. Da mesma forma, não reproduzo palavrões nem frases pessoalmente ofensivas, assim como evito acusações cuja possibilidade de prova é diminuta ou inexistente. Sendo uma humilde crónica de rádio, tinha ainda assim de ter alguns princípios. São estes. Quem tiver razão de queixa, não hesite!

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