Quinta-feira, 13 de Dezembro de 2007

Tiros para o ar

Crime na noite de Lisboa e Porto – as notícias parecem saídas de um livro policial, ou de um filme sobre gangues . No Portugal de brandos costumes, a coisa faz alguma confusão.
Na blogoesfera , o tema também dá que falar, tanto mais que dominou o encontro mensal no Parlamento. Comecemos por uma aproximação ao tema via blog Grande Loja do Queijo Limiano, assinado com pseudónimos mas que se percebe ser de profissionais ligados à justiça. Manuel escreve, a propósito das declarações do Procurador-Geral que se socorre da estatística para provar que o crime não aumenta em Portugal:
“Sem alarmismos, claro está, apetece recordar a Pinto Monteiro as palavras sensatas de um professor de Estatística, nos bancos da Universidade, há muitos anos atrás - as estatísticas, às vezes, são como uma mulher em biquíni - mostram tudo, menos o essencial. Ora, o essencial é que desde os tempos loucos das FPs que não se via nada assim”.
Acrescenta o seu colega José no mesmo blog: ”Torna-se já notório que os mandantes dos crimes de sangue (...) são criaturas da noite. Em diversos sentidos. Se a polícia Judiciária só anda de dia e fica sentada em secretárias, (...) não admira que fiquem espantados com a falta de pistas para topar quem anda a matar. (...) A polícia pairou, durante tempo demais, algures, alheia ao fenómeno”.
Salto daqui para um blog de policias, que não se identificam, o Policíadas :
“Todos sabem muito de gangs e máfias. Todos têm exigências a fazer e defeitos a apontar. São fenómenos cíclicos. São também alimentados por grupos de interesse bem objectivados: a imprensa vende mais jornais, a televisão tem mais minutos de cobertura em directo de coisa nenhuma (...), o Ministro vem falar com ar paternalista (...), a população pede mais segurança, o poder local faz umas reuniões (...) e anuncia soluções.... Mas o cerne da questão fica por tratar. Onde foram chamados a ser ouvidos os profissionais, os verdadeiros profissionais da segurança. Onde, como e quando foram chamados a pronunciar-se? Nunca ou quase nunca. (...) Os poucos casos de criminalidade mediaticamente violenta (...) vão em última análise servir o interesse de alguém. Dois exemplos: A segurança a Clubes Nocturnos (...) era feita, nas cidades, pela PSP. Foram proibidos de o fazerem; apareceram as empresas de segurança privada. Segundo: no futebol foram criados os «Stewards». Substituíram a Polícia no serviço mais calmo (...). Entretanto, como autênticos cogumelos apareceram mais empresas de segurança. Concluindo: foi o poder politico que legislou para que a realidade que temos se verificasse”.
Teme-se o pior de acordo com este quadro, que é secundado de alguma forma por Miguel Silva no Bios Politikos:
“Os assassinatos dos últimos meses estão ligados a uma criminalidade altamente organizada, (...) que se combate menos com policiamento de proximidade e mais com investimento na investigação e no combate à corrupção e ao branqueamento de capitais. Tudo coisas bastante mais difíceis de concretizar”.
Valham-nos então um post para sair a sorrir desta imagem de horror e animar um pouco o dia. É humor negro, aviso já. JCD no Blasfémias: “Se há uns gangsters que se andam a matar uns aos outros, o Porto só pode estar a ficar mais seguro. Na prática, o que eles estão a fazer é o trabalho da polícia, mas com mais eficácia”.
Não é bem assim, mas sempre desdramatiza o drama das noites que se vivem fora das nossas casas...
publicado por PRD às 19:03
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1 comentário:
De arquivosinc@gmail.com a 21 de Dezembro de 2007 às 01:17
Não tenho procuração nem sequer especial proximidade com as gentes da GLQLimiano. Mas tenho a suficiente para saber que não é um blog com muita gente ligada à justiça: na verdade apenas o José se inclui aí. Quanto ao Manuel, nem de longe nem de perto. Mas lá que opina, opina. E muitas vezes bem.
talvez por isso não seja a 1ª nem a 2ª vez que leio coisa parecida no que respeita à GLQL. Mas o seu a seu dono :)

Kamikaze (L.P.)


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Estes textos são escritos para serem “falados”, ou “lidos”, pelo que não só têm algumas marca de oralidade (evidentemente, propositadas...) como é meu hábito improvisar um pouco “em cima deles” no momento em que gravo a rubrica. Também é relevante dizer que, dado tratar-se de uma “revista de blog’s” – e uma vez que os blog’s não se preocupam com a oralidade ou com a eventual citação lida dos seus textos -, tomo a liberdade de editar minimamente os textos que selecciono. Faço-o apenas para que, em rádio, não se perca a ideia do blogger pelo facto de escrever frases longas e muito entrecortadas. Da mesma forma, não reproduzo palavrões nem frases pessoalmente ofensivas, assim como evito acusações cuja possibilidade de prova é diminuta ou inexistente. Sendo uma humilde crónica de rádio, tinha ainda assim de ter alguns princípios. São estes. Quem tiver razão de queixa, não hesite!

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