Terça-feira, 11 de Dezembro de 2007

O desacordo ortográfico

Ou muito me engano ou este 2007 vai fechar com uma polémica antiga que agora se recupera: o acordo ortográfico. Entra em vigor em Janeiro de 2008 e uma vista de olhos rápida dá para perceber que vem aí discussão…
Paula Faria, no blog Nortadas, dá o mote na comparação: “calcula-se que 1,6% do vocabulário de Portugal seja modificado. No Brasil, a mudança será bem menor: 0,45% das palavras terão a escrita alterada”. Depois dá alguns exemplos, dos quais o mais chocante, para a blogger , é o fim do acento na palavra “Pára”… Para aí, p ára aí, confusão à vista…
No Blog Insónia, Henrique Fialho aproveita o acordo para acordar os leitores para o ensino:
“Todos os dias deparo-me com situações em que, por desrespeito pelas mais básicas leis desse código que nos possibilita o exercício da comunicação, as pessoas não se entendem, geram equívocos desnecessários, controvérsias desgastantes, criam conflitos, por vezes, com consequências gravosas. E tudo seria evitável se soubéssemos fazer-nos entender em português inteligível, se, antes de acordos ortográficos, nos preocupássemos em ensinar com alguma exigência a língua portuguesa”.
Como não podia deixar de ser, já corre na Net e, portanto, na blogoesfera , uma petição contra o acordo ortográfico
Saudosista, no blog com o mesmo nome, atira a matar: “Quer escrever 'Hoje', H úmido', 'Hilariante' sem h ' ?? Quer começar a escrever palavras como 'Acção' sem 'c' mudo e palavras como 'Baptismo' sem p ' mudo? Eu quero continuar a escrever em Português tal como o conheço agora, e você?”
Cristina, no blog Leitura Partilhada, revela duvidas:
“A minha primeira reacção foi de imediata e implacável resistência (ainda escrevo história…para as duas histórias). Depois alguém relembrava que a versão da língua portuguesa que agora reconhecemos, não tem mais que cem anos. (…) Afinal, farmácia já não é pharmacia  (com ph ). História pode ser ou não. E o fato vai ser relatado ou vestido. Qualquer dia ficamos em minoria. A geração SMS ditará o próximo acordo e nessa altura, iremos mesmo precisar de um K ” no alfabeto”.
Rita, no blog Mundo da Rita, elenca alguns exemplos interessantes, como o do acordo entre a Inglaterra e os Estados Unidos, “em que os very british concordaram em deixar de escrever como faziam para começarem a fazê-lo como nos Estados Unidos, só porque a economia norte americana era mais forte e eles são mais milhões”. Rita receia a nossa estranha tendência para seguir “os bons exemplos” e ironicamente acrescenta:
“Fernando Pessoa era um tonto e quando escreveu “a minha Pátria é a Língua Portuguesa”, estava com delírios, porque essa coisa da língua não tem importância nenhuma”. E ainda com mais graça remata: “estamos em crise e o H só dá despesa”…
Para fechar, uma sequência divertida. Nuno Miguel Guedes, no blog Tradução Simultânea , declarou solenemente:
“Este blogue é CONTRA a ratificação do Acordo Ortográfico. Agora como em 1990, quando ainda nem existia”.
Logo a seguir o extraordinário Maradona escreveu no seu blog A Causa Foi Modificada:
Ele “diz que está contra o acordo ortográfico desde 1990. Ora, se me permitem, isso não é ir à raiz do problema. A minha pessoa e este blogue estão contra a própria ortografia desde que nasceram. Se se combatem apenas acordos pontuais, está-se meramente a atacar sintomas, e não a causa do sofrimento.  H á que fazer um esforço para ir ao fundo das questões”.
Como se vê, o tema promete. Está feita a primeira abordagem mas é mais que certo que a ela voltarei um dia destes…
 
publicado por PRD às 18:30
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Estes textos são escritos para serem “falados”, ou “lidos”, pelo que não só têm algumas marca de oralidade (evidentemente, propositadas...) como é meu hábito improvisar um pouco “em cima deles” no momento em que gravo a rubrica. Também é relevante dizer que, dado tratar-se de uma “revista de blog’s” – e uma vez que os blog’s não se preocupam com a oralidade ou com a eventual citação lida dos seus textos -, tomo a liberdade de editar minimamente os textos que selecciono. Faço-o apenas para que, em rádio, não se perca a ideia do blogger pelo facto de escrever frases longas e muito entrecortadas. Da mesma forma, não reproduzo palavrões nem frases pessoalmente ofensivas, assim como evito acusações cuja possibilidade de prova é diminuta ou inexistente. Sendo uma humilde crónica de rádio, tinha ainda assim de ter alguns princípios. São estes. Quem tiver razão de queixa, não hesite!

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