Segunda-feira, 10 de Dezembro de 2007

O grande evento

A cimeira Europa-África do fim de semana dominou não apenas a cidade de Lisboa, que ficou insuportável, mas também os meios de comunicação – e a blogoesfera não fugiu à regra.
O debate dentro dos blogues andou muito à volta das polémicas presenças de líderes africanos muito pouco recomendáveis, e na verdade a maioria dos bloggers que li preferia a cimeira sem alguns daqueles nomes. A lista dos ditadores circulou de blog em blog ao longo das ultimas semanas. Para hoje, na ressaca do evento, escolhi opiniões, ideias, palpites, fora do comum, ao lado da normalidade, ou que convocam mesmo outras reflexões.
Primeiro exemplo, esta perguntinha deixada por Pedro Caeiro no blog Mar Salgado:
“A categoria do "politicamente correcto" continua a fascinar-me. É politicamente correcto dizer bem ou dizer mal de Mugabe e de Chávez ?”
Outro exemplo: Bruno Alves, no blog O Insurgente, notou uma atitude nos jornalistas de que não gostou. Escreveu ele: “Os jornalistas trataram os “libertadores” – entre aspas, claro - como as estrelas rock que costumam visitar os seus países”. E mais à frente interpreta a polémica vinda de Mugabe : “A questão não estava em o Governo apreciar a companhia de gente duvidosa (...), está em, por razões meramente propagandísticas (...), preferir a ausência de um aliado na NATO e parceiro na UE, a ter de obrigar os outros países africanos (...) a demarcarem-se de alguém como Mugabe ”.
Radicalmente diferente, Torquato da Luz no seu blog Oficio Diário foi pela poesia e dedicou à cimeira um poema de guerra que remata assim:
“Não queiras ser comparsa das orgias
de um carnaval como há muito não vias
e, em vez de tempo ameno e soalheiro,
atira-lhes à cara o nevoeiro”.
Outro olhar, o olhar atento de uma mulher, Cenas Obscenas, no blog Womenage a trois :
“Será da minha vista... ou o coronel Muammar al-Gaddafi (...) entrou hoje no jantar de gala com cara de ressaca de uma besana monumental? Eu tinha vergonha de apresentar umas olheiras daquelas, Jesus! Ou os ares de S. Julião da Barra são demasiado húmidos para o beduíno do deserto ou as meninas da sua guarda pessoal não lhe deram repouso”.
Outra mulher, Ana, do blog Ana de Amesterdam , assina um post onde encontro uma das frases chaves desta cimeira: “O paternalismo é a forma mais infame de racismo”.
Leonor Barros, no blog Geração Rasca, recupera outro momento recente das nossas relações diplomáticas e tenta acreditar que Portugal não receberia formalmente os ditadores fora de uma cimeira deste tipo: “para ver, escreve, se consigo digerir por que raio Dalai Lama foi ignorado (...) e estes são alegre, cordial e protocolarmente recebidos”.
No meio desta variedade de ideias que saem fora das mais comuns que foram passando ao longo dos dias, noto que Pacheco Pereira voltou a escrever no blog Abrupto. Para quê? Para dizer mal dos jornalistas, pois então:
“Alguém consegue saber o que aconteceu na Cimeira, o que se conseguiu e o que não se conseguiu, (...) tudo o que de novo aconteceu nestes dias (...)? É isto que é matéria jornalística, (...) e sobre isto sabe-se pouco. Lá vamos ter que ir aos jornais ingleses...”
Não é verdade, que a nossa imprensa até fez um excelente trabalho – mas nada a fazer com Pacheco. Ele tem sempre razão, mesmo quando lhe passa ao lado...
publicado por PRD às 19:03
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1 comentário:
De Capas de Jornais a 22 de Novembro de 2010 às 16:36
Os cinco blindados considerados imprescendiveis para a Cimeira da Nato, não foram recebidos, não foram utilizados e estao em parte incerta. Afinal nao eram imprescendiveis


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PRD

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Estes textos são escritos para serem “falados”, ou “lidos”, pelo que não só têm algumas marca de oralidade (evidentemente, propositadas...) como é meu hábito improvisar um pouco “em cima deles” no momento em que gravo a rubrica. Também é relevante dizer que, dado tratar-se de uma “revista de blog’s” – e uma vez que os blog’s não se preocupam com a oralidade ou com a eventual citação lida dos seus textos -, tomo a liberdade de editar minimamente os textos que selecciono. Faço-o apenas para que, em rádio, não se perca a ideia do blogger pelo facto de escrever frases longas e muito entrecortadas. Da mesma forma, não reproduzo palavrões nem frases pessoalmente ofensivas, assim como evito acusações cuja possibilidade de prova é diminuta ou inexistente. Sendo uma humilde crónica de rádio, tinha ainda assim de ter alguns princípios. São estes. Quem tiver razão de queixa, não hesite!

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