Quarta-feira, 5 de Dezembro de 2007

O folhetim de Lisboa

Terminou em paz o folhetim dramático de Lisboa. José Teófilo Duarte, no Blog Operatório, não hesita em dizer que “O PSD meteu Lisboa numa grande alhada. Mas parece que gostou do serviço. Houve até quem lhe tivesse chamado “obra”. Ao querer inviabilizar a resolução de uma parcela da imensa obra que deixou a meio (...), o partido de Menezes quer conferir seriedade e responsabilidade à oposição”.
Na verdade, o pior que podia ocorrer, que era ter a Câmara de Lisboa bloqueada, não ocorreu. Mas nem todos pensam assim. João Pinto e Castro, no Blogexisto, acha que “Isto não promete nada de bom” e explica-se: “Independentemente das trapalhadas do PSD, Costa não tem de facto o direito de propor à Assembleia Municipal o recurso a um empréstimo (...) sem primeiro esclarecer como tenciona pagá-lo”.
Já Sofia Loureiro dos Santos, no blog Defender o quadrado, prefere observar o PSD:
“Se eles quisessem não conseguiriam ser piores. António Costa ainda não deve ter fechado a boca de espanto, tal é o embaraço de ter uma oposição assim”. David Dinis, n’o insubmisso, julga que ficou “Tudo como dantes (...): António Costa continua presidente da câmara, o PSD (...) maioritário na assembleia municipal, Lisboa está ainda sem dinheiro e sem rumo. Esta guerra acabou como começou: num bluff”.
Rui Costa Pinto, no blog Mais Actual, limita-se a repetir a pergunta a que chama “piada do dia”: “António Costa já se demitiu?”.
No blog o Jumento há um desabafo notável: “Deus nos livre de ver esta seita governar Portugal”. A seita seria o PSD e o blog esclarece a opinião: ”Menezes tentou chumbar a solução financeira apresentada pelo executivo da autarquia de Lisboa, foi claro na sua intenção (...), mas teve azar, a opinião pública condenou a sua estratégia. Entretanto os seus apoiantes socorrem-se das bocas de Marcelo Rebelo de Sousa para virem defender que o problema era uma questão legal”. Ou seja, segundo o Jumento, no PSD anda cada um para seu lado e tudo ao deus dará. Curiosamente, Carlos Manuel Castro, no blog Palavra Aberta, consegue encontrar um outro olhar para o acordo a que se chegou: “É bom ver que no PPD ainda há quem siga uma das máximas de Francisco Sá Carneiro: acima do partido está o País - neste caso, a cidade”.
No fim das contas, encontro no blog de Luís Paixão Martins, um profissional do marketing e da comunicação, uma reflexão diferente e que dá que pensar:
“Tenho obrigação, escreve ele, de fazer parte do grupo dos super-informados. (...) Mas não vos acontece (...) sentir que nada é novidade, que tudo o que ocorre faz parte da equação do expectável? Exemplos desta noite: Quem recebeu com surpresa o resultado (...) da assembleia municipal da Câmara de Lisboa? Não estava tudo já dito, equacionado, previsto? Este factor não-surpresa prende-se com uma das características do sistema mediático contemporâneo. O chamado ciclo da notícia foi encurtando, encurtando, encurtando - até que praticamente deixou de existir. Os factos rolam minuto a minuto pelos vários canais (...) e quem tiver as antenas abertas (...) fica a achar que os acompanha ao vivo”.
Paixão Martins tem toda a razão – e este remate é mesmo um excelente mote para uma reflexão mais profunda na ressaca da crise em Lisboa.
publicado por PRD às 19:04
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Estes textos são escritos para serem “falados”, ou “lidos”, pelo que não só têm algumas marca de oralidade (evidentemente, propositadas...) como é meu hábito improvisar um pouco “em cima deles” no momento em que gravo a rubrica. Também é relevante dizer que, dado tratar-se de uma “revista de blog’s” – e uma vez que os blog’s não se preocupam com a oralidade ou com a eventual citação lida dos seus textos -, tomo a liberdade de editar minimamente os textos que selecciono. Faço-o apenas para que, em rádio, não se perca a ideia do blogger pelo facto de escrever frases longas e muito entrecortadas. Da mesma forma, não reproduzo palavrões nem frases pessoalmente ofensivas, assim como evito acusações cuja possibilidade de prova é diminuta ou inexistente. Sendo uma humilde crónica de rádio, tinha ainda assim de ter alguns princípios. São estes. Quem tiver razão de queixa, não hesite!

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