Terça-feira, 4 de Dezembro de 2007

O sim que acabou não

Começou por parecer um sim, acabou num redondo não – o povo da Venezuela não aceitou alterar a Constituição da República ao gosto de Hugo Chavez. A blogoesfera nacional viveu intensamente este debate, até porque coincidiu com a vinda do Presidente venezuelano a Lisboa e também com o já clássico “porque não te calas?”. Mas como primeiro parecia que era o “sim” a ganhar e depois veio o “não”, os blogs também tardaram a manifestar opiniões.
Na ressaca do referendo, Eduardo Saraiva no blog O Andarilho recorre “à gíria desportiva: Por 1 golo se ganha, por 1 golo se perde. Neste "jogo", os venezuelanos ganharam. Curiosa foi a forma como Hugo Chávez se dirigiu ao País: - Vocês ganharam. (Foi pena que ninguém lhe tivesse dito: Porque não te calas?)”.
Otto, no blog Conserto das Nações, titula o seu comentário com um pouco animador “Nem alivio nem democracia”. E explica: “o Presidente Chávez continua no poder até 2012, e esta derrota eleitoral não significa nada. (...) Não é por haver limites à reeleição que os ditadores populistas alimentados a petro-dólares largam as rédeas do poder. Mais: pode até querer acelerar a Revolução Bolivariana, deixar tudo pronto, em velocidade de cruzeiro, para quando «sair» em 2012. (...) Como os defensores da «democracia material» tanto gostam de dizer, (...) a democracia não se limita, nem se esgota, em eleições. Democratas de campanha conhecemo-los bem: o Prof. Salazar nunca perdeu umas eleições”.
Pedro Morgado, no Avenida Central, é mais optimista:
“Ainda que isto possa significar um pequeno nada no caminho de Chavéz para a consolidação da sua sociedade (...), é a primeira derrota do putativo ditador”.

João Miranda, no Blasfémias, sublinha, com prudência, que “os resultados (...) parecem uma validação empírica da sabedoria das multidões. Quando a democracia estava à beira do abismo o povo deu um passo ao lado. Mas se olharmos para estas eleições como aquilo que realmente são (...), então os resultados (...) não são grande consolo para aqueles que acreditam na democracia ilimitada”.

No blog Mar Salgado, Filipe Nunes Vicente, dá um passo em frente ao reler o discurso da (aparente) derrota de Hugo Chavez: “A resposta do povo, numa réstea de democracia formal, vai lançar a Venezuela numa guerra civil ou numa ditadura do proletariado (...) . Chávez deu o tom: "Vocês obtiveram uma vitória de Pirro e, nestas condições, eu não a celebraria." (...) "Nestas condições", na linguagem da esquerda revolucionária - que respeita tanto a vontade do povo como o cão respeita a pulga - siginifica que em breve existirão outras condições”.
Miguel Portas no blog Sem Muros, contraria esta ideia e diz mesmo que a “Venezuela (é) um país com um regime democrático, onde as escolhas políticas fundamentais dependem da vontade popular”.
Debate em aberto, portanto.
Em condições difíceis ficou o nosso jornal Público, que ousou acreditar nas sondagens e fez manchete na edição de ontem com um claro «Venezuela diz "sim" à proposta de Chávez». Na edição on-line fez pediu desculpa aos leitores e repôs a verdade dos factos. Mas a blogoesfera não perdoa nada e o mínimo que li foi João Villalobos, no blog Corta-fitas, chamar-lhe uma “manchete à Zandinga”...
Quem arrisca, nem sempre petisca...
publicado por PRD às 18:50
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1 comentário:
De 3kqv45n a 4 de Dezembro de 2007 às 19:08
Os demagogos encontram sempre poleiro porque haverá sempre quem os ouça e neles confie.
Eles também andam cá por casa.
R.Avila


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PRD

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Estes textos são escritos para serem “falados”, ou “lidos”, pelo que não só têm algumas marca de oralidade (evidentemente, propositadas...) como é meu hábito improvisar um pouco “em cima deles” no momento em que gravo a rubrica. Também é relevante dizer que, dado tratar-se de uma “revista de blog’s” – e uma vez que os blog’s não se preocupam com a oralidade ou com a eventual citação lida dos seus textos -, tomo a liberdade de editar minimamente os textos que selecciono. Faço-o apenas para que, em rádio, não se perca a ideia do blogger pelo facto de escrever frases longas e muito entrecortadas. Da mesma forma, não reproduzo palavrões nem frases pessoalmente ofensivas, assim como evito acusações cuja possibilidade de prova é diminuta ou inexistente. Sendo uma humilde crónica de rádio, tinha ainda assim de ter alguns princípios. São estes. Quem tiver razão de queixa, não hesite!

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