Terça-feira, 20 de Novembro de 2007

Vasco Pulido, Valente

Vasco Pulido Valente é amado ou odiado pela generalidade dos leitores de jornal. Ninguém fica indiferente à sua escrita, ao seu olhar, critica, ironia. Invariavelmente se lhe aponta o pessimismo como imagem de marca, mas a essa pergunta ele responde:
“Optimismo e pessimismo são sentimentos que eu não tenho. Às vezes parece-me que a vida portuguesa vai correr bem, outras vezes parece-me que vai correr mal, mas isso é irrelevante. Não escrevo fundado num sentimento ocasional”
Assim o disse à revista do Expresso no último fim-de-semana, e aos poucos a blogoesfera acordou para as palavras do historiador, do colunista, do observador rigoroso de Portugal e dos portugueses.
A entrevista do Expresso, de Ana Soromenho e Rui Gustavo, pode ser lida na integra no blog da revista Atlântico (no que foi um excelente serviço que o blog nos proporcionou...). Na caixa de comentários está lá a opinião de Rodrigo Adão da Fonseca, do blog Blue Lounge :
“Esta peça fez-me lembrar um pouco a personalidade de Churchill, que tanto me agrada, há em VPV algumas semelhanças bem evidentes: o percurso escolar, (...) de um aluno desleixado, em colégios internos de inspiração britânica, as relações familiares, o gosto pelos pequenos prazeres da vida, a ironia, o humor, um certo distanciamento em relação ao quotidiano. Recordou-me ainda uma frase que um grande amigo me dizia com frequência, que me apreciava mais pelos meus múltiplos defeitos do que pelas minhas qualidades. VPV tem, também um leque de supostos defeitos que não esconde e lhe acentuam o carisma, que cativam os seus leitores, goste-se ou não do que escreve”
Na entrevista Vasco diz: «A sociedade está a tomar formas tão horríveis que não me apetece viver muito mais neste mundo». E João Gonçalves, no Portugal dos Pequeninos, comenta: “Ficamos assim logo aos 40 e tal, não é preciso esperar mais vinte…”
Bruno Sena Martins, no blog Avatares de um desejo, repara neste pormenor nada irrelevante:
“Vasco Pulido Valente (…) confessa alguma mágoa pelo modo como Maria Filomena Mónica o retratou em Bilhete de Identidade (…). Umas linhas abaixo, VPV fala do seu próximo projecto: (…) a biografia de Eça de Queiroz. Conhecidos os méritos de VPV nesse registo, fico algo curioso em saber que efeito essa obra terá sobre uma outra biografia de Eça, publicada em 2001”. Pois, justamente a de Filomena Mónica.
Por fim, noto que Pulido Valente, na entrevista, se refere só de passagem a Pedro Santana Lopes, para dizer que viu “o primeiro debate na Assembleia da República e achei aquele ajuste de contas com Sócrates lamentável”. Pois bem: no seu blog pessoal Pedro Santana Lopes responde:
“Estive a ler a entrevista de Vasco Pulido Valente. Lá está: é das pessoas que pior escreve ou fala sobre mim. (...) Não posso deixar de sentir admiração e respeito por uma personalidade tão marcada, com uma expressão tão azeda. É obviamente muito inteligente, tem obra, apesar de tudo tem uma rota coerente. Sabe do que fala, seja injusto ou justo, exagerado ou rigoroso, falhe ou acerte nas análises e nas previsões”.
Ninguém fica indiferente a Vasco Pulido Valente, uma entrevista destas já se sabia que dava pano para mangas. E deu.
publicado por PRD às 19:03
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Estes textos são escritos para serem “falados”, ou “lidos”, pelo que não só têm algumas marca de oralidade (evidentemente, propositadas...) como é meu hábito improvisar um pouco “em cima deles” no momento em que gravo a rubrica. Também é relevante dizer que, dado tratar-se de uma “revista de blog’s” – e uma vez que os blog’s não se preocupam com a oralidade ou com a eventual citação lida dos seus textos -, tomo a liberdade de editar minimamente os textos que selecciono. Faço-o apenas para que, em rádio, não se perca a ideia do blogger pelo facto de escrever frases longas e muito entrecortadas. Da mesma forma, não reproduzo palavrões nem frases pessoalmente ofensivas, assim como evito acusações cuja possibilidade de prova é diminuta ou inexistente. Sendo uma humilde crónica de rádio, tinha ainda assim de ter alguns princípios. São estes. Quem tiver razão de queixa, não hesite!

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