Segunda-feira, 19 de Novembro de 2007

ERC à solta

Momento alto da blogoesfera nacional nos últimos dias, noticias de jornal:
“A Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) fez uma deliberação inédita, na qual prevê que, a partir de agora, todas as pessoas que sintam violados os seus direitos de expressão em sítios da Internet que cumpram uma função de veículo de comunicação pública possam ver as suas queixas atendidas pelo Conselho Regulador”.
Não vos maço com o teor da deliberação, mas o essencial é que, aparentemente, blogs de toda a espécie podem estar debaixo deste chapéu e ser portanto regulados pela ERC, que desde que nasceu não tem feito mais nada a não ser dar tiros consecutivos nos pés.
É óbvio que os blogs mais atentos acordaram logo para a informação, e agora correm posts diversos com declarações de principio sobre a ERC. De todos, sem dúvida o melhor e o mais completo é o de Francisco José Viegas na Origem das Espécies, que edito e reedito para caber aqui neste espaço:
“Caríssimo Dr. (...) Azeredo Lopes: (...) creio dever informar essa Entidade que neste blog não há «conteúdos sujeitos a tratamento editorial» e que, como tenho escrito, os «conteúdos» não estão «organizados como um todo coerente», coisas que me permitem escapar à superior vigilância da Entidade. Mesmo assim, nunca se sabe. (...) Ao contrário de outros «meios», este blog não tem agenda, não tem editor sempre responsável, e não costuma insultar ninguém. Uns atropelos, vá lá. Mas nada de especial. Asseguro o direito de resposta a toda a gente, desde que me respondam sem muitos advérbios. Falo de sexo apenas o indispensável, a política deixa-me desamparado e desiludido (...), a literatura ainda não é muito ofensiva, e não publico fotografias de cidadãos que não querem ser fotografados. Desde que o Dr. Soares mencionou o «direito à indignação» tenho, repetidas vezes, tentado insultar o aeroporto de Lisboa, a estação do Oriente, o Sport Lisboa e Benfica (...), o seleccionador nacional, os táxis no aeroporto de Lisboa, o mandatario Hugo Chávez, a Asae, o Jornal da Região, os inimigos do Dr. Pinto Monteiro ou (...) essa Entidade. Todos somos injustos, é o que é. Portanto, isto não é um site. Assino com o meu nome. Não tenho nenhum blog anónimo. Quem quer responder-me, responde, mas não me parece que seja necessário invocar os códigos. (...) Como sabe, a lei geral é suficiente. Veja o que acontece com o o futebol, com os seus tribunais especiais, as suas leis particulares, os seus desembargadores de aluguer, os seus juízes descredibilizados: ninguém confia. Não queira o senhor passar (...) por ser um desses desembargadores da Federação de futebol, como se houvesse um Estado dentro de um Estado. Nós, nos blogs, geralmente exageramos muito. De uma coisa de nada fazemos (...) uma tempestade, de coisa nenhuma fazemos um carnaval. Portanto, se a TAP ou o aeroporto se queixarem do que escrevi sobre aquela coisa miserável que é o Terminal 2, ou se os superlativos talentos da Expo 98 se queixarem do que disse sobre aquela coisa grotesca e desagradável que é a Estação de Oriente (...), diga-lhes, por favor, que me enviem um email. Basta isso. É um mimo”.
Assim, sem mais, Francisco José Viegas arruma num canto as intenções da ASAE da comunicação social, vulgo ERC. Nada mais a considerar por hoje...
publicado por PRD às 19:04
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Estes textos são escritos para serem “falados”, ou “lidos”, pelo que não só têm algumas marca de oralidade (evidentemente, propositadas...) como é meu hábito improvisar um pouco “em cima deles” no momento em que gravo a rubrica. Também é relevante dizer que, dado tratar-se de uma “revista de blog’s” – e uma vez que os blog’s não se preocupam com a oralidade ou com a eventual citação lida dos seus textos -, tomo a liberdade de editar minimamente os textos que selecciono. Faço-o apenas para que, em rádio, não se perca a ideia do blogger pelo facto de escrever frases longas e muito entrecortadas. Da mesma forma, não reproduzo palavrões nem frases pessoalmente ofensivas, assim como evito acusações cuja possibilidade de prova é diminuta ou inexistente. Sendo uma humilde crónica de rádio, tinha ainda assim de ter alguns princípios. São estes. Quem tiver razão de queixa, não hesite!

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