Segunda-feira, 14 de Dezembro de 2009

Sangue e Silvio Berlusconi

A imagem é dramática, mas tratando-se de quem se trata, parece quase fazer parte de toda uma agitada vida publica: a imagem é a do chefe do Governo italiano, Silvio Berlusconi, atingido a murro na cara, a sangrar, conduzido ao hospital de San Raffaelle, na cidade de Milão.

Umas horas mais tarde, a página entretanto criada no Facebook sob o nome “Agressor de Berlusconi” tinha 33.500 fãs. Miguel, do Insurgente, chamou-lhe o culto da barbárie e escreveu: “Às vezes questionamo-nos como foi possível, no passado, determinados monstros gozarem de tanta popularidade”.

No Arrastão, Daniel Oliveira analise os factos à luz das presumíveis consequências: “Para quem tenha dúvidas sobre a forma como será usado o lamentável episódio da agressão a Berlusconi, o seu ministro da defesa, Ignazio La Russa, deixou tudo muito claro: “Quando se consente que se odeie e se criminalize uma pessoa, passar das palavras aos actos é apenas um pequeno passo”. Gianni Alemanno, presidente da Câmara de Roma, seguiu a linha: “(...) Este episódio deveria ser um aviso para todos contra a demonização de que foi vítima Berlusconi. Porque quando o tom aquece, os criminosos podem passar das palavras aos actos”. Segundo a comunicação social o atacante terá um histórico de distúrbios mentais. Mas isso são pormenores. A mensagem a passar é esta: quem investiga crimes gravíssimos de um primeiro-ministro e quem a ele se opõe está a dar o primeiro passo para uma agressão. A partir daqui, a campanha estará montada. E talvez assim Berlusconi se safe de novo”.

Resta dizer, nesta caso, que este mesmo blog promove agora uma eleição do melhor e do pior da década onde o líder italiano está nomeado para pior personalidade internacional ao lado de nomes como Bernard Madoff, Hugo Chávez, Ossama Bin Laden, Saddam Hussain e Vladimir Putin...

Carlos Barbosa de Oliveira, nas Crónicas do Rochedo, tenta o equilíbrio instável: “eu sei que estas coisas são intoleráveis, mas o homem andava a pedi-las. (...) O mais preocupante vai ser a vitimização deste epidódio que, muito provavelmente, lhe irá permitir escapar mais uma vez à justiça. Razão suficiente para pensar se esta agressão não foi uma verdadeira prenda de Natal para o agredido”. Mais radical, Manel, no Ruas do Pensamento, não hesita em dizer: “Compreendo perfeitamente a atitude daquele nobre cidadão”, que segundo o blogger reagia às palavras do próprio Berlusconi: "Pintam-me como um monstro, eu não acho que seja - em primeiro lugar porque sou bonito, em segundo porque sou boa pessoa".

À direita, leio Carlos Abreu Amorim: “Depois do jornalista iraquiano que atirou um sapato a Bush, agora há um criminoso,Massimo Tartaglia, que agrediu Silvio Berlusconi (...). Em breve, os tais distúrbios mentais serão substituídos por ‘activismo’ e a agressão por ‘manifestação de desagrado político’. Quanto a Berlusconi, não deve apresentar queixa-crime já que ainda diz pior da Justiça italiana do que alguns ministros portugueses da nossa…”

O episódio, como se vê, ainda vai dar que falar – seja para baixar o tom critico a Berlusconi, seja para carregar na sua má imagem. Veremos como fica, no fim, a face visível do poder italiano.

publicado por PRD às 01:43
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PRD

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Estes textos são escritos para serem “falados”, ou “lidos”, pelo que não só têm algumas marca de oralidade (evidentemente, propositadas...) como é meu hábito improvisar um pouco “em cima deles” no momento em que gravo a rubrica. Também é relevante dizer que, dado tratar-se de uma “revista de blog’s” – e uma vez que os blog’s não se preocupam com a oralidade ou com a eventual citação lida dos seus textos -, tomo a liberdade de editar minimamente os textos que selecciono. Faço-o apenas para que, em rádio, não se perca a ideia do blogger pelo facto de escrever frases longas e muito entrecortadas. Da mesma forma, não reproduzo palavrões nem frases pessoalmente ofensivas, assim como evito acusações cuja possibilidade de prova é diminuta ou inexistente. Sendo uma humilde crónica de rádio, tinha ainda assim de ter alguns princípios. São estes. Quem tiver razão de queixa, não hesite!

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