Sexta-feira, 20 de Novembro de 2009

Blog da Semana: Lisboa na Ponta dos Dedos

Regresso a Lisboa nesta sexta-feira, certo de que o mês de Dezembro, o Inverno, o Natal, vão tornar insuportável esta cidade, caótico o trânsito e o comércio, e com isso tendemos a esquecer a cidade boa que há dentro da cidade má.

Há muito tempo que sigo regularmente o blog “Lisboa na ponta dos dedos”, cujo subtítulo foi muito bem roubado ao poeta Al berto: “em que cidade fechámos as pálpebras para nos amarmos?”.

A essa pergunta, a autora, Sancha Trindade, respondeu em Março de 2006, quando abriu o blog escrevendo: “hoje toquei em Lisboa com a ponta dos dedos”.

Sancha Trindade é formada em Peritagem em Arte e o curso que tirou destinou-se a continuar o negócio de alfarrabistas e antiguidades de família. Passou pelo Centro Cultural de Belém, apaixonou-se pelo jornalismo e o mundo da publicidade, tirou um curso de fotografia no ARCO e lançou a criarte, um projecto de design que divulgava a língua portuguesa a partir de Amesterdão e Atenas, por onde andou. Acabou por voltar a Lisboa, acreditou que havia aqui mundo a descobrir e criou os Guias ConVida. Actualmente tem várias colunas sobre a cidade na Revista Única do Expresso, na GQ, no jornal Meia Hora. Mas confesso, o melhor mesmo está à distancia de um click no blog cuja morada é lisboanapontadosdedos.blogspot.com.

Lá, podem ler-se pérolas como esta: “Apaixonada pelas mais-valias de viver sobre o Atlântico, coloco a luz em primeiro lugar, a vista em segundo (...), o terraço ou o jardim e os acabamentos. E mesmo no ecletismo da cidade, morada que para ser inteira deve existir sem guetos, ou condomínios fechados, aceito no pacote delicioso todos os defeitos: os vizinhos transversais e a variedade da fauna, que tantas vezes nos trabalha a tolerância”.

A mesma mulher que sugere percursos, ideias, cobre iniciativas, descobre e redescobre Lisboa.

Quando o Miradouro de São Pedro De Alcântara reabriu escreveu: “não tenho palavras para expressar a emoção de ver Lisboa a acontecer assim. Não sei quantas colunas escrevi a pedir o Miradouro de volta à minha cidade, mas seria injusto se não partilhasse por estas linhas, que a espera compensou o roubo de uma das mais fascinantes praças lisboetas. Quem tem ido ao Miradouro à quinta-feira à noite, sabe bem do que estou a falar e quando partilho as preciosas noites dançantes da Roda de Choro, mais convicta fico de que as cidades serão sempre as pessoas”.

Sancha Trindade gosta de ver Lisboa a brilhar e no seu blog Lisboa brilha mesmo, não apenas nos textos mas nas imagens, no entusiasmo, na paixão.

Exemplo final de um texto solto no blog: “Lisboa acordou deslumbrante e enquanto me preparo para me perder pelas ruas da cidade, rendo-me às imagens da cidade de pedra, que do outro lado do Atlântico me abraçam às palavras de Cesariny. As mesmas que na cidade habitada, me elevam à suave certeza de que em todas as ruas te encontro, em todas as ruas te perco”

Lisboa na ponta dos dedos é o meu destaque desta semana porque adivinho que daqui até 2010 os lisboetas vão esquecer a beleza da cidade e praguejar nas filas de trânsito sobre os seus defeitos. Este é o meu contributo para a paz urbana. Fica feito.

publicado por PRD às 01:04
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PRD

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Estes textos são escritos para serem “falados”, ou “lidos”, pelo que não só têm algumas marca de oralidade (evidentemente, propositadas...) como é meu hábito improvisar um pouco “em cima deles” no momento em que gravo a rubrica. Também é relevante dizer que, dado tratar-se de uma “revista de blog’s” – e uma vez que os blog’s não se preocupam com a oralidade ou com a eventual citação lida dos seus textos -, tomo a liberdade de editar minimamente os textos que selecciono. Faço-o apenas para que, em rádio, não se perca a ideia do blogger pelo facto de escrever frases longas e muito entrecortadas. Da mesma forma, não reproduzo palavrões nem frases pessoalmente ofensivas, assim como evito acusações cuja possibilidade de prova é diminuta ou inexistente. Sendo uma humilde crónica de rádio, tinha ainda assim de ter alguns princípios. São estes. Quem tiver razão de queixa, não hesite!

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