Quarta-feira, 14 de Novembro de 2007

As 61.893 páginas de Paulo

A festa começou no sábado e não parou mais: a notícia de primeira página do Expresso, onde se conta que Paulo Portas fotocopiou 61.893 páginas de Documentos do seu gabinete de ministro da Defesa, tem feito as delicias da blogoesfera. Há blogues indignados, ou escandalizados, como também há quem aproveite a noticia para fazer humor. Já li que há quem queira oferecer, no Natal, a Paulo Portas, uma impressora com scanner incluído…
No blog Jumento, as 124 resmas de papel impressionam:
“Mas, escreve-se ali, podemos ficar descansados, tratou-se apenas de notas pessoais, notas pessoais sobre a compra de submarinos, guerra no Iraque e outro temas do foro íntimo de Paulo Portas. O Ministério Público até se interessou pelo assunto no âmbito do processo Portucale, (…) mas não ouviu Portas nem fez buscas para identificar os documentos”.
Daniel Oliveira no blog Arrastão espanta-se com os factos e comenta:
“Num país normal, deveria ser considerado grave levar para casa tudo o que não seja público e não esteja acessível ao cidadão comum”.
Fátima Pinto Ferreira, no blog Cão com Pulgas, acha que “Paulo Portas deveria ser condenado por crime ecológico”.
“61 893 páginas é um atentado deliberado à floresta. Pior. O presidente do PP (…) afirma que mandou copiar as suas notas pessoais. Ora, quer dizer que gastou 61 893 páginas a escrever as suas notas e, ainda não satisfeito, mandou copiá-las, gastando outras tantas páginas. Ou seja, se a calculadora não me falha, 123 786 páginas. É ou não é criminoso?”
A "fúria copiadora” de Portas, como lhe chama Artesão Ocioso no blog Origens, merece ainda este olhar do blogger: "Ficamos ainda a saber que Paulo Portas escreve tudo o que diz, prevalecendo, no entanto, a legítima dúvida sobre se dirá tudo o que escreve. Por fim, Paulo abre-nos a porta sobre a sua vida pessoal partilhando connosco o diagnóstico clínico de esquizofrenia. De tal forma grave que Paulo e Portas se obrigam a um rigoroso protocolo de segurança, nos termos do qual Paulo classifica como «pessoal» as notas de Paulo. Como «confidencial» as notas de Paulo e que Portas não poderá ver e finalmente «para conhecimento» as notas de Paulo para Portas.”
Seria para rir, se não fosse grave, como bem nota AAC no Blogando:  “O assunto é do conhecimento das autoridades judiciais, mas parece que o Ministério Público não achou suficientemente grave para mandar abrir um processo-crime: a mim que sou leigo, parece-me mais grave do que realizar escutas telefónicas ilegais porque se trata da apropriação pessoal de provas documentais do Estado”.
Entre a indignação com algo que parece ser claramente uma história muito mal contada e a sensaçãol eterna de que nada vai acontecer, talvez o melhor mesmo seja rir. Ou pelo menos sorrir: o Bibliotecário Anarquista, no blog com o mesmo nome, dá a noticia: “As maiores Bibliotecas Digitais do mundo estão a assediar o antigo Ministro da Defesa de Portugal com propostas milionárias para liderar os seus projectos ambiciosos no domínio da digitalização do Imenso Património Bibliográfico Universal”. Dá vontade de sorrir – antes de chorar com este Portugal onde nada acontece e a culpa morre sempre solteira.

publicado por PRD às 23:56
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1 comentário:
De Cãocompulgas a 21 de Novembro de 2007 às 16:42
"Crime ecológico" era ironia ;). No parágrafo seguinte, falava de algo mais.

Cumprimentos,

Fátima Pinto Ferreira


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Estes textos são escritos para serem “falados”, ou “lidos”, pelo que não só têm algumas marca de oralidade (evidentemente, propositadas...) como é meu hábito improvisar um pouco “em cima deles” no momento em que gravo a rubrica. Também é relevante dizer que, dado tratar-se de uma “revista de blog’s” – e uma vez que os blog’s não se preocupam com a oralidade ou com a eventual citação lida dos seus textos -, tomo a liberdade de editar minimamente os textos que selecciono. Faço-o apenas para que, em rádio, não se perca a ideia do blogger pelo facto de escrever frases longas e muito entrecortadas. Da mesma forma, não reproduzo palavrões nem frases pessoalmente ofensivas, assim como evito acusações cuja possibilidade de prova é diminuta ou inexistente. Sendo uma humilde crónica de rádio, tinha ainda assim de ter alguns princípios. São estes. Quem tiver razão de queixa, não hesite!

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