Terça-feira, 17 de Novembro de 2009

Outra vez as escutas

São ainda as escutas, legais ou ilegais, certas ou erradas, a dominar o debate no mundo dos blogues. Com humor, como sempre o Arcebispo de Cantuária responde à pergunta: “Como proceder? A partir de agora sempre que atender o telefone atiro logo um "se for José Sócrates não estou a ouvir".

Mais a sério, António Amaral na Arte da Fuga fala de “bandalheira e corporativismo” para dizer: “Não há tal coisa como "provas ilegalmente obtidas e portanto inválidas". Há factos que podem provar acções criminosas, ou não. O bom senso dita que se puna qualquer irregularidade administrativa, sem contemplações; e que se investigue qualquer facto que tenha sido descoberto, sem contemplações. (…) O hiperlegalismo (…) serve antes de tudo para proteger o status-quo judicial -- que tão mal serve o interesse público”. No Insurgente, Bruno Alves conta uma história que vale a pena conhecer: “Há uns anos, na Hungria, veio a público uma gravação do então Primeiro-Ministro, em que este admitia ter mentido aos eleitores acerca da verdadeira situação das contas públicas do seu país, provocando um compreensível escândalo público e uma série de manifestações violentas. Obviamente, essa gravação era tudo menos legal. Mas uma vez realizada, e uma vez tornada pública, as pessoas não podiam ignorar aquilo que ela revelava”. Bruno tem razão, claro: “uma discussão acerca da legalidade das ditas escutas (…) é uma discussão importante, mas apenas relevante para saber se Sócrates deverá ou não ser alvo de um processo judicial. O facto de as escutas serem ou não legais é absolutamente irrelevante para o nosso julgamento do que lá é revelado.

Na verdade, o que a blogoesfera debate é basicamente a diferença entre reconhecer e validar o que foi escutado ou limitar os danos à legalidade ou ilegalidade de o ter feito. Isto leva João Miranda a escrever com elevada dose de ironia e algum cinismo: “A ideia de que devemos ter uma lei das escutas que proíba a escuta indirecta do primeiro-ministro faz sentido, sobretudo porque existe um risco real de termos um primeiro-ministro com tanta falta de senso que comunique segredos de estado pelo telefone. Para alem de que existe o risco real de termos um primeiro-ministro com amigos pouco recomendáveis e com grande probabilidade de estarem sob investigação criminal”.

Claro que no meio do debate há opiniões para todos os gostos e palpites de verdadeiros especialistas de ultima hora. Um tema que Bernardo Pires de Lima aborda com graça no blog União de Facto: “cai um avião e um gajo tira logo o brevet pela televisão. Nesta era de processos judiciais a figuras políticas, um gajo forma-se em direito na blogosfera. É todo um mundo por descobrir, de facto”. Um mundo que dá boas discussões mas também muita asneira. Com ou sem escutas…

 
 
 

publicado por PRD às 01:01
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Estes textos são escritos para serem “falados”, ou “lidos”, pelo que não só têm algumas marca de oralidade (evidentemente, propositadas...) como é meu hábito improvisar um pouco “em cima deles” no momento em que gravo a rubrica. Também é relevante dizer que, dado tratar-se de uma “revista de blog’s” – e uma vez que os blog’s não se preocupam com a oralidade ou com a eventual citação lida dos seus textos -, tomo a liberdade de editar minimamente os textos que selecciono. Faço-o apenas para que, em rádio, não se perca a ideia do blogger pelo facto de escrever frases longas e muito entrecortadas. Da mesma forma, não reproduzo palavrões nem frases pessoalmente ofensivas, assim como evito acusações cuja possibilidade de prova é diminuta ou inexistente. Sendo uma humilde crónica de rádio, tinha ainda assim de ter alguns princípios. São estes. Quem tiver razão de queixa, não hesite!

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