Quarta-feira, 11 de Novembro de 2009

Casamentos...

Vamos falar muito de casamentos entre homossexuais nos próximos tempos. Está aberta a guerra entre os que são contra e os que são a favor, e agora também entre quem defende um referendo e quem o dispensa. E nada é claro como água – há mesmo bispos católicos que  relativizam a opção do Governo e se mostram liberais. José Simõs, no blog Der Terrorist, compreende o facto: “É que, caso não tenham reparado, a Igreja não fica obrigada a casar homossexuais por igreja”. Vendo a Igreja como “um magote de bispos em circuito fechado com o Papa”, defende “uma "reflexão mais profunda da sociedade" e um grande debate no seio da Igreja”.

Para muita gente, nomeadamente católica, o problema parece estar no nome a designar essa união entre pessoas do mesmo sexo. Escreve José Almeida no blog BDA: “parece-me haver muito boas razões para que não seja chamado casamento. A palavra casamento está consagrada, há muito tempo, para designar o contrato de união entre pessoas de sexo diferente e assim deve continuar. Para a ligação homossexual é perfeitamente possível e desejável encontrar outra palavra com a mesma dignidade”. Está ali

As em curso uma petição online para esse efeito, onde se sugere que seja usada a palavra pareamento, que significa colocar em par...

Ao que se chegou, meu deus. Bom, não ficamos por aqui... No blog Cachimbo de Magritte, Pedro Pestana Bastos vai mais longe e não é sócasamento, é mesmo casal. Reparem no que escreveu: “Quando me refiro a uniões de duas pessoas do mesmo sexo refiro pares e não casais pura e simplesmente porque dois homens ou duas mulheres não formam um casal. Um casal é composto, necessariamente, por um homem e uma mulher. Um macho e uma fêmea. Dois homens ou duas mulheres não constituem um casal porque não podem, por natureza, casalar ou se preferirem acasalar”.

Além do debate sobre a palavra casamento, e se é esse o termo certo ou não, discute-se também até que ponto esta legalização abre portas à adopção por parte de casais homossexuais e ao que daí pode vir. Mais a sério, leio Filipe Nunes Vicente no Mar Salgado pôr os pontos nos is: “Tenho ouvido que o casamento gay levará à adopção gay e que juntos trabalharão para a ruína da família tradicional. Isto é uma das coisas mais disparatadas que já ouvi. Levo quase vinte anos enfiado na vida das pessoas, levo outros tantos interessado pela fábrica social. Penso que a família tradicional é a organização que melhor combate a debilidade humana e também a que melhor serve os interesses das crianças. Sei que a família tradicional está estraçalhada. É por isso que me enraivece ler - e ouvir - que será a família gay a responsável por uma decadência que existe há muito (mais ou menos desde o princípio do século XX)”.

De um lado o nome do contrato, do outro o referendo, do outro a adopção – como se vê, o debate vai disparar em todas as direcções e o mundo dos blogues vai vibrar como sempre nestes casos. A Janela cá estará para acompanhar os movimentos e as tendências que por ali se desenham. Mas para fechar com algum humor, sempre necessário mesmo quando se fala de temas tão sérios, deixemos aqui um sinal daquilo a que Vasco lobo Xavier chamou de “APOGEU CIVILIZACIONAL MODERNAÇO: Ser-se a favor do casamento de dois heterossexuais do mesmo sexo. Na verdade, por que motivo se deverão discriminar os heterossexuais do mesmo sexo que queiram casar-se?”.

publicado por PRD às 00:54
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PRD

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Estes textos são escritos para serem “falados”, ou “lidos”, pelo que não só têm algumas marca de oralidade (evidentemente, propositadas...) como é meu hábito improvisar um pouco “em cima deles” no momento em que gravo a rubrica. Também é relevante dizer que, dado tratar-se de uma “revista de blog’s” – e uma vez que os blog’s não se preocupam com a oralidade ou com a eventual citação lida dos seus textos -, tomo a liberdade de editar minimamente os textos que selecciono. Faço-o apenas para que, em rádio, não se perca a ideia do blogger pelo facto de escrever frases longas e muito entrecortadas. Da mesma forma, não reproduzo palavrões nem frases pessoalmente ofensivas, assim como evito acusações cuja possibilidade de prova é diminuta ou inexistente. Sendo uma humilde crónica de rádio, tinha ainda assim de ter alguns princípios. São estes. Quem tiver razão de queixa, não hesite!

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