Terça-feira, 10 de Novembro de 2009

O muro, 20 anos depois

Uma efeméride marcante, evidentemente, os 20 anos da queda do Muro de Berlim. Pedro Correia apressa-se a corrigir no Delito de Opinião: “É frequente ouvirmos dizer que o Muro de Berlim "caiu", como se isso tivesse acontecido graças à lei da gravidade. Mas não "caiu": foi derrubado por largos milhares de pessoas sedentas de liberdade, que queriam viver numa sociedade democrática e durante 28 anos estiveram impedidas de circular livremente na própria cidade onde viviam. É só um pormenor. Mas que faz toda a diferença”. Aproveita para ler o Avante desta semana, jornal do PCP onde se diz que "A derrota do socialismo (…) constituiu uma tragédia, não apenas para os povos desses países mas para toda a humanidade: com o capitalismo dominante, o mundo é, hoje, menos democrático, menos livre, menos justo, menos fraterno, menos solidário". Escreve então Pedro Correia: “Nem por um momento ocorre ao Avante! reflectir sobre o que levou essas sociedades (…) a implodir estrondosamente e os trabalhadores 'libertados' de Leste a correr rumo à 'opressão' do Ocidente. É que essas sociedades se fundavam numa mentira que o PCP gosta de repetir ainda hoje: não havia Estados-operários mas ditaduras burocráticas, assentes num capitalismo de Estado para o qual cada cidadão era um sujeito destituído de direitos. (…) Este era o falso ''paraíso socialista' que terminou em 1989. O mundo ficou mais livre depois da queda do Muro - depois da queda de todos os muros do Báltico ao Adriático”.

E é essa liberdade que se celebra nestes dias, como bem escreve João Carvalho: “O que é que eu celebro? Esse símbolo. Afinal, a opinião não deve ser delito. É isso que eu celebro: o sinal de que os muros caem sem sujarmos as mãos de sangue. Sujas de sangue estão, não raro, as mãos que os erguem”.

Bernardo Pires de Lima, no União de Facto, glorifica o que se viveu há 20 anos: “Desejar o mundo pré-1989 é negar o direito à liberdade a milhões de espezinhados, em função de um mundo arrumado. Ter vontade de regressar ao passado é aceitar um fatalismo nas ditaduras, (..) valorizar o mundo pré-1989 é atirar para baixo do tapete a vergonha que o comunismo ainda hoje devia causar. Portugal, infelizmente, ainda está cheio de desavergonhados”.

À esquerda, mas longe do dogmatismo comunista, Daniel Oliveira analisa o momento: “não foi apenas o comunismo que entrou em crise com a queda do Muro. Também a social-democracia, dispensável para o Capitalismo, agora que já não havia o “perigo comunista”, entrou em colapso. E a esquerda teve toda de se reinventar. É isso que está a fazer, com erros e acertos, há vinte anos. No caminho, uns desistiram e renderam-se a um “neoliberalismo de rosto humano”; outros desistiram e ficaram, rodeados de memórias e símbolos, a chorar por um passado perdido. Mas estou seguro que muitos continuarão a tentar novos caminhos. Nunca esquecendo aquele dia em que um muro em Berlim foi derrubado pelo povo. Foi um dia feliz”.

Claro que Pedro Sales tem razão, no mesmo blog, quando recorda, via BBC, uma dúzia de muros e barreiras que ainda estão de pé pelo mundo fora. Mas este, o de Berlim, diz-nos muito. Hoje, como há 20 anos.

publicado por PRD às 00:53
link do post | comentar

PRD

Pesquisar blog

 
Estes textos são escritos para serem “falados”, ou “lidos”, pelo que não só têm algumas marca de oralidade (evidentemente, propositadas...) como é meu hábito improvisar um pouco “em cima deles” no momento em que gravo a rubrica. Também é relevante dizer que, dado tratar-se de uma “revista de blog’s” – e uma vez que os blog’s não se preocupam com a oralidade ou com a eventual citação lida dos seus textos -, tomo a liberdade de editar minimamente os textos que selecciono. Faço-o apenas para que, em rádio, não se perca a ideia do blogger pelo facto de escrever frases longas e muito entrecortadas. Da mesma forma, não reproduzo palavrões nem frases pessoalmente ofensivas, assim como evito acusações cuja possibilidade de prova é diminuta ou inexistente. Sendo uma humilde crónica de rádio, tinha ainda assim de ter alguns princípios. São estes. Quem tiver razão de queixa, não hesite!

Textos recentes

...

Blog da Semana: As Penas ...

Outra vez o casamento ent...

Em dia

Lhasa de Sela

O ritual de Cavaco

2010

Blog do Ano 2009: O Alfai...

O ano 2009 - II

O ano 2009 - I

Arquivos

Outubro 2011

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

favorito

Leituras de sábado

Declaração de voto

Seis anos já cá cantam.

Na melhor revolução cai a...

Subscrever feeds