Segunda-feira, 5 de Novembro de 2007

As fitas que se fazem

Começo já por usar um blog para introduzir o tema do dia:
“O filme "Corrupção" cheira a esturro desde que se começou a falar dele. João Botelho aceitou a encomenda e gastou quilómetros de fita para fixar para a posteridade o manhoso livrito de uma tal Carolina” - assim escreve José Teófilo Duarte no Blog Operatório, e bem. O filme, que entretanto já não é de Botelho, a quem dá muito jeito ser e não ser ao mesmo tempo, estreou finalmente e já andam ideias e opiniões à solta na blogoesfera.
Começo a norte, com Manuel Queiroz no novo blog Bússola:
“Basicamente não há trama, o enredo é paupérrimo - ao nível do que já se sabia. O futebol não existe, não aparece um jogador - o que se tomaria por uma opção para que a "coisa" fosse sobre o país. Mas acaba por não ser nada”.
Luiz Carvalho, no blog Instante Fatal, gostou de “Corrupção”: ”é tecnicamente muito bom. Tem uma excelente fotografia que nos quer remeter para o ambiente dos filmes negros dos anos cinquenta”. (...) É um filme que se deixa ver”, remata o fotógrafo.
GK, no blog My Dirty Little Secret, é radical: “falso, mau, mal feito! Uma fantochada”.
Claro que no meio destas opiniões há sempre um sentimento que pode ser clubista, de Benfica versus Porto ou de Sul versus Norte.
Manuel Correia, no blog Puxa Palavra, prefere ir pela aparente polémica entre o realizador Botelho, rapaz de esquerda, e o produtor. Depois de dizer aqui d’el rei que não assino o filme, “realizador e produtor estão em negociações. Parece que tudo se resolverá no silêncio dos escritórios de advogados, mais cheque, menos cheque... A dignidade do trabalho não parece ter sido considerada...”
Pois é. São as pequenas falhas que ficam no ar neste argumento para este outro filme. E fecho a ronda com uma primeira impressão de um profissional: João Lopes, no blog Sound-vision:
“Corrupção é um filme sem destino, sem objectivo, sem identidade. Não sabemos se o filme de João Botelho seria "melhor" ou "pior". O certo é que, com o afastamento do realizador e o lançamento desta versão de produtor, o que resta é um amontoado desconexo e esburacado de cenas que apelam a qualquer coisa de inevitavelmente falso. Ou seja: pede-se ao espectador que construa na sua cabeça uma história "portuguesa" a partir de alusões que não chegam a sê-lo... No genérico de abertura, não há identificação de realizador ou argumentista; no final, diz-se mesmo que o filme alterou a "realidade" e até o próprio livro de Carolina Salgado. Quer isto dizer que a verdade material de Corrupção só se pode medir pelo facto de, através do seu nome, se venderem bilhetes de cinema”.
Vender, parece que vendem. No fim, o produtor, o realizador Botelho, a inspiradora Carolina, todos serão felizes para sempre. Como nos filmes...
PS - Por lapso, ao gravar o texto para a rádio, nesta citação final, em vez de João Lopes disse João Botelho... Um erro de que só me apercebi no podcast, tarde demais... Desculpas a ambos.
publicado por PRD às 19:04
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2 comentários:
De samuel a 6 de Novembro de 2007 às 14:08
Gosto deste blog e acho que continuarei "freguês" mais ou menos habitual.
Agora era quando você aprendia a fazer os links para a batelada de blogs que vai citando. Não lhe custava nada e o leitor não era obrigado à grande maluqueira de ter que escrever "as direcções" dos blogs, que por vezes nem são iguais ao nome dos ditos...
Agora se é porque não quer, já cá não está quem falou!


De Manuel Correia a 16 de Novembro de 2007 às 10:25
Particularmente feliz, o título "As fitas que se fazem". A sugestão que aflora poderia inspirar, de facto, o guião para um novo filme em que o realizador e o produtor andem às turras, com as pressões, ingerências e outras tramóias em prato forte.
Obrigado pela referência.
Boa sorte para o seu novo blog PRD.


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Estes textos são escritos para serem “falados”, ou “lidos”, pelo que não só têm algumas marca de oralidade (evidentemente, propositadas...) como é meu hábito improvisar um pouco “em cima deles” no momento em que gravo a rubrica. Também é relevante dizer que, dado tratar-se de uma “revista de blog’s” – e uma vez que os blog’s não se preocupam com a oralidade ou com a eventual citação lida dos seus textos -, tomo a liberdade de editar minimamente os textos que selecciono. Faço-o apenas para que, em rádio, não se perca a ideia do blogger pelo facto de escrever frases longas e muito entrecortadas. Da mesma forma, não reproduzo palavrões nem frases pessoalmente ofensivas, assim como evito acusações cuja possibilidade de prova é diminuta ou inexistente. Sendo uma humilde crónica de rádio, tinha ainda assim de ter alguns princípios. São estes. Quem tiver razão de queixa, não hesite!

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