Quarta-feira, 28 de Outubro de 2009

do pragmatismo à fantasia

Navegando sem destino de blog em blog, como gosto de fazer de vez em quando, vejamos o que encontro. Começo por encontrar um notável texto a propósito da história irónica do Padre apanhado com um generoso número de armas ilegais. Morgada de V, no 5 Dias, escreve: “Parece-me que foi Nietzsche quem acusou os advogados de não terem talento para usar a beleza do crime em benefício do criminoso, e temo que no caso do padre-guerrilheiro de Covas do Barroso não venham a fazer-lhe justiça. Que estava destinado a grandes causas revela-o logo o nome: o padre Fernando Guerra tinha em casa um arsenal suficiente para libertar o planalto barrosão do jugo lisboeta ou, como prefere o bispo de Vila Real, para acabar com as perdizes de meia dúzia de coutos. O povo acusa-o de ser belicoso (...), e a biografia sumária dos jornais não o desmente: diz-se que atacou à coronhada o coveiro de Covas (...). Há dois anos, foi atingido por tiros de caçadeira quando ia dizer missa a uma paróquia vizinha. Sobreviveu à cilada, mas foi agora miseravelmente caçado na sacristia de Covas do Barroso, uma aldeia com 300 almas”. O post segue o relato do jornal Público, descobre uma verdade incontornável: “pode tirar-se a estátua-guerreira da terra, mas não o seu espírito, como confirmam os eventos de domingo”. E termina em beleza: “Que o móbil do padre fosse o baixo comércio, como acusam alguns, não pode servir para desqualificar os seus actos num século em que escasseiam as grandes causas e já não há romanos para combater: o espírito de resistência está lá (...): Torga dizia que “o homem primitivo que nunca se resignara dentro [dele] só vinha à tona em toda a sua plenitude de cartucheira à cinta”; o padre Guerra leva a cinta farta de cartuchos e o ombro carregado de armas”.

Vale a pena ler o post na íntegra no Cinco Dias.

Na Civilização do espectáculo, Nuno Dias da Silva olha a televisão de ontem à noite, e avança: “Marcelo Rebelo de Sousa também já aceita participar em tertúlias de «paineleiros» futebolísticos, na defesa do «seu» Braga. Os sinais indicam que temos candidato a Belém”.

A propósito de futebol, noto o golpe de asa de Pedro Santana Lopes, sportinguista assumido que no seu blog reconhece a superioridade do adversário: “O Benfica, escreve Santana, está, de facto, com uma enorme capacidade concretizadora. (...) Cada vez é mais nítida, por este exemplo, a importância do Treinador, da sua concepcção de jogo, do que ele diz à sua equipa que espera dela”. Os tempos são assim, de surpresa, mas também de segredo. Ache primorosa a ideia que Maria João Freitas deixou no seu blog A Namorada de Wittgenstein a propósito da mudança da hora no fim de semana: “Hoje todos tiveram um segredo de 60 minutos. Deram-nos uma hora invisível para gastar onde, como e com quem quiséssemos. Um intervalo por onde deslizar como uma persiana entreaberta (...) . Hoje houve uma hora eternamente invisível para gastar num lugar sem espaço”.

É assim no mundo dos blogues: do pragmatismo à fantasia, há espaço e lugar para tudo...

publicado por PRD às 03:09
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PRD

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Estes textos são escritos para serem “falados”, ou “lidos”, pelo que não só têm algumas marca de oralidade (evidentemente, propositadas...) como é meu hábito improvisar um pouco “em cima deles” no momento em que gravo a rubrica. Também é relevante dizer que, dado tratar-se de uma “revista de blog’s” – e uma vez que os blog’s não se preocupam com a oralidade ou com a eventual citação lida dos seus textos -, tomo a liberdade de editar minimamente os textos que selecciono. Faço-o apenas para que, em rádio, não se perca a ideia do blogger pelo facto de escrever frases longas e muito entrecortadas. Da mesma forma, não reproduzo palavrões nem frases pessoalmente ofensivas, assim como evito acusações cuja possibilidade de prova é diminuta ou inexistente. Sendo uma humilde crónica de rádio, tinha ainda assim de ter alguns princípios. São estes. Quem tiver razão de queixa, não hesite!

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