Segunda-feira, 21 de Setembro de 2009

Matar o mensageiro

Já cá faltava a lição que vinha do Império Romano: em face de mensagem negativa, vamos lá matar o mensageiro. Jornais, rádios, televisões, não escapam a este olhar que pretende matar as notícias da forma mais óbvia: eliminando quem as transmite.

Querem exemplos. Olhem este, de Carlos Barbosa de Oliveira no Delito de Opinião: “A notícia de primeira página do "Expresso" sobre os PPR de Louçã  é do mais ridículo que alguma vez li. Quando um semanário "de referência" faz notícias deste jaez, não faz mais do que confirmar o que venho dizendo há muito: o jornalismo em Portugal está pelas ruas da amargura.”

A saber: Louçã fez dos benefícios fiscais dos PPR um odioso roubo aos cidadãos – e um jornal descobre que, ao mesmo tempo, ele investiu dinheiro em PPR’s. Noticiar tal facto é andar nas ruas da amargura? Não consigo perceber.

Observe-se agora um post de Pedro Santana Lopes no seu blog: “Pacheco Pereira escreve hoje um excelente artigo no Público. Cheio de "verdades que nem punhos" sobre o que se passa no dia-a-dia da nossa Imprensa. Por exemplo, ainda agora assistimos a "directos" da intervenção de Manuel Alegre no comício do PS em Coimbra. Mas da intervenção de Marcelo Rebelo de Sousa, no comício do PSD, na mesma cidade, à mesma hora, não consegui encontrar nem um... Porque será?”

Outro exemplo, outro olhar, Francisco José Viegas na origem das espécies: “O Diário de Notícias quis ser o provedor do Público. Não conseguiu. Só entregou a encomenda, queimando a reputação.”

E como estes poderia citar João Miranda, no Blasfémias, falando sobre a polémica das escutas e escrevendo que “a reputação só tem valor se puder ser usada em momentos cruciais. O DN decidiu queimar parte da sua a uma semana das eleições”.

Ou ainda Pedro Picoito no Cachimbo de Magritte, quando deixa esta pergunta no ar: “Se o Público, que Sócrates nomeou como inimigo num congresso partidário, vê a sua correspondência interna chegar à concorrência, torpedeando assim uma investigação incómoda para o Primeiro-Ministro, quem nos garante que outros inimigos de Sócrates não são alvo de idênticos processos?” No Sound and Vision, João Lopes observa os media dizendo que numa campanha o que os eleitores fixam e elegem “envolve dois efeitos correntes da televisão mais despudoradamente populista: o “apanhado” e o pitoresco. O “apanhado” porque, quase sempre, as câmaras seguem os políticos para tentar fixar (...) o acidente mais ou menos anedótico: o beijo inesperado, a frase solta, o bebé, a peixeira, etc... O pitoresco porque, de acordo com tais reportagens, não há elemento do povo que não seja caricatural ou ridículo: e se puder dizer qualquer coisa para a câmara em tom mais ou menos gritado, tanto melhor. Chama-se a isto estereótipo.”

E é disso que falamos quando apontamos ao mensageiro passando ao lado da mensagem. Nessa matéria, os jornalistas têm as costas mais largas da raça humana. E faltam 6 dias para as eleições

 

publicado por PRD às 03:05
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PRD

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