Segunda-feira, 14 de Setembro de 2009

Campanha Eleitoral (I)

Campanha eleitoral na estrada, o arranque foi dado oficialmente depois do encontro na TV entre Sócrates e Ferreira Leite. Um debate a que a esmagadora maioria dos comentadores não atribui vencido ou vencedor, porque os dois líderes conseguiram prestações equilibradas, uma ou outra gaffe, nada de especial. Ainda assim, consigo encontrar notas e sublinhados no mundo dos blogues que vale a pena trazer à Janela.

Por exemplo, Maria João Marques, no Insurgente, repara que “Sócrates não gosta nada da maledicência nem daqueles políticos que passam o tempo a criticar os outros. (...). Foi por isso que passou todo o debate (...) a criticar e maldizer as propostas reais ou inventadas do PSD”.

Nuno Dias da Cilva, no Civilização do Espectáculo, prefere olhar Manuela Ferreira Leite, a quem chamou de Padeira de Aljubarrota: “protagonizou um dos momentos mais vivos no debate de ontem, com consequente eco na imprensa espanhola,(...). E nem se pode invocar que foi apenas o jornal dos socialistas em Espanha que pegou no assunto. O periódico da direita do país vizinho foi até mais contundente e a declaração de que «Portugal não é uma província de Espanha» é uma das notícias mais lidas no «El Mundo». Proponho que a primeira visita oficial de Ferreira Leite ao exterior, depois de eleita, como «deseja» e «espera», seja a Espanha para fazer as pazes com os empresários e o poder político espanhol”.

Sobre este tema, Carlos Manuel Castro no Câmara de Comuns escreve “que a líder do PPD é de um vazio político atroz, quando disse que Portugal não era província de Espanha e que os espanhóis se queriam aproveitar de fundos comunitários´para fazer o TGV. Como se o mesmo não se aplicasse a Portugal, beneficiando de patrocínio europeu para as redes transfronteiriças”.

No fundo, e afinal, onde se vê ou analisa o debate de sábado é mesmo nos pormenores, nas nuances que tudo mudam. Afonso Azevedo Neves, no 31 da Armada, repara neste pormenor interessantíssimo: “Sócrates quando irritado perde sempre a razão, Manuela Ferreira Leite quando irritada ganha a razão que não consegue fazer passar quando se esforça por se manter calma”.

Daniel Oliveira, no Arrastão, prefere olhar o tema pelo lado da estratégia e não hesita na vitória de Sócrates neste confronto: “Sócrates usou neste debate a mesma estratégia que aplicou aos anteriores: passar ao ataque e ser oposição à oposição, usando os programas dos outros. (...) A estratégia põe os opositores à defesa, que é sempre a pior forma de estar num debate. E, perante as dificuldades oratórias e políticas de Ferreira Leite, garantiu uma vitória sem discussão. Mas uma coisa é ganhar debates, outra é ganhar as pessoas. E quando Sócrates concentra nos opositores, nos seus programas e no seu passado, está, ele próprio, a diminuir os seus últimos quatro anos de governo. A sua estratégia dá vitórias mas não mobiliza. Dificilmente convence indecisos”.

No fim, como no princípio, sem ser Daniel, poucos ousam atribuir uma vitória clara. Paulo Pinto Mascarenhas acaba por fazer uma boa síntese: “Estão de igual para igual. Esperava mais de Sócrates que, como diziam os especialistas, tem jeito para isto. Mas o jeito não está a dar para ganhar”. E faltam 13 dias para as eleições.

 

publicado por PRD às 00:54
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