Quinta-feira, 23 de Julho de 2009

A injusta justiça

Estava a ver a noticia da inauguração do novo Campus da Justiça e a estranhar o protesto de alguns magistrados. Num país onde todos se queixam da justiça, um novo espaço de trabalho tinha tudo para ser bom. Mas parece que não... Acabo por encontrar no 31 da Armada um post de Francisco Proença de Carvalho que estranha o mesmo que eu estranhei: “Antes queixavam-se que os Tribunais estavam decrépitos, não reuniam as mínimas condições, eram inseguros… Feita a mudança para um local à beira rio novinho em folha (...), as antigas instalações passaram a ser fantásticas, cheias de carisma e de memória que urge preservar e, pois claro, as novas são péssimas, perigosas, fora de mão, com um ar condicionado barato, etc. etc. etc. Em Portugal, nomeadamente para as corporações instaladas e sindicatos, a palavra mudança (...) é intolerável… Parece que está entranhado no nosso sangue um permanente sentimento de anti-mudança e de inadaptação”.

É então de mudança que falamos. E continuando á beira-rio, mudo de agulha porque também tudo mudou agora quando se fala do terminal de Contentores de Alcântara. Num relatório de auditoria à Concessão, os juízes do Tribunal de Contas consideram que o Estado e o Porto de Lisboa alteraram as condições assinadas no memorando de entendimento sempre em prejuízo do sector público. E que, num altura de crise no mercado, acabaram por assumir os maiores riscos na montagem do projecto financeiro. Nuno Gouveia nota a mudança no 31 da Armada: “O ministro Lino (...) ofereceu ainda clausulas interessantes para o grupo privado. Segundo percebi, se as coisas não correrem tão bem como o esperado, o Estado compensa a Mota-Engil. Se, pelo contrário, as coisas correrem melhor que o previsto, muito dificilmente o Estado receberá mais dinheiro. Uma questão importante: Lino ainda é ministro?”. João Carvalho, no Delito de Opinião, prefere gritar a plenos pulmões: “chamem a policia”: “O insólito contrato recontratado de concessão do terminal de Alcântara cheirava a esturro desde o primeiro momento em que pôs a cabeça de fora. Longe ainda de se conhecer muita coisa sobre ele. (...) Querem o contribuinte a pagar, se aquele obscuro e suspeito contrato não for muito favorável aos favorecidos? Que pague o Mota, o Engil, o Coelho, o Jamé, sei lá. Alguém que pague. Pela minha parte, ficam a saber: chamem a polícia, que eu não pago”.

Ou muito me engano ou este é um caso que vai parar á justiça, a tal que tem o novo campus. Para fechar como comecei, passo belo blog de Pedro Claro, que estranha o protesto dos juízes sobre o novo espaço da justiça: “não sabia que um juíz também era versado em urbanismo e arquitectura. Veremos se o tempo lhes dá razão. Para quem estava no Tribunal de Boa Hora e se queixava das faltas de condições há algum tempo atrás é de estranhar estas afirmações. (...) Se realmente querem ficar no Tribunal da Boa Hora ou noutro qualquer falem condignamente. Não acho que a melhor abordagem seja a de birrice”.

E lá está: de Alcântara ao Parque das Nações, hoje a Janela esteve sempre à beira-rio, entre a justiça e as mudanças que a justiça vai observar..

 

publicado por PRD às 18:20
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1 comentário:
De Maria Ramalho a 9 de Setembro de 2009 às 01:49
Pois, acho que eles , Juízes se referem aos vidros amplos das janelas. Quem sabe poderá pôr-se um a jeito e 1 snipper irritado com o respectivo Juiz, faz pontaria e bam !!



Essa dos contentores e da zona Ribeirinha só aguardo uma explicação do Adv . José Miguel Júdice , que andou por ali a fazer trabalho pro bono , que se comprometeu perante nós publico ouvinte , e sobretudo perante o Dr. António Barreto explicar o que se passou nesssas suas andanças pelo "recriação" da zona ribeirinha

Ele, Dr. Júdice comprometeu-se que explicaria preto no branco todo o desaguizado, logo que as eleições autárquicas terminassem dado ter apoiado o presidente da Câmara lisboeta e desse modo existir.... , como dizer? ahh uma ética de compromisso, (deve servir).

Mas que acontecerá se de facto o Dr. António Costa as vier a ganhar? O compromisso manter-se-á ?

Ahh , como aguardo com tanta expectativa, o após eleições autarquicas pra saber tudinho.

Acho que daria para melhor percebermos essa "coisa" do prolongamento de prazo de contrato à Moto-Engil :

Que acha você, Pedro Rolo?

Gramava saber :-))) Aguardo. Se calhar melhor é aguardar sentada, lol

Maria Ramalho


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