Terça-feira, 21 de Julho de 2009

Efemérides

Vivemos o tempo de todas as efemérides – ontem, os 40 anos da chegada do homem à luz foram overdose de informação e comentários. Nem eu escapei à fúria...

Na verdade, às vezes umas efemérides abafam outras e foi assim que passou despercebida uma data que diz muito a Pedro Santana Lopes. Por isso ele não a esqueceu e no seu blog deixou a devida nota: “Dia 19 de Julho, completaram -se 75 anos sobre a data de nascimento de Francisco de Sá Carneiro. Já faria 75 anos. O tempo passa. A 19 de Julho, também, mas de 1987, o PPD/PSD, com Aníbal Cavaco Silva, conquistou a sua primeira maioria absoluta. E, muito menos importante, nesse mesmo dia fui eleito Deputado ao Parlamento Europeu. (...) Já lá vão 22 anos”.

Santana nunca deixa de dar o ponto e o nó. Pelo meu lado, o post dele inspira-me a seguir esta ideia de passado, e de como o passado determinaria outro presente se as coisas corressem de modo diferente. Esta semana, a Alemanha homenageia um grupo de militares alemães que há 65 anos tentaram assassinar Adolf Hitler. Escreve Nuno Gouveia no 31 da Armada: “Se a missão (...) tivesse tido sucesso, talvez a história da Europa fosse diferente. E evitadas milhões de mortes. Hoje na Alemanha homenageia-se aqueles que participaram neste atentado. Com toda a justiça. Estes pelos menos tentaram fazer alguma coisa...”

De passado em passado, encontro um post inspirador de Henrique Raposo no blog Clube das republicas mortas, sob o titulo “Que belos tempos”: “No telejornal, um velho jornalista da RTP dizia que, no tempo dele, era a TV a seguir os jornais, e não o inverso. Belos tempos. Era a imagem a seguir a palavra, e não a pós-modernice de hoje com a palavra a ser escrava da imagem, com os jornais a funcionar como apêndices da TV”.

Por acaso esta ideia é, no mínimo, polémica, pois quem lê jornais e vê Televisão verifica muitas vezes que os telejornais são na esmagadora maioria dos casos construídos a partir da agenda que os jornais em papel lançam pela manhã. Enfim, adiante, hoje ando a saltitar pelo passado e pela memória e acabo no blog de Helena Sacadura Cabral, Fio de Prumo, onde a jornalista e economista se espanta como eu próprio me espantei: “O caso D. Branca foi detalhadamente contado nos jornais da época e até deu origem a um filme. Não nos podemos queixar, assim, de falta de informação. Acabo de ler nos jornais de hoje - não queria acreditar - que proliferam mais casos idênticos.  Um, cujo responsável tem nome, (...) em Almada, na loja 12. O outro, (...) na Estrada de Benfica”.

Helena pasma: “O que, de facto, é surpreendente, direi mesmo chocante, é que depois da D. Branca ou dos jogos de Pirâmide, estes negócios continuem a existir na maior impunidade. Mas se assistimos aos casos rocambolescos dos BCP, BPN e BPP, como é que estes, tão simples e populares, não hão-de continuar a existir?”

Apetece-me fechar com Ines Dentinho, que no blog Geração de 60 tinha ontem uma daquelas frases que remate bem uma crónica em que andei sempre a saltar entre passado e presente: “Na maioria das nossas vidas, «o passado é um País estrangeiro». Acontece a quem evolui. N'outras, o presente é também um País estrangeiro”.

publicado por PRD às 00:19
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Estes textos são escritos para serem “falados”, ou “lidos”, pelo que não só têm algumas marca de oralidade (evidentemente, propositadas...) como é meu hábito improvisar um pouco “em cima deles” no momento em que gravo a rubrica. Também é relevante dizer que, dado tratar-se de uma “revista de blog’s” – e uma vez que os blog’s não se preocupam com a oralidade ou com a eventual citação lida dos seus textos -, tomo a liberdade de editar minimamente os textos que selecciono. Faço-o apenas para que, em rádio, não se perca a ideia do blogger pelo facto de escrever frases longas e muito entrecortadas. Da mesma forma, não reproduzo palavrões nem frases pessoalmente ofensivas, assim como evito acusações cuja possibilidade de prova é diminuta ou inexistente. Sendo uma humilde crónica de rádio, tinha ainda assim de ter alguns princípios. São estes. Quem tiver razão de queixa, não hesite!

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